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Lá Em Casa Mando Eu

Aquela vergonha alheia que se sente ao ver Depoitre jogar à bola (ou a desilusão estampada na cara do Lá em Casa Mando Eu)

Desgostosa com mais um empate do FC Porto, Catarina Pereira tem pena que Adrián López seja um "anti-Talisca" e aconselha muitas doses de Voltaren a Otávio

Catarina Pereira, Lá em casa mando eu

Desilusão dos jogadores azuis e brancos, que já vão em cinco pontos perdidos no campeonato

PAULO NOVAIS/LUSA

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Casillas

Já lhe disse oitchenta e otcho vezes: o segredo de ser um bom guarda-redes para o FC Porto está em nunca perder a concentração enquanto a outra equipa faz anti-jogo, porque a qualquer momento aparece um adversário isolado e é preciso reagir. Ayer, ontem, Casillas deve ter dormido bem, porque hoy, hoje, esteve lá para defender o maior lance de perigo do Tondela: aos 72 minutos, por Murillo. Ai, lá estou eu a hablar em espanhol. Jesus: tambien me acontece mucho.

Layún

Nuno Espírito Santo decidiu fazer várias alterações ao onze, o que é estranho depois da excelente exibição no jogo da Taça da Liga a meio da semana contra o Copenhaga. Layún foi um dos que ficou, mas nem pareceu o mesmo. Quase inexistente a atacar, sem perigo nas bolas paradas... Talvez Maxi já esteja tão perto da recuperação que lhe fez uma ameaça. Aviso, era aviso que eu ia escrever.

Felipe

Portugal foi notícia esta semana por ter erradicado doenças como o sarampo e a rubéola, mas infelizmente ainda não conseguimos erradicar as equipas do Petit. Logo aos 7 minutos, um exemplar perfeito da estratégia: Hélder Tavares atira-se para o chão quando Felipe fez de tudo para evitar o penálti. O brasileiro teve, ao longo do jogo, muitas oportunidades para aprender mais sobre o futebol português, nomeadamente ao nível de centrais que nem sequer deixam os avançados receberem uma bola sem lhes deixarem uma marca nas pernas.

Boly

O Valência continua sem pontuar na Liga Espanhola e ainda ninguém suspeitou que se trata de uma praga minha rogada a um certo central que preferiu este clube ao FC Porto. Boly é que parece menos ressentido do que eu, porque entrou bem na defesa e resolveu vários lances, sobretudo de cabeça. No entanto, aos 74 minutos, deixou-se antecipar por Murillo, que ficou isolado. Casillas salvou-o. De castigo acho que devia ser obrigado a ir à apresentação do livro do José António Saraiva.

Alex Telles

Aos 43 minutos, teve uma perda de bola depois de uma recuperação de Boly que permitiu um remate do Tondela, que noutro jogo dificilmente seria notícia mas que neste foi a melhor oportunidade da primeira parte. Subiu de rendimento com a subida do FC Porto no terreno, mas infelizmente ainda não sabe cruzar a bola e ir a correr marcar golo a seguir.

Rúben Neves

Entrar em campo com a braçadeira de capitão do FCPorto aos 19 anos deve dar uma sensação incrível de sucesso. Digo eu, que aos 19 anos acho que tirar a carta de condução foi o meu feito mais notável. Continua mais macio do que Danilo a defender, mas com melhor qualidade de passe a atacar.

André André

Tem alternado entre a titularidade e o banco, tal como o FCPorto tem alternado entre o 4x3x3 e o 4x4x2 ou entre os resultados fulgurantes e as exibições decepcionantes. Pareceu não saber muito bem o que fazer, além de ser sempre aquele exemplo de raça portista e de alinhar na estratégia global do chuto para a frente.

Brahimi

Regressou à titularidade após ter pago o novo imposto sobre o património acima de 500 mil euros de comissões perdidas na sua venda falhada. Esteve mais encostado à direita, onde, aos 14 minutos, recebeu bem o passe de Rúben Neves, passou por um adversário e cruzou, mas Depoitre não chegou. Antes de sair, para dar o lugar a Óliver, pegou-se com Mamadu para tentar que este não perdesse muito tempo num lançamento, como se alguém estivesse com pressa para ver o resto do jogo.

