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Lá Em Casa Mando Eu

Podia ter entrado o alto, desajeitado e inútil, mas não foi ele que o Lá em Casa Mando Eu viu a ser importantíssimo

Catarina Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, também acha que o autor da “agressão bárbara” a Danilo devia ser obrigado “a rezar 10 Pais Nossos, a doar toda a sua roupa para a caridade e a chamar Danilo todos os seus futuros filhos”

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

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ESTELA SILVA/LUSA

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Iker Casillas

Do lugar onde estava, pareceu-me que teve a chamada "visão privilegiada" do golo do Chaves. Nem toda a gente tem direito a ir para o relvado assistir de forma tão próxima a este belo desporto que tanto amamos. E, quando já todos pensávamos que Casillas tinha adquirido o lugar cativo no Estádio do Dragão, foi obrigado a segurar o 0-1 com duas grandes defesas: primeiro, a um cabeceamento de Freire; depois, a um remate de Braga, evitando que esta fosse a jornada em que os Bragas iam motivar lenços brancos em dois estádios diferentes.

Maxi Pereira

Tendo sido esta a jornada em que os treinadores interinos estiveram em destaque, lembrei-me de sugerir a Nuno Espírito Santo que experimente um lateral-direito interino. Ou seja, quando Maxi Pereira estiver perdido algures no ataque, daquelas vezes em que damos por nós a pensar "Oh, não, onde é que está aquele gajo?", seria importante ter alguém, equipado à Porto, naquela zona do relvado onde, de vez em quando, um ou outro jogador do Chaves decidia aparecer e criar perigo. Fica a ideia, sem pressão. Entretanto, fica também a pequena nota: Maxi sofreu novo penálti, aos 57 minutos, quando o Chaves ainda ganhava no Dragão, mas o árbitro não marcou.

Felipe

Foi o principal culpado do golo do Chaves, ao escorregar e cair no relvado, ficando impedido de tentar, pelo menos, cortar a bola. Ainda se notou no seu rosto que pensou em fazer mão e travar o lance de forma ilegal, mas nem todos podem fazer isto assim à vontade.

Marcano

Na altura mais "quente" do jogo, com o árbitro a anular um golo legal ao FCPorto e a não assinalar um penálti a favor, curiosamente, da mesma equipa, o capitão Marcano viu cartão amarelo precisamente por pedir um cartão amarelo para um jogador do Chaves que ainda só tinha batido no Brahimi mais ou menos o mesmo número de vezes que Rui Vitória bebeu água para afastar jogadores do Estoril da sua área. Caro Marcano, não te incomodes tanto: sabes que, nesta altura, o FC Porto tem mais um jogo do que o Benfica, mas tem menos bastantes equipas de arbitragem.

Alex Telles

Preparava-se para uma daquelas exibições em que me saltam aos olhos os perigosíssimos contra-ataques dos adversários pela sua ala, quando afinal se lembrou de colocar a bola na cabeça de Depoitre para o golo do empate. Teve, então, o duplo mérito de iniciar a reviravolta do FC Porto e da reabilitação do belga.

Danilo

Antes de começar a escrever esta análise, façamos todos uma vénia. Já está? Pronto, vamos lá então. Rafael Lopes não resistiu: assim que viu que tinha a honra de disputar um lance com Danilo, rematou a bola de longe e esta, aproveitando o seu toque de Midas, foi direitinha para a baliza de Casillas. O golo do Chaves foi apenas o prólogo da grande obra que o senhor comendador nos tinha preparado para hoje: quem não viu o golaço que marcou, aos 77 minutos, é favor puxar para trás. Ainda sofreu uma agressão bárbara no último minuto do jogo e, além dos respectivos jogos de castigo que o jogador do Chaves terá de cumprir, proponho que seja obrigado a rezar 10 Pais Nossos, a doar toda a sua roupa para a caridade e a chamar Danilo todos os seus futuros filhos.

Óliver Torres

Aos 64 minutos, assistimos a um daqueles momentos a que só os adeptos de uma equipa com Óliver têm direito: o sublime passe que fez para André Silva, que o deixou isolado e a apenas um ligeiro toque de marcar, mas, infelizmente, o guarda-redes do Chaves não tem a mesma sensibilidade do que eu para o futebol bonito e estragou tudo.

Corona

Tentou, à sua maneira, criar oportunidades para os colegas do ataque brilharem, mas foi sempre demasiado estabalhoado e passou um bocado ao lado do jogo. A maneira como assistiu de longe e sem interferir à grande reviravolta da equipa foi como se tivesse adormecido na passagem de ano ou se tivesse passado o 11 de setembro a ver o Canal Panda.

Brahimi

Logo nos três primeiros minutos de jogo, criou três jogadas de perigo, fazendo lembrar aquele Brahimi pré-CAN, que resolvia jogos sozinho facilmente. Os jogadores do Chaves começaram então a fazer muitas faltas e a não o deixarem jogar e Brahimi resolveu reagir como todos os jogadores que, se não tivessem jeito para o futebol, também não seriam propriamente poetas ou astrofísicos: deixou-se enervar. Acho que seria interessante analisar a estatística deste jogo, porque suponho que tenha 100% de eficácia de passe: fez um e vá lá que acertou.

Diogo Jota

Tentou assistir André Silva para o golo, mas este falhou. Tentou ser assistido por Óliver, mas o passe deste não chegou. Tentou ser substituído por um ponta-de-lança alto, desajeitado e inútil, mas foi o Depoitre que entrou.

André Silva

Passou o jogo a ser empurrado, puxado, travado, amaldiçoado. O clímax chegou aos 52 minutos, quando marcou um golo legal, num cabeceamento após assistência de Felipe, mas o árbitro terá pensado: "Ora bem, estes moços agora vão de férias, mete-se o Natal e o Ano Novo e vai-se a ver e não tenho mais nenhuma oportunidade de os roubar enquanto estão perto do primeiro classificado, portanto vai já que eu não sou de deixar as coisas para a última".

Depoitre

Marcou o golo do empate, aos 72 minutos, num cabeceamento à ponta-de-lança matador. Sempre soube que iria ser importantíssimo para esta equipa. Nunca duvidei das suas qualidades. Já andava, aliás, a avisar há algum tempo que este era o ponta-de-lança certo para mudar o rumo dos nossos jogos e trazer a sorte que por vezes nos falta na arte de finalizar. Para ler as minhas análises brilhantes, clicar aqui ou aqui.

Rúben Neves

Entrou para acalmar o jogo e teve, de facto, o dom de acalmar o jogo. Estou a torcer para que isso seja bom para o seu futuro.

João Carlos Teixeira

Tal como Rúben Neves, entrou para segurar a bola e suponho que o tenha tentado fazer, mas nesta altura eu já estava debaixo da mesa a rezar enquanto a equipa me pregava uns sustinhos finais.