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Confusão total no Brasil com o caso dos nadadores americanos detidos

Polícia impediu o regresso a casa de nadadores norte-americanos que se queixaram de terem sido assaltados na Barra da Tijuca. Autoridades dizem que o alegado roubo tratou-se na verdade de um ato de desordem dos próprios atletas

Marta Gonçalves

Ryan Lochte é um dos envolvidos na polémica

Harry How/ Getty Iamages

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A polícia brasileira tem uma versão muito diferente do que aconteceu na madrugada do passado domingo com os quatros nadadores da equipa olímpica dos Estados Unidos que se queixaram de terem sido assaltados: afinal não houve assalto, dizem as autoridades. O que aconteceu, contam, foi que Ryan Lochte, James Feigen, Jack Conger e Gunnar Bentz se envolveram numa discussão numa bomba de gasolina e partiram a porta da casa de banho.

“A única verdade que contaram é que eles estavam bêbedos”, disse Fernando Veloso, chefe de Polícia Civil, citado pelo Globo. “A justiça vai determinar o que vai acontecer com eles. Não vou pedir que eles peçam desculpas aos polícias, mas que peçam desculpa ao povo carioca. Tivemos dificuldade no início, não conseguíamos contacto com os atletas. Já podemos afirmar que o facto relatado não aconteceu.”

O que as autoridades agora contam é que Lochte, Feigen, Conger e Bentz chegaram de táxi a um posto de gasolina na Barra do Tijuca às 6h, depois de um festa na casa de França. Foram à casa de banho, onde destruíram a porta e a saboneteira. O segurança apercebeu-se do sucedido e abordou os atletas, obrigando-os a pagar os estragos.

Inicialmente recusaram pagar, mas os funcionários da bomba de combustível alertaram as autoridades. Nesse momento, os quatro norte-americanos terão mostrado alguma agressividade, levando o segurança a apontar-lhes uma arma. Quando as autoridades chegaram ao local, já Lochte, Feigen, Conger e Bentz se tinham ido embora e pago os estragos, testemunhou um homem que naquela noite se ofereceu para fazer a tradução da conversa com o gerente, acrescenta o “New York Times”.

Gunnar Bentz e Jack Conger esta quinta-feira quando foram detidos no aeroporto

Gunnar Bentz e Jack Conger esta quinta-feira quando foram detidos no aeroporto

Chris McGrath/ Getty Images

A nova versão é totalmente diferente daquela que até agora tinha sido veiculada e surge algumas horas depois de a polícia brasileira ter impedido Gunnar Bentz e Jack Conger de embarcarem no voo que os levaria de regresso aos Estados Unidos. Já na quarta-feira, a juíza brasileira Keyla Blanc De Cnop ordenou a apreensão dos passaportes de Ryan Lochte e James Feigen (os únicos que inicialmente prestaram declarações às autoridades). No entanto, o mandado já não chegou a tempo, pois Lochte já viajou para casa na segunda-feira.

“Partiu para os Estados Unidos da América tal como estava previsto depois de completar a sua participação [nos Jogos]. As autoridades brasileiras não lhe pediram para permanecer no país enquanto decorre a investigação”, disse Jeff Ostrow, advogado de Ryan Lochte, citado pela CNN. “Se tivessem pedido, teria ficado. Ainda não entraram em contacto para esclarecimentos adicionais”, acrescentou.

A defesa fez questão ainda de sublinhar que o Brasil se encontra “debaixo de uma nuvem negra por mais de mil e uma razões”. “Desde a sua economia ao crime, passando pela forma como geriram os Olímpicos”, acrescentou o advogado, citado pelo “New York Times”.

Foi no passado domingo que as primeiras notícias começaram a surgir: quatro nadadores da equipa olímpica norte-americana teriam sido assaltados num táxi.

A imprensa brasileira, citando fonte da investigação, refere que uma das hipóteses é que o falso depoimento foi dado com o objetivo enganar uma pessoa próxima a um dos atletas. E o caso só terá sido tornado público porque a mãe de Lochte contou o sucedido a um órgão de comunicação dos EUA.

A partir daí, o assunto começou a ser comentado e falado em todo mundo, colocando em polos opostos brasileiros e norte-americanos. Além do testemunho das supostas vítimas, não foram encontradas provas que corroborem o que contaram. A desconfiança aumentou com a publicação de um vídeo (cuja a veracidade não está confirmada) pelo tabloide “Daily Mail”.

“Conseguimos ver as supostas vítimas a chegarem sem sinais de terem sido ameaçadas fisicamente ou psicologicamente - até estão a fazer piadas uns com os outros”, defendeu a juíza brasileira Keyla Blanc De Cnop.