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Lá Em Casa Mando Eu

Depoitre sofreu uma entrada assassina de um objeto esférico (e os outros problemas do FC Porto no Restelo, por Lá em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira faz a análise, um a um, dos jogadores portistas, mas nota que esta deveria ser uma análise "zero a zero", tantos são os zeros no histórico mais recente do FC Porto

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Casillas

Hoje não pode queixar-se de tédio. Começou por ver André Sousa a enviar uma bola ao poste, logo aos 13 minutos, e segurou o resultado com duas boas defesas a remates de Camará. Pelo meio, ainda saiu a um cruzamento e conseguiu afastar a bola, o que me levou a acreditar que hoje podia ter sido uma noite épica, com o FC Porto a marcar golos e Fidel Castro a ressuscitar (qual delas a mais improvável, não sei). Nota-se, entretanto, que Casillas começa a desconfiar deste método - muito Euro 2016 - de tentar garantir o campeonato só com empates.

Maxi Pereira

Esteve mais atento na defesa e, logo aos 10 minutos, fez um grande corte a um cruzamento. Tentou levar a equipa para a frente e ainda fez uns bons cruzamentos para a área do Belenenses, mas encontrou sempre um obstáculo, como as pernas de um adversário, uma ventania forte, ou pior: um avançado do FC Porto. Levou um cartão amarelo quando protegia a bola de um adversário, o que poderá tê-lo deixado com saudades de quando jogava noutro clube e não levava cartões amarelos quando protegia os adversários da bola.

Felipe

Continua a compensar os erros de marcação com uma rápida e forte recuperação. Destaque para o controlo psicológico que demonstrou quando, à agressão de Camará, respondeu com um ligeiro desmaio, seguido de um virar de costas surpreendente. Penso que há umas semanas não seria capaz de mais do que um rotativo na cabeça do outro.

Marcano

Está numa das suas melhores fases desde que chegou ao Porto, com bons cortes e sem hesitações. Aos 55 minutos,cometeu a ousadia de tentar meter a bola dentro da baliza adversária, mas Florent negou-lhe o golo em cima da linha. Neste momento, a dupla de centrais do meu clube está a funcionar, o que me deixaria descansada se não tivesse visto aquele filme em que a banda continua a tocar até o barco ir ao fundo.

Alex Telles

Foi abençoado por Deus Nosso Senhor dos Bombardeamentos para a Área com a capacidade de colocar a bola de muito longe directamente nas cabeças dos adversários. Uma pena que a benção tenha desaparecido quando entrou um belga grande lá para a frente, vestido de amarelo e tudo.

Danilo

Enfrentou com melancolia a noite de chuva, enquanto escrevia na sua cabeça teses e reflexões sobre a morte de Fidel Castro que serão depois dissecadas por Pacheco Pereira e em textos do Jornal de Letras, do qual é assinante. Este desvio literário não o coibiu de várias recuperações de bola, mas notou-se que hoje estava mais destinado a fazer o chamado jogo de merda. Mas atenção: não há falha de marcação, tropeção ou reação tardia que o senhor comendador não faça extremamente bem.

Otávio

Passou grande parte do jogo como eu tenciono passar grande parte da vida: sem correr. Talvez esteja cansado, talvez tenha percebido que corra muito, corra pouco, ou corra mais ou menos, ninguém vai pôr a porcaria da bola dentro da baliza.

Óliver

Apesar de ter feito um ou dois bons passes que desmarcaram colegas de equipa, não está, definitivamente, talhado para um jogo ao sábado à noite, com muita chuva e a relva em mau estado. Destaco o lance aos 23 minutos, quando um grande passe de Corona o deixou isolado frente ao guarda-redes, mas não conseguiu marcar golo porque pareceu ter visto Monica Belluci a passar na paisagem lisboeta, só que em vez de a convidar para sair perguntou-lhe o que achava da táctica do Nuno.

Corona

Jogou de luvas quando estavam 13 graus em Lisboa, o que me deixou logo desconfiada. Aos 20 minutos, bateu um livre para a ala direita, onde não estava ninguém, porque por azar o Corona estava a marcar o livre. Se alguém tiver acesso ao desenho do Nuno em que explicou esta jogada, peço o favor de que o torne público.

Diogo Jota

É um daqueles jogadores que, fora quando está a chover, ou quando o relvado é mau, ou quando o adversário tem mais de 1,60m, ou quando tem fome, ou quando a prima está doente, ou quando os pandas estão em vias de extinção, é extremamente útil à equipa.

André Silva

A crise de golos do FC Porto passa muito pela crise de golos do André Silva. Ainda não percebi de que precisa o rapaz para voltar a acertar na baliza: se de treinar mais, se da mental coach do Eder mas o certo é que tem de perder o medo de marcar muitos golos, porque nem sempre uma equipa que fica a ganhar 3-0 acaba por empatar 3-3.

Depoitre

Houve alguém neste mundo que viu nele o pinheiro que faltava para o nosso ataque. Pois proponho que essa mesma pessoa enfie esse pinheiro na sua decoração natalícia. Ficará para sempre na memória o lance em que, só com o guarda-redes pela frente, sofreu uma entrada assassina de um objecto esférico que o derrubou. Penálti por assinalar (mais um!). Fez Marega parecer Pirlo. Fez Uchebo parecer Maradona. Fez de mim uma pessoa 200 anos mais velha.

André André

Entrou para refrescar o meio-campo, o que, no seu actual estado físico, seria mais ou menos a mesma coisa que o Barça contratar o Depoitre para reavivar o tiki-taka.

Varela

Anda a ter mais oportunidades desde que Herrera faleceu, mas é uma pena que não esteja a aproveitar a sua juventude e frescura para alterar o rumo dos jogos.

Nuno

Prometeu que íamos ganhar e que o problema da finalização ia ser esquecido. Foi como se um miúdo chegasse à frente dos pais e, do nada, dissesse que eles podiam ir dormir à vontade, que ele não sabia como é que se ligava o gás do fogão e que não sabia onde estavam os fósforos. Dormimos todos mais descansados, não dormimos?