Tribuna Expresso

Perfil

Lá Em Casa Mando Eu

Casillas à Serrão (e Pedro Guerra): “Diga um ataque do Arouca! Diga um! Diga um! Um! Um!”

Catarina Pereira, do blogue Lá em Casa Mando Eu, adianta algumas das técnicas utilizadas por Casillas para se manter acordado na vitória tranquila do FC Porto sobre o Arouca e recorda com carinho o meio campo Lucho-Moutinho-Fernando

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

Comentários

André Silva e Brahimi marcaram dois dos golos do FC Porto frente ao Arouca

ESTELA SILVA/LUSA

Partilhar

Casillas

Foi numa noite de chuva intensa na cidade do Porto em geral e no Estádio do Dragão em particular e Iker Casillas terá pensado: "joder, que en Madrid podia estar descansadito en el sofazito desfrutando de la reforma!" Surpreendentemente, o Arouca de Lito Vidigal optou por não jogar futebol e esperar por um ponto caído do céu, pelo que seria injusto pedir mais a Casillas nesta partida do que o poder de se manter acordado. Aliás, para se animar, Casillas passou metade do jogo a gritar a Pedro Guerra: "Diga um ataque do Arouca! Diga um! Diga um! Um! Um!"

Layún

Não sei se estiveram atentos ao jogo de andebol entre FC Porto e Sporting que antecedeu esta partida, mas permitam-me desvendar o final: as equipas estavam empatadas a poucos segundos do fim quando os portistas marcaram um belo golo pela ala direita (desconfio que o termo técnico não será este, mas tudo o que sei sobre modalidades é que o Futebol Clube do Porto é o melhor clube do mundo). Curiosamente, também foi a nossa ala direita que desbloqueou este jogo de futebol, pois foi dos pés de Layún que saiu o cruzamento milimétrico para o defesa do Arouca que cortou mal e facilitou o nosso primeiro golo.

Felipe

É engraçado que tenho reparado que os centrais são os nossos únicos jogadores que os adversários não pressionam. Chega a parecer que querem que eles fiquem com a bola e tentem um daqueles passes em profundidade que uma vez quase que iam criando perigo. Mas olhemos para o que Felipe fez lá atrás: na mesma jogada, foi capaz de fazer um grande corte e de logo a seguir deixar-se antecipar por um adversário que cabeceou ao lado. Senti-me a comer uma tablete de chocolate inteira: é delicioso, mas logo a seguir sabemos que nos vai fazer mal.

Marcano

Passavam 38 minutos de jogo quando Marcano percebeu que, além de dar a bola a Felipe e de a chutar para a frente, podia ficar um bocadinho mais íntimo dela e tentar sair a jogar. Ou, vá, pelo menos subir um bocadinho como se fosse mesmo desequilibrar a equipa do Arouca. Foi um momento que teve tanto de bonito como de único: uma espécie de Natal, que todos desejaríamos que acontecesse mais do que uma vez por ano. De resto, bem a defender e até perigoso na área adversária.

Alex Telles

Já não ia ao Estádio do Dragão há nove meses, curiosamente o mesmo tempo que demorei a incubar o pequeno ser humano que me privou do portismo praticante e também o mesmo tempo que Alex Telles demorou a ter de defender alguma coisa neste jogo (no caso, um jogador do Arouca que se perdeu e passou a linha do meio-campo).

Danilo

Penso que é uma enorme falta de respeito obrigarem o senhor comendador a jogar perante tais condições atmosféricas. Espero que, no mínimo, lhe paguem um ordenado ao nível do presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Herrera

Confesso que, neste momento, tenho por Herrera o mesmo sentimento que pelas obras no centro de Lisboa: quero muito acreditar que existe ali ou vai existir alguma coisa, mas para já não aguento mais. A bola passa horas no trânsito, as faixas parece que desapareceram... E não me venham com as ciclovias: bem sei que ganhámos a Volta a Portugal no Verão, mas não me parece que precisemos de mais ciclistas.

Óliver

Ouvi esta semana Vítor Pereira dizer que privilegiou o futebol de posse enquanto era treinador do FC Porto porque tinha jogadores para isso. É uma pena que Óliver não possa entrar numa cápsula do tempo para experimentar essa equipa. Aliás, pensando bem, é uma pena que eu também não possa.

(Esta crónica está interrompida para introspecção a pensar no meio campo com Lucho-Moutinho-Fernando)

(Ai, ai... continuamos...)

(não, a sério, eu estou bem...)

Corona

Espero que os dois leitores que seguem atentamente esta rubrica (olá pai, olá mãe) tenham reparado que na terça-feira vaticinei a titularidade de Corona neste jogo. O mexicano teve uma entrada em campo fulgurante: logo aos 5 minutos, recebeu um longo cruzamento de Alex Telles, parou a bola, passou por dois adversários e rematou ao poste. Depois, voltou a pedir a Nuno para voltar ao banco. Não por palavras, mas por linguagem corporal.

Diogo Jota

Há quase duas semanas que o país procura insistentemente em direto o presumível homicida de Aguiar da Beira e há mais de duas semanas que eu procurava aquele rapazito que marcou três golos na Madeira e que parecia ser o companheiro ideal para André Silva no ataque. Felizmente, a tática de Nuno foi mais produtiva do que a GNR e a PJ e portanto ele reapareceu aos 44 minutos de jogo, para fazer a assistência para o golo de André Silva, e repetiu a dose aos 78 minutos.

André Silva

Acredito que grande parte do segredo para ser campeão na Liga portuguesa está na capacidade de um ponta de lança aproveitar estes jogos extremamente aborrecidos para enfiar duas bolas lá dentro. Espero que assim continue. Já eu, com a idade dele, não era de confiança para conseguir ir a duas aulas teóricas seguidas, quanto mais para fazer como ele e ainda tirar apontamentos com cores diferentes.

Rúben Neves

Tem ar de quem podia ser um bom aluno como André Silva, mas o regente comendador e catedrático Danilo estabeleceu um numerus clausus que só lhe permite uns minutinhos.

Brahimi

Uma coisa não podemos negar: quando Brahimi entra em campo mexe no jogo. E mexe nos nervos de qualquer adepto, como eu, que entende o futebol como um desporto de equipa e que, portanto, grita cerca de um milhão de vezes por segundo a Brahimi para passar a bola. Aos 90 minutos, felizmente ele não nos ligou nenhuma e marcou aquele golaço. Ficou uma tensão esquisita no ar... A assistência, note-se, foi de Casillas, num belíssimo exemplar dos treinos de Nuno durante a semana.

Varela

Houve um momento em que Herrera tentou desmarcar Varela com um passe longo, esquecendo-se que desde o Estrela da Amadora que o extremo não chega lá. Na verdade, aquele passe só podia ser alcançado por Joel Campbell, no sprint louco do festejo do empate contra o Tondela e esse, felizmente, não estava disponível.