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Será Bob Dylan um justo Nobel? Será Herrera um bom jogador? Só uma coisa é certa: Layún tem pagar o “fat tax”

Catarina Pereira ia tendo um ataque cardíaco com a exibição do FC Porto na Bélgica, que até a fez pensar em Jorge Máximo, e começa a acreditar que uma certa separação amorosa poderá influenciar os próximos resultados da equipa

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

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O onze do FC Porto na Bélgica

Dean Mouhtaropoulos/Getty

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Casillas

Começou por fazer duas defesas, tendo-se esticado como já poucos homens da sua idade conseguiriam. À terceira foi de vez e pouco pôde fazer quando a defesa do FC Porto desperdiçou três oportunidades de cortar a bola e decidiu sofrer o primeiro golo do Brugge nesta edição da Liga dos Campeões. Posso dizer que apreciei tanto esta experiência quanto apreciei as palavras do taxista Jorge Máximo.

Layún

Ora bem, estou completamente convencida com uma das medidas contidas no Orçamento do Estado para 2017: se é para ser tão facilmente ultrapassado por um magricela qualquer, como no golo do Brugge, acho muito bem que Layún pague o chamado fat tax. A prova de que isso o irá desencorajar de ficar parado foi a corrida que fez para o golo do empate, da sua autoria.

Felipe

Nem há um ano, recordo-me que para se ser central da equipa do FC Porto tinha que se preencher apenas um requisito: conseguir manter-se acordado durante os três biliões de passes que era obrigado a trocar com o colega do centro da defesa. Agora, a exigência é bem diferente: adormecer de consciência tranquila depois de tentar três biliões de passes falhados directamente para um avançado.

Marcano

Não sei se repararam, mas penso que, no lance do golo do Brugge, Marcano ainda evitou um remate com uma parte do corpo que até aqui muitos adeptos portistas duvidavam que tivesse. Já não consegui ver com que parte do corpo falhou aquele golo, sozinho na área belga, aos 60 minutos, mas espero que lhe tenha doído.

Alex Telles

Tentou por várias vezes o passe longo na ala esquerda e correu sempre mal, provando que esta é uma ideia tão ridícula quanto se alguém se lembrasse de fazer vestidos de noiva de um clube. Com penas vermelhas. E caudas longas. Enfim, tenho saudades do Alex Telles que subia e sabia cruzar. Mas conheci-o pouco tempo, já nem tenho a certeza se ele existiu mesmo.

Danilo

Portou-se exactamente como um senhor comendador deve portar-se: enquanto não esteve para se chatear, ficou a olhar para os outros a jogarem; quando se irritou, pegou na bola e foi encontrando milagrosamente maneira de pôr a equipa a jogar. Será uma pena se o perdermos nos próximos jogos para ir liderar as buscas pelo homicida de Aguiar da Beira.

Herrera

Será Bob Dylan um justo Nobel da Literatura? Será Herrera um bom jogador de futebol? Talvez a segunda questão seja mais complicada. Hoje teve o dom de rematar à baliza do Brugge enquanto as coisas estavam a correr mal. Mas também teve o dom de sair de campo sem jogar nada. O mistério adensa-se. Talvez se Herrera for o próximo Nobel da Literatura isto se componha.

Óliver

O alegado divórcio de Pinto da Costa não foi a separação mais preocupante do dia: ver Óliver a deixar o futebol pensado para se juntar ao pontapé para a frente parte-me o coração. Esperemos que seja temporário, eu ainda acredito no amor.

Otávio

Em poucos minutos, fez o passe para o golo de Layún e desequilibrou numa tabelinha com André Silva, tendo o remate saído ao lado. Quando todos pensariam que iria lutar até ao fim, o treinador tirou-o. O futebol de Otávio é muito imprevisível, mas a cabeça de Nuno ainda é mais.

Diogo Jota

Os jogadores do FC Porto entraram muito mal na primeira e na segunda partes, lançando a suspeita de que não conseguem jogar à bola quando ainda têm as palavras do treinador a ecoar na cabeça. Infelizmente para Diogo Jota, depois daquela exibição na Madeira, parece que já está mais entrosado com a equipa.

André Silva

Dean Mouhtaropoulos/Getty

Centremo-nos no momento em que marcou aquele penálti e consagrou uma reviravolta no último minuto dos descontos. Devo admitir que foi o golo que mais festejei em já nem sei quantos meses. Nem foi pela vitória em si (muito importante para a passagem, mas, no fundo, pouco para a diferença que devíamos ter em relação ao Brugge). É que podemos estar num momento de viragem na nossa atração pelo abismo, dando razão àqueles que acreditam que a companheira do presidente influenciava os maus resultados.

Brahimi

A entrada de dois extremos em campo mudou o jogo e deixou-nos a suspirar pelo sistema tático que serviu de base a anos e anos de vitórias. Para que tal acontecesse, nem foi preciso que um desses extremos soubesse passar a bola ou tivesse sido devidamente informado que os rapazes de amarelo eram seus colegas de equipa.

Corona

A dupla substituição que protagonizou com Brahimi mostra que Nuno sabe exactamente o que está a fazer: entra com um sistema de jogo e, quando corre mal, muda-o. Se continuar a correr mal, repetimos isto daqui a uns dias; se correr bem, talvez o sistema mude no próximo jogo para não tornar isto simples para os adversários e para os leitores que ainda não se perderam neste raciocínio. Como Corona entrou bem e até sofreu o penálti do 1-2, talvez até vá ser titular com o Arouca, para depois, com 0-0 no marcador, sair para dar lugar a um médio, passando a equipa do 4x3x3 para o 4x4x2. Acho que começo a dominar o FCPorto 2016/2017!

André André

Quase que não conseguíamos ganhar um jogo a uma equipa treinada por alguém que "aprendeu" com os treinadores do Benfica dos anos 90 (suspiro de saudade). Porra.