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Coreia do Sul paga despesas dos vizinhos da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de inverno

O ministério da Unificação da Coreia do Sul aprovou um orçamento de cerca de €2 milhões para cobrir as despesas dos 400 artistas, apoiantes e altos cargos políticos norte-coreanos que visitam o país vizinho devido aos Jogos Olímpicos de inverno

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JEAN-CHRISTOPHE BOTT / EPA

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O ministério da Unificação da Coreia do Sul vai disponibilizar 2.86 mil milhões de Won sul-coreanos (€2.13 milhões) para pagar as despesas de alojamento e de alimentação da delegação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de inverno deste ano, de acordo com a agência Reuters.

As despesas dos 22 atletas norte-coreanos serão pagas na sua totalidade pelo Comité Olímpico Internacional. Já os cerca de 400 artistas, 'performers' e apoiantes da equipa olímpica da Coreia do Norte irão ter as suas despesas pagas pelo país vizinho, informou o porta-voz do ministério da Unificação, em declarações à Reuters.

Nesta categoria encontram-se ambém os altos cargos políticos que integram a delegação que, de acordo com a mesma fonte, têm estado alojados em hotéis de luxo localizados nos arredores de Seul e de PyeongChang (local onde se realizam os Jogos Olímpicos de inverno).

Esta não é a primeira vez que a Coreia do Sul financia as despesas dos visitantes do país vizinho: em 2002, para os Jogos Asiáticos em Busan, mais de 600 norte-coreanos tiveram as suas despesas pagas pelo governo sul-coreano.

Da participação nos Jogos Olímpicos à (possível) reaproximação diplomática

A participação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de inverno deste ano tem dado muito que falar, especialmente depois de um ano marcado pela forte tensão diplomática entre Pyongyang e o resto da comunidade internacional -principalmente com os Estados Unidos encabeçados pela administração Trump.

Com o anúncio de que ambos países iriam participar com uma equipa única de hóquei no gelo feminino e a visita na semana passada da irmã de Kim Jong-un à Coreia do Sul (o primeiro membro da dinastia no poder na Coreia do Norte a visitar o país desde a Guerra da Coreia na década de 50) estão criadas as condições para um maior diálogo entre os dois países rivais.

Ou, pelo menos, assim o considera Cho Myoung-gyon, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, que afirmou que a participação dos norte-coreanos no evento olímpico representa um marco na relação entre ambos países e que pode vir a abrir a porta a um período de paz na Península Coreana.

Irmã de Kim Jong-un, Kim Yo-Jong, e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, depois de um encontro na "Casa Azul", o escritório executivo e a residência oficial do chefe de Estado sul-coreano

Irmã de Kim Jong-un, Kim Yo-Jong, e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, depois de um encontro na "Casa Azul", o escritório executivo e a residência oficial do chefe de Estado sul-coreano

KCNA

Contudo, muitos sul-coreanos já se mostraram céticos face às verdadeiras intenções da Coreia do Norte, apontando que o país liderado por Kim Jong-un pretende apenas reforçar o seu poder, utilizando os Jogos Olímpicos como mera plataforma de divulgação de propaganda do regime.

No entanto, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-In, afirmou na terça-feira, citado pela agência sul-coreana Yonhap, que os Estados Unidos - cujo papel para a reaproximação entre os dois países é essencial - viam com bons olhos o diálogo entre Seul e Pyongyang, e que também se mostravam disponíveis para um diálogo com a Coreia do Norte.

No passado dia 10, Kim Jong-un convidou o Presidente sul-coreano a visitar a Pyongyang, de acordo com a agência Yonhap - o que, a acontecer, seria o primeiro encontro, em mais de uma década, entre os dois chefes de Estado.