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Acabou o sonho real da seleção surreal

Portugal foi eliminado nos quartos de final dos Jogos Olímpicos pela Alemanha, de forma dura (4-0)

Mariana Cabral

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Tomás Podstawski a perseguir Gnabry

Bruno Zanardo/Getty

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Quatro jogos em dez dias - com duas viagens longas pelo meio - é dose, especialmente quando os quartos de final dos Jogos Olímpicos são marcados para as 13h. Mas o que se viu na 1ª parte do Portugal-Alemanha, ao contrário do que o resultado final pode fazer crer, foi um belo jogo de futebol: aberto, com futebol predominantemente ofensivo e uma série de oportunidades de golo em ambas as balizas.

4-0 já ultrapassa o limiar a partir do qual se pode começar a falar em goleada, mas o problema é que é quase ofensivo dizer que a seleção portuguesa foi goleada pela seleção alemã, num jogo assim.

É certo que Rui Jorge propôs esta tarde uma estratégia aparentemente mais baseada nos ataques rápidos, deixando Gonçalo Paciência no banco e apostando em Salvador Agra e Carlos Mané na frente, provavelmente para aproveitar a velocidade de ambos a explorar a profundidade nas costas da defesa alemã, mas Portugal não merecia um resultado assim.

Logo no início do jogo, Mané e André Martins (recentemente contratado pelo Olympiakos de Paulo Bento) estiveram muito perto do golo, na mesma jogada, mas Horn disse presente. O mesmo fez, do outro lado do campo, Bruno Varela, retardando o que foi parecendo então cada vez mais inevitável: o golo da Alemanha.

Bruno Zanardo/Getty

É que Portugal criava perigo, mas tinha menos bola do que é habitual - Rui Jorge decidiu logo após a meia-hora substituir Sérgio Oliveira por Francisco Ramos - e a Alemanha ia criando oportunidades de forma mais frequente do que os portugueses, através do trio de luxo (não, a convocatória dos alemães não foi surreal) Gnabry-Meyer-Brandt, com Selke mais à frente.

Quando se esperava que tudo fosse a zeros para o intervalo, a seleção alemã marcou - na pior altura possível para Portugal, em termos anímicos: os descontos. Brandt ganhou uma bola no corredor direito, Selke ameaçou a desmarcação em profundidade pelo meio, arrastando com ele o lateral direito Fernando Fonseca, e a bola foi enviada para o outro lado do jogo, para Gnabry, sozinho no corredor esquerdo português.

Na 2ª parte, foi a Alemanha a entrar mais acutilante e o jogo ficou praticamente resolvido aos 57', quando Ginter saltou mais alto num canto e fez o 2-0. Já com Gonçalo Paciência em campo, Portugal ainda procurou reduzir, mas uma perda de bola de Tiago Silva - entrou para o lugar de Francisco Ramos, que entretanto se lesionou - no meio-campo deu origem a um ataque rápido construído por Meyer e concluído por Selke.

Já não havia nada que a seleção portuguesa pudesse fazer, mas a equipa ainda foi novamente castigada, quando mais um ataque rápido deu origem ao 4-0, marcado por Philipp Max. Sim, a Alemanha foi superior (era impossível ter apanhado seleção pior nos quartos de final...), mas Portugal não merecia sair do Brasil com uma goleada. É que esta seleção começou por ser surreal, sim, mas mostrou-nos que o sonho era muitíssimo real, com momentos e jogadores de grande qualidade. Não deu para mais. Mas foi bom. Parabéns para eles.