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Rio queixa-se do custo para os contribuintes da segurança na Taça... mas engana-se

Rui Rui considerou “anormal” que sejam “os impostos dos portugueses” a pagar o policiamento dos “jogos de risco”. Mas quem paga a segurança é a Federação Portuguesa de Futebol. No ano passado foram mais de cem mil euros. Este ano será mais

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MIGUEL A. LOPES/ LUSA

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Rui Rio comentou esta sexta-feira a polémica em torno da final da Taça de Portugal, no final de uma semana com confrontos violentos na academia de Alcochete, do Sporting. “Quem paga aquele policiamento e aquilo tudo são os impostos dos portugueses”, disse o líder do PSD, referindo-se à segurança mobilizada para os jogos de futebol considerados de alto risco. No entanto, Rio não tem razão, uma vez que o custo da segurança não é pago pelo Orçamento do Estado. É pago pela Federação Portuguesa de Futebol.

O antigo autarca apontou que se trata de uma situação “anormal” e exige “do poder político medidas para evitar justamente isso”. Relativamente à segurança no futebol de uma forma geral, defendeu ser “uma anormalidade completa” falar-se em “jogos de risco” bem como as imagens de “claques engaioladas como se fossem animais levados ali entre a polícia”.

O Expresso sabe que no ano passado o custo da segurança foi superior a cem mil euros, valor que foi suportado pela FPF. Este ano, tendo em conta as circunstâncias em que o jogo é realizado, o custo será provavelmente maior. O dispositivo de segurança é definido pelas autoridades de segurança pública, sem consulta nem participação da FPF. A Federação limita-se a pagar os custos apresentados.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma iniciativa no Antigo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, Rui Rio disse que que existe “um perigo iminente, designadamente no controlo das claques dentro do próprio Sporting”, que pode desaconselhar a realização do jogo com o Desportivo das Aves no Estádio Nacional, no domingo. E a este propósito lembrou que “em Inglaterra acabaram as claques” e admitiu que o mesmo possa acontecer em Portugal: “Acho que tem de estar tudo em cima da mesa. Tem de se revisitar o quadro legal - e não só o quadro legal como a própria aplicação da lei que já hoje existe”.