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Uma televisão alemã diz que Bolt e companhia se doparam. O comité olímpico jamaicano fala em “especulações selvagens”

Televisão alemã acusa o Comité Olímpico Internacional de ter conhecimento de casos de doping nos Jogos Olímpicos de 2008, mas nada ter feito para os investigar

Patrícia Gouveia

Michael Frater, Usain Bolt, Nesta Carter e Asafa Powell a receberem as medalhas de ouro.

Julian Finney

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Tinha tudo para ser um bonito conto de fadas.

Recuemos aos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. A este conto juntamos corredores de uma pequena ilha do Caribe e onze medalhas olímpicas que ficaram para a história. Foi este o feito que correu mundo e, nove anos depois, está a ser posto em causa, por suspeitas de doping.

Usain Bolt foi um dos atletas jamaicanos que, a 25 de Janeiro deste ano, acordou com uma medalha de ouro olímpica a menos. O Comité Olímpico Internacional (COI) anunciou então a desclassificação da equipa da Jamaica da prova de estafetas 4x100 metros, após a repetição de analisés a Nesta Carter terem acusado uma substância proibida.

O COI, desde 2015, tem vindo a reanalisar amostras recolhidas de atletas em Pequim 2008 e Londres 2012. O objectivo é encontrar casos de doping que não tenham sido descobertos pela tecnologia de análise na altura.

Mas terá o comité abafado alguns dos casos?

A televisão alemã ARD diz que sim. No início desta semana, o canal germânico pôs no ar uma extensa reportagem acusando o COI de ocultar casos de doping que envolviam corredores jamaicanos nos Jogos Olímpicos de 2008. A substância em causa é clenbuterol, que pode ter o efeito de anabolizante, contribuindo para acelerar o metabolismo. A emissora garante que a entidade nada fez em relação aos indícios de irregularidade encontrados em pequena quantidade nas amostras de urina de alguns atletas jamaicanos.

AMA e Comité Olímpico defendem-se das acusações

A reportagem tem sido notícia em todo o mundo e levou a que o Comité Olímpico Internacional emitisse um comunicado para rebater as acusações. O COI afirma que os casos foram arquivados porque as análises revelaram um baixo nível da substância e por estarem em conformidade com as regras da AMA.

Já do lado da Agência Mundial Antidoping, a entidade protege-se com o mesmo argumento, alegando que a baixa quantidade de clenbuterol não é o suficiente para punir um atleta. Defende também que os desportistas podiam ter ingerido carne contaminada com a substância, e dessa forma, ter clenbuterol no sistema. “Tem sido cientificamente comprovado que um atleta pode testar positivo para clenbuterol após a ingestão de carne contaminada”, disse a AMA através de comunciado.

Na altura dos Jogos Olímpicos em Pequim foram emitidos vários avisos sobre a carne contaminada com clenbuterol, pois naquela época a substância foi usada na China como um aditivo para engordar animais.

FABRICE COFFRINI

Comité olímpico da Jamaica rejeita as acusações

Um “ultraje” e “sem qualquer justificação”. É desta forma que, em resposta a um e-mail do The Washington Post, o presidente da Associação Olímpica Jamaicana, Michael Fennell, reagiu às alegações na reportagem feita pela televisão alemã ARD.

Michael Fennell sublinha que a peça televisiva estava cheia de “especulações selvagens” e que foi totalmente injusta para os atletas jamaicanos.