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FC Porto campeão, mas derrotado em bolsa

Os adeptos celebraram a vitória do campeonato nas ruas, mas os investidores castigaram as ações do Futebol Clube do Porto no jogo do mercado dos capitais. Já os títulos do Benfica subiram esta segunda-feira. No mundo da bolsa, parece que o futebol não aquece nem arrefece

Joana Madeira Pereira

NurPhoto/Getty

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A festa portista começou no sábado, quando o empate entre o Sporting e o Benfica ofereceu a vitória antecipada no campeonato português. Teve o ponto alto no domingo, depois do jogo – já em clima de celebração – no estádio do Dragão contra o Feirense, que acabou a duas bolas a uma para a equipa da casa, quando a Avenida dos Aliados e outros pontos do país se encheram para comemorar o novo título. Contudo, a festa não se estendeu, esta segunda-feira, à negociação em bolsa das ações da SAD do Futebol Clube do Porto (FCP).

Esta cotada fechou a sessão a perder 7,14%, com o preço por título a fixar-se nos 65 cêntimos. Mais. E o Benfica, que não conseguiu a vitória necessária frente ao Sporting para garantir desde já o segundo posto da Liga Nos (e que terá de alcançar um resultado melhor do que aquele que o seu rival sportinguista fizer, em caso de vitória, na última jornada do próximo fim de semana), viu os seus ‘papéis’ valorizarem esta sessão, cerca de 4% (para 1,325 euros).

E o Sporting nem mexeu – já que não houve negociação dos seus títulos em bolsa.

Mas, afinal, uma vitória já não é uma vitória? Na bolsa, pelos vistos, não. Porque, aqui, os clubes desportivos estão longe de ser campeões.

Como refere João Queiroz, director de negociação do Banco Carregosa, este não deixa de ser “um dado curioso: o FCP ganhou o campeonato e as ações descem. O Benfica perdeu o campeonato e as ações sobem”. Contudo, explica, “tudo isto é muito relativo e não podemos retirar muitas leituras do comportamento dos títulos em bolsa. O FCP negociou apenas 275 ações, num montante global de negociação de 179 euros”.

Na verdade, as ações das sociedades anónimas desportivas dos três ‘grandes’ do futebol português estão cotadas na Euronext, “mas a sua liquidez é tão baixa que negoceiam por chamada, uma vez de manhã e outra durante a tarde”.

Por isso, “nem a queda de 7% na cotação tem significado perante um volume tão escasso. Provavelmente, bastou uma venda de um investidor para o preço mudar. As ações do FCP, desde o início do ano, perdem 1,52%. Em abril tinham subido 11%, mas hoje já desceram”, aponta João Queiroz.

Por seu turno, as ações do Benfica ganham 15,22% desde o início do ano. E tiveram, esta segunda-feira, uma valorização de 0,4%. “E as ações do Sporting não negociaram nesta sessão”, aponta o diretor do Banco Carregosa.

E se o FCP já garantiu o seu posto, o primeiro, os rivais da segunda circular continuam em campo pelo segundo lugar na Liga Nos – e o acesso directo à milionária Liga dos Campões. Esse despique ainda poderá trazer algum dinamismo à negociação bolsista visto que, quem alcançar a segunda posição terá acesso a um apetecido ‘pote’ de milhões de euros. Em caso de marcar presença na Liga dos Campeões, o Benfica angaria automaticamente 41 milhões de euros para os seus cofres. Se for o Sporting, o valor será de 27 milhões de euros.

O campeão Porto, em termos de capitalização bolsista (estimativa do valor total da empresa a partir da sua cotação em bolsa), ocupa a terceira posição no mercado de capitais: tem um valor de 14 milhões de euros, com o Sporting a ocupar o segundo lugar (29 milhões), logo no encalço do Benfica (30 milhões), o clube mais valioso em bolsa.