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Lá Em Casa Mando Eu

Lá Em Casa Mando Eu agradece a um civil chamado Rui Pedro e a Herrera, que não deu o canto que por sua vez daria o golo do empate do Braga

Catarina Pereira ainda não sabe bem quem é Rui Pedro, mas já se emociona com o rapaz que deu a vitória ao FC Porto frente ao Sporting de Braga (1-0)

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

Rui Pedro decidiu - e tirou a camisola

MIGUEL RIOPA/GETTY

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Casillas

Antes do jogo, entrou um galo preto em campo perto da sua baliza. Foi naquele sítio que, mais tarde, Rui Pedro viria a resolver o jogo. Se precisam de mais provas de que a bruxaria é uma ciência exacta... Sobre Casillas, foi de tal forma inútil e desnecessário que pode ter aproveitado o facto de estarmos todos a ver o jogo para finalmente ir ver os Mirós a Serralves.

Maxi Pereira

Não precisou de demonstrar fragilidades a defender e aproveitou para se exibir a um alto nível no ataque. Esteve perto de marcar, aos 76 minutos, quando rematou após um cruzamento de Brahimi, mas Marafona defendeu.

Felipe

A primeira vez que tocou na bola foi a escorregar e fazer um corte, que foi logo mais do que o Luisão fez esta jornada. Tem uma qualidade que eu aprecio bastante: sabe que não é o Beckenbauer e portanto resolve quase sempre os problemas com um pontapé para a frente sem hesitações.

Marcano

Juntamente com Felipe, travou os poucos contra-ataques que o Braga tentou com classe. Ainda esteve perto de marcar, mas Marafona negou-lhe o golo (estou com a sensação que vou escrever isto para todos os nossos jogadores).

Layún

Regressou à titularidade e trouxe mais objetividade aos cruzamentos para a área e mais perigo aos nossos cantos. O ano passado foi rei das assistências, este ano só não o é porque o conceito de assistência para golo obriga a que haja efetivamente um golo.

Danilo

Começou o jogo a tentar conduzir uma bola para o ataque e logo um jogador do Braga o recordou que não foi a atrever-se a estas coisas que ganhou o grau de comendador. Aos 47 minutos, após cruzamento de Layún, cabeceou ao poste, Marcano ainda insistiu, mas Marafona defendeu. Nesta altura tive a certeza que todos os jogadores do FC Porto estão possuídos pelo espírito contrário ao de Mário Jardel: porra, estão possuídos pelo Pringle!

Otávio

Ouviu alguns assobios dos adeptos devido a dois passes sem lógica e a uma perda de bola. Acabou por sair lesionado e, se for grave, pelo menos o Depoitre ganha companhia na bancada.

Óliver

Nada a dizer contra a sua qualidade de passe, que continua a destacar-se no meio da confusão, mas saliento a jogada, aos 28 minutos, em que recebe a bola de Marafona e, só com o guarda-redes do Braga pela frente, remata super mal para fora. Óliver é, neste momento, o jogador com a maior diferença "qualidade de jogo/capacidade de marcar golos". Podemos chamar a isto o índice Óliver, que vai de Éder "qualidade de jogo zero/capacidade de decidir europeus mil", até Óliver "qualidade de jogo quase Deco/capacidade de marcar golos Depoitre".

Corona

Fez a sua parte a driblar adversários e cruzar, mas, no atual estado dos avançados do FC Porto, fazer isso ou estar o jogo todo encostado à linha a comer pipocas é exactamente a mesma coisa.

Diogo Jota

Foi o primeiro jogador do FCPorto a marcar um golo esta noite, mas o árbitro Carlos Xistra anulou a jogada por suposta falta. Aparentemente, terá considerado que é tão difícil o FC Porto marcar que, se o conseguiu fazer, é porque de certeza que cometeu alguma ilegalidade. Uma vénia para o passe que isolou Rui Pedro no golo.

André Silva

Perdi a conta aos inúmeros falhanços, com óbvio destaque para o lance em que foi agarrado na área por Artur Jorge, que foi expulso. Já não tínhamos um Artur Jorge a tentar ajudar-nos desde que um dispensou o Vítor Paneira e o Isaías e foi buscar o Nelo e o Tavares, mas André Silva não aproveitou e deu a Marafona a oportunidade de defender a grande penalidade. Aconteça o que acontecer neste campeonato, vamos poder sempre queixar-nos dos 12 penáltis por marcar a nosso favor, o que, tendo em conta o nosso poder de finalização, nos podia ter dado um golo essencial.

Brahimi

Anotei as primeiras quatro vezes que tocou na bola: dois remates, um cruzamento quase para fora do estádio e um "passe" que desmarcou Marafona. Portanto, até aqui, 100% de eficácia em não passar a bola a um colega de equipa.

Depois deixei de estar atenta.

Herrera

Quase que se tornava o herói do jogo ao marcar um golo, que foi anulado por óbvio fora-de-jogo. Bem vistas as coisas, não deu o canto que por sua vez daria o golo do empate do Braga. Está a evoluir imenso.

Rui Pedro

Perante a óbvia incapacidade de um jogador do FC Porto marcar um golo, esteve muito bem Nuno Espírito Santo ao ir buscar um civil para resolver o jogo. Ainda estou a tremer a escrever isto porque não foi só no Dragão que houve grandes festejos e gente a chorar com o golo do miúdo!

Marafona

De vez em quando, há um guarda-redes de uma equipa que vai ao Dragão abdicar de passar o meio-campo que faz uma exibição destas. Merece o destaque porque esta noite parecia capaz de impedir todos os golos do FC Porto, travar o aquecimento global e, com a ponta dos dedos, ainda salvar o Mustafa da morte no Rei Leão.

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