Tribuna Expresso

Perfil

Jogos Olímpicos

Japão planeia produzir medalhas com lixo eletrónico

Ainda agora os Jogos Olímpicos terminaram e já se pensa em 2020. O Japão quer fazer a diferença: como país organizador, os planos são produzir as medalhas de ouro, prata e bronze a partir de desperdícios tecnológicos

Expresso

As medalhas que este ano foram entreguues no Rio de Janeiro

Alexandre Loureiro/ Getty Images

Partilhar

Se lhe dissermos que um smartphone pode ser transformado numa medalha de ouro, acredita? Parece estranho, mas esses são os planos do Japão, país organizador dos Jogos Olímpicos em 2020. A ideia, divulgada esta segunda-feira, é aproveitar os pequenos aparelhos eletrónicos para produzir os objetos que consagram os vencedores.

Segundo a revista “Nikkei Asian Review”, nos Jogos de Londres em 2012 (olímpicos e paralímpicos) foram usados nas medalhas 9,6 kg de ouro, 1,210 kg de prata e 700 kg de cobre (um dos principais componentes do bronze). Em 2014, o Japão recuperou de pequenos aparelhos eletrónicos deitados fora mais do que isso: 143 kg de ouro, 1,566 kg de prata e 1,112 toneladas de cobre.

Portanto, comparando os números parece ser mais do que suficiente. Um grupo de organizadores responsável pela proposta lembra que se trata de uma ideia amiga do ambiente e foi já apresentada ao governo e a empresas do ramo.

Mas para a ideia passar do papel à realidade há que resolver alguns problemas, nomeadamente o facto de apenas 24% do lixo eletrónico gerado anualmente ser recuperado. E isto acontece apesar da legislação japonesa já obrigar à reciclagem de eletrodomésticos domésticos (ar condicionado, televisões, frigoríficos e máquinas de lavar e secar roupa), com o objetivo de “assegurar o correto tratamento dos desperdícios e assegurar que os recursos são usados eficientemente”.

E depois há ainda o facto de muitos dos metais recuperados já serem utilizados para a produção de novos aparelhos eletrónicos, especialmente no caso da prata.

Habitualmente, as cidades organizadoras procuram empresas mineiras e apelam à doação dos metais para produzir as medalhas.