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Qual é a sua forma de aliviar o stresse? A equipa olímpica da Finlândia faz malha

A tradição começou em Sochi, há quatro anos, e o resultado foi um cachecol gigante - e quentinho. Agora o objetivo é mais ambicioso: vão tricotar um cobertor para oferecer ao filho recém-nascido do presidente do país

Lídia Paralta Gomes

Eric Gaillard/Reuters

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Os Jogos Olímpicos são especiais porque são a mais importante competição desportiva planetária e só acontecem de quatro em quatro anos. Por isso, o início de qualquer prova nuns Jogos, aqueles minutos que antecedem o momento da verdade, em que se vão avaliar quatro anos de trabalho, é sempre um momento de ansiedade.

Bem, menos para Roope Tonteri, snowboarder finlandês. Porque cada vez que Tonteri espera o sinal de partida para a sua prova, ao seu lado está o seu treinador a tricotar. Sim, a tricotar.

A imagem que tinha sido vista pela primeira vez em Sochi, há quatro anos, repetiu-se em Pyeongchang, onde decorrem por estes dias os Jogos Olímpicos de inverno: Tonteri a preparar-se para partir e Antti Koskinen, o seu treinador, descontraidamente a fazer malha ali ao lado.

“Quando vejo o Antti a tricotar só me rio. Não penso tanto na corrida”, sublinhou Tonteri numa conferência de imprensa em que alguns elementos da comitiva finlandesa foram convidados a explicar o porquê de andarem sempre de agulhas de malha para todo o lado em Pyeongchang.

Koskinen, treinador da equipa de snowboard e pai da criança, por assim dizer, enquanto fazia aquela dança particular entre as duas agulhas e a lã, foi revelando que esta foi a particular forma que encontrou para manter “o espírito leve” dos seus atletas, para aliviar o stresse e, pelo caminho, também focá-los na competição. “Assim não há converseta desnecessária”.

Koskinen com o seu atleta Roope Tonteri

Koskinen com o seu atleta Roope Tonteri

Eric Gaillard/Reuters

A ideia, diga-se, parece estar a resultar. Koskinen diz que cerca de metade dos 102 atletas da comitiva já se viciaram em tricotar. E se em Sochi, onde tudo começou, os dias e dias de tricô resultaram num cachecol gigante, em Pyeongchang o objetivo é mais ambicioso.

“Estamos a tricotar um cobertor para o filho recém-nascido do nosso presidente”, revelou Koskinen. “Toda a gente está a tricotar um pequeno quadrado e no final juntamos tudo”. O presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, foi pai no dia 2 de fevereiro.

E como são tantos e tão focados na arte de fazer malha, talvez haja tempo para mais alguns elementos da família presidencial serem presenteados. Eetu Nousiainen, que compete nos saltos de esqui, é um dos mais esforçados e além da empreitada dos pequenos quadrados para o cobertor, também já fez boa parte de um cachecol. “Talvez possa oferecer ao cão do presidente”.

Porque não?

Quatro elementos da comitiva finlandesa com o resultado do trabalho de tricô feito em Pyeongchang

Quatro elementos da comitiva finlandesa com o resultado do trabalho de tricô feito em Pyeongchang

Eric Gaillard/Reuters