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Rio 2016: polícia brasileira impede regresso a casa de dois atletas norte-americanos

Trata-se de dois dos quatro envolvidos num suposto assalto à mão armada que está a levantar muitas dúvidas às autoridades brasileiras. Retirados do avião, foram interrogados e voltarão esta quinta-feira a prestar declarações

Mafalda Ganhão e Marta Gonçalves

Chris McGrath

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Depois de emitirem uma ordem judicial para proibir a saída dos nadadores norte-americanos Ryan Lochte e James Feigen do Brasil, as autoridades do país impediram Gunnar Bentz e Jack Conger, atletas da mesma equipa, de embarcarem no voo que os levaria de regresso aos Estados Unidos.

A informação foi adiantada pelo Comité Olímpico. Esta quarta-feira os dois atletas foram retirados do avião pela polícia, que os interrogou durante algumas horas, a propósito do assalto à mão armada de que os quatro nadadores se queixaram.

O episódio continua a levantar muitas dúvidas, pelo que as autoridades querem apurar as circunstâncias do suposto assalto e o porquê das contradições em que incorreram os nadadores. Mas no caso de Lochte a polícia chegou tarde - o atleta já está no seu país, onde fez saber através do advogado que saiu antes de ser emitida a ordem judicial e que ninguém lhe pediu para prestar mais declarações.

“Se tivessem pedido, teria ficado. Ainda não entraram em contacto para esclarecimentos adicionais“, disse à CNN o advogado Jeff Ostrow.

Quanto a Feigen, e segundo o jornal “San Antonio Express”, o atleta está ainda no Brasil.

Em comunicado, os representantes da equipa olímpica dos EUA disseram, entretanto, queGunnar Bentz and Jack Conger vão voltar a falar com a polícia, esta quinta-feira.

Foi no passado domingo que as primeiras notícias começaram a surgir: quatro nadadores da equipa olímpica norte-americana teriam sido assaltados num táxi. Além de Lochte e Feigen, também Jack Conger e Gunnar Bentz estariam envolvidos.

Após saíram de uma festa na Casa de França, o grupo foi alegadamente abordado pelos assaltantes, que começaram por se identificar como agentes da polícia. “Tiraram as armas, mandaram-nos deitar no chão, mas eu recusei”, descreveu Ryan Lochte à NBC, acrescentando que teve uma arma apontada à testa.

Até agora, não foram encontradas provas que corroborem a história dos atletas. Aliás, o tabloide “Daily Mail” publicou um vídeo (cuja a veracidade não está confirmada) em que mostra os quatro norte-americanos depois da festa.

“Conseguimos ver as supostas vítimas a chegarem sem sinais de terem sido ameaçadas fisicamente ou psicologicamente, até estão a fazer piadas uns com os outro”, defendeu a juíza brasileira Keyla Blanc De Cnop.

Segundo a Globo, as imagens divulgadas contradizem a versão dos atletas. A imprensa brasileira, citando fonte da investigação, refere que uma das hipóteses é que o falso depoimento foi dado com o objetivo enganar uma pessoa próxima a um dos atletas. E o caso só terá sido tornado público porque a mãe de Lochte contou o sucedido a um órgão de comunicação dos EUA.