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O talento que deu a medalha dos 10 mil metros (e a naturalidade britânica) a Mo Farah

Foi digno de um filme: Mo Farah era favorito, mas às tantas caiu e temeu-se o pior. Só que o britânico levantou-se e conquistou a medalha nos últimos 100 metros, num final emocionante

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Mo Farah ultrapassou o queniano Paul Tanui nos últimos metros da corrida

Ian Walton/Getty

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Não há dúvida nenhuma: os deuses estão com Mo Farah. Não é que o atleta britânico não tenha um currículo invejável - já tinha conquistado o ouro nos Jogos de 2012, nos 5 mil e nos 10 mil metros -, mas as probabilidades de Farah conquistar os 10 mil metros no Rio diminuiram drasticamente quando o corredor caiu durante prova.

Temeu-se o pior, mas Farah levantou-se e deu tudo. E, nos últimos metros da corrida, conseguiu ultrapassar o queniano Paul Tanui. Farah conquistou o ouro em 27.05,17 minutos, enquanto Tanui acabou com 27.05,64. Mais atrás ficou Tamirat Tola, da Etiópia, com 27.06,26.

Mo Farah ganhou e voltou a festejar com o enorme sorriso que lhe é característico - e que o fez cair nas graças do público que o segue. É que, para além da sua personalidade, a própria estatura física de Farah provoca uma certa simpatia em quem o vê. Muito magro e alto, com braços e pernas finas e longas, e uma cabeça um tanto ou quanto achatada, a fazer lembrar uma personagem de banda desenhada. Apesar dos seus 1,75m de altura, uma rajada de vento é suficiente para arrastar Farah, que não pesa mais de 60 quilos.

Só que até os ídolos de sorriso cómico têm de responder a perguntas difíceis, mesmo depois de terem acabado de conquistar uma medalha de ouro. É que Farah terá corrido com Jama Aden, treinador da Somália que foi preso em junho pela polícia espanhola, sob acusações de doping. "Obviamente acredito num desporto limpo e temos de fazer tudo o que pudermos para isso, mas ao mesmo tempo a única pessoa que controlas é a ti próprio", explicou o britânico, negando qualquer envolvimento com Jama Aden.

Ezra Shaw

Nascido a 23 de Março de 1983, juntamente com Hassan, irmão gémeo, Mohamed Farah foi fruto de uma história de amor de muitos quilómetros. Uma viagem de férias fez com que o pai, Mukhtar Farah, viajasse até Mogadíscio, capital da Somália, onde acabou por conhecer Amrah, que teve os dois bebés no país.

Mukhtar Farah é que era cidadão britânico e só com oito anos é que Mo e o resto da família Farah (ao todo eram oito filhos) se mudaram para ir viver com o pai. Já em Inglaterra, Mo queria jogar futebol, mas a sua rapidez era bem mais interessante do que propriamente o seu talento com a bola e, por influência de um professor de educação física, começou a praticar atletismo.

DAMIEN MEYER/Getty

Já como cidadão britânico, começou a correr e a ganhar praticamente tudo o que havia para ganhar. Em 2006, chegou ao pódio do Campeonato Europeu de Atletismo, vencendo a medalha de prata dos 5mil metros, e em 2010, também no Europeu, venceu as provas dos 5 mil e dos 10 mil metros, sendo o quinto atleta a realizar o feito em 66 anos.

Em 2012 venceu o título de melhor atleta europeu do ano e em 2013 voltou a levar mais ouro para casa no campeonato Mundial de Moscovo. No ano passado, tornou-se bicampeão mundial dos 10 mil metros, na competição realizada em Pequim.