Otávio

Foi talvez o jogador que mais faltas sofreu, mas temo que esse número seja maior do que o número de caracteres que o Expresso me permite dedicar a este jogo. Quando um ex-jogador se torna treinador tende a construir uma equipa à sua imagem: Guardiola gostava de pensar o jogo e exige o mesmo dos seus jogadores; Petit gostava de dar porrada e não aceita menos dos seus jogadores. E o Otávio? Bem, saiu aos 77 minutos para entrar Corona e nos próximos dias terá que gastar muito Voltaren.

André Silva

É mais uma vítima da instabilidade táctica desta equipa: tanto tem de aparecer à esquerda ou à direita de um ponta-de-lança, como tem ele próprio de ser esse ponta-de-lança que resolve rapidamente. Aos 31 minutos, driblou dois jogadores do Tondela e caiu no chão, o que foi azar, porque esta foi provavelmente a única jogada da partida em que nenhum jogador do Tondela fez falta. Já sem Depoitre em campo teve as melhores oportunidades para marcar, mas ou acertou na baliza ou na bancada. A veia goleadora parece estar a ser afectada pelos muitos treinos com o belga e Adrián.

Depoitre

Está a passar pela habitual praxe do futebol português: centrais muito caceteiros que não o deixam sequer respirar. Tentou receber a bola de costas várias vezes mas normalmente tinha um adversário encavalitado nas suas costas, o que, parecendo que não, dificulta a prática da modalidade. Não consigo dar mais desculpas a esta exibição, porque o resto foram remates falhados, colocações erradas e um daqueles momentos em que o ponta-de-lança perde a bola, corre para trás e atira-se para o chão numa tentativa de a roubar, o que obviamente não acontece, mas fica o esforço e a vergonha alheia. Dá ideia que receber a bola, controlá-la e passá-la não é bem o seu estilo de jogo e só espero que pelo menos os cruzamentos para a área sejam. Estava eu a pensar isto quando Nuno o decide tirar para entrar Adrián e, para quem veio ler isto por engano e não percebe nada de futebol, digamos que tirar o ponta-de-lança quando se precisa de ganhar um jogo é mais ou menos como tirar um professor no regresso às aulas. E o mais engraçado é que o FC Porto passou depois a jogar em "chuveirinho" para a área, tendo dado jeito ter um rapaz loiro alto a lutar por aquelas bolas.

Óliver

A entrada de Óliver mudou o jogo, porque passou a haver coisas como passes de ruptura e futebol. Destaque para o passe, aos 60 minutos, que deixou Layún sozinho para cruzar, mas Depoitre falhou o cabeceamento. Não tinha lugar no Atlético de Madrid porque Simeone privilegia a força em vez da técnica; às tantas não tem lugar no "Somos Porto" de Nuno porque o nosso método ofensivo é de 1893.

Adrián

Aos 73 minutos, ia isolado para a baliza quando o árbitro interrompeu a jogada para dar um cartão amarelo a um jogador do Tondela, que foi um momento tão único que justificou claramente a paragem. Além disso, Adrián seguir isolado para a baliza adversária não se qualifica propriamente como lance de perigo. Ainda teve duas boas oportunidades para marcar depois dos 90 minutos, mas infelizmente trata-se de um anti-Talisca. Já agora, se não receber um salário serve de motivação para isso, fica aqui a ideia para a estrutura do FC Porto.

Corona

Entrou na fase mais perigosa do FCPorto, ou seja, quando a equipa se apercebeu que talvez um empate com o Tondela não fosse um bom resultado. Ajudou a criar lances para o ponta-de-lança matador que eu avisei que resolve campeonatos...

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  • Só saiu fumaça do tubo de ensaio de Nuno Espírito Santo

    FC Porto

    Mudanças táticas e no onze do técnico do FC Porto não funcionaram e os dragões saem de Tondela com um nulo. Quase sempre inconsequente e previsível, a nova experiência de Nuno Espírito Santo não resultou face a um adversário que se soube organizar. Já são cinco os pontos perdidos pelos azuis e brancos e ainda só vamos na 5ª jornada