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Lá Em Casa Mando Eu

Estamos em 2017 e um treinador do FC Porto olha para o banco e pensa: "Vou meter o Varela"

Esta e outras considerações de Catarina Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, sobre o empate portista na Mata Real, onde a única coisa positiva foi Rúben Neves marcar o árbitro à zona e não homem a homem, evitando assim uma provável expulsão

Comentários

JOSE MANUEL RIBEIRO

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Casillas

Foi visto várias vezes a fazer exercícios de aquecimento por causa da temperatura que se fez sentir na Mata Real. Além disso, não fez muito mais do que umas saídas a cruzamentos e umas orações para tentar afastar o mau olhado no nosso ataque (neste aspecto, voltou a estar muito aquém das expectativas). Casillas estava visivelmente com tanto frio que suponho que pensou em chegar-se a um árbitro para se aquecer, mas teve medo de ser expulso.

Maxi Pereira

Está visivelmente afectado pela descoberta de que a sua carreira até à chegada ao FCPorto foi manchada por erros de arbitragem sucessivos a favor da sua antiga equipa e está a poucos passos de decidir entregar todos os troféus que conquistou do lado de lá (penso que foram umas 72636282 Taças da Liga, se não estou em erro), em nome da verdade e da transparência no futebol português. Até lá, penso que tem qualidade suficiente para se tornar no grande dinamizador da hashtag #EuPonhoEmCausaOMeritoDoBenfica

Felipe

Voltámos àqueles jogos em que, quanto mais seguros estamos a defender, mais ineficazes nos tornamos no ataque. Por mim, sugiro desde já que Felipe possa cometer um ou outro erro no próximo jogo, se isso significar que algum puto lá da frente perceba onde tem de acertar.

Marcano

Não reparei que esteve em campo até à falta atacante que o árbitro Artur Soares Dias lhe assinalou no último minuto de jogo. Como não me pareceu ter havido infracção de Marcano, e conhecendo o seu feitio incontrolável, irascível e indisciplinado, espero que o árbitro se prepare para as ameaças em castelhano que podem surgir nos próximos dias.

Alex Telles

Foi protagonista de um dos lances polémicos do jogo, quando, aos 14 minutos, cortou com o braço um cabeceamento na nossa área. Mal o árbitro ao não reparar que, estando Alex Telles de costas, o jogador do Paços que cabeceou devia ter sido expulso. Foi ainda atingido no nariz, aos 30 minutos, passando a jogar com uma ligadura. Por sorte, quem lhe acertou foi um jogador do Paços de Ferreira. Se tivesse sido um árbitro, tinha obviamente que ser expulso. Finalmente, aos 88 minutos, viu um cartão amarelo por empurrar um adversário de frente, levando a alguma confusão em relação às regras do jogo.

Rúben Neves

Todos sabemos que é extremamente difícil substituir o senhor comendador, mas a verdade é que esteve brilhante na opção táctica de marcar o árbitro à zona, em vez de homem a homem, uma estratégia que infelizmente não nos tem dado grandes frutos. Esteve bastante irrequieto, tanto a defender como a atacar, e penso que pedir-lhe mais seria injusto, mas, se tudo correr bem, isto é, se Danilo perder a mania de não agradecer humildemente a homens que vêm lançados contra si, no próximo jogo a titularidade terá de ser devolvida.

Herrera

Foi um dos mais irreverentes da equipa, o que infelizmente diz muito sobre o jogo. Fez alguns bons passes, como aquele, aos 65 minutos, para Rúben Neves, que rematou para mais uma grande defesa de Defendi, passe a redundância. Quando a equipa percebeu que estava a jogar melhor e a dominar a partida, protagonizou então o grito de revolta que se exigia de um capitão do FC Porto nesta altura do campeonato. Foi emocionante vê-lo a dar ânimo aos colegas, a gritar ordens e incentivos e a assustar os adversários com tanta garra e vontade. Estou a brincar, entusiasmei-me no estilo de escrita ficcional.

Óliver

Falhou uma das melhores oportunidades da equipa, aos 33 minutos, quando, após uma boa jogada com Corona, rematou devagar para a defesa do guarda-redes do Paços. Às vezes dá-me a sensação de que Óliver é um engenheiro alemão, habituado a que tudo corra sempre da mesma maneira, com ordem e disciplina, mas que não sabe como se desenrascar num local inóspito como a Mata Real, onde, em vez de uma grande reflexão filosófica sobre a arte de rematar à baliza, se exigia apenas e só um chuto com força lá para dentro.

Corona

Fez um jogo ligeiramente acima do limiar de pobreza, mas destacou-se com dois passes incríveis para adversários, lançando o ataque do Paços de Ferreira como poucos jogadores pacenses conseguiram.

Diogo Jota

Apareceu mais encostado ao lado esquerdo, como se bastasse uma simples mudança de coordenadas para colmatar a ausência de Brahimi. Saiu aplaudido pelos adeptos do Paços de Ferreira, num bonito gesto de agradecimento pelos dois lances em que apareceu sozinho na área adversária e falhou. Também pode ter sido porque jogou lá, admito, sendo que nessa altura tinha melhor pontaria e até acertava na baliza do FC Porto.

André Silva

Ficou a pedir penálti por um empurrão na área no fim da primeira parte, mas não consegui ver a repetição do lance para vos dar mais pormenores sobre a minha certeza de que ele tinha razão porque nessa altura tive de ir adormecer o meu filho, que estava aos berros por estar ao colo de um benfiquista satisfeito com esta jornada que por acaso é pai dele. Quanto à exibição de André Silva, foi uma coisa à Éder antes do Euro: esforçada, mas trapalhona, com falhanços e sem golo. Esperemos que André também tenha a sua Paris, que é como quem diz um golo no clássico na Luz que nos permita alcançar heroicamente a liderança no campeonato. (Digam lá agora que é mais improvável que Portugal ganhar um Europeu à França em Paris com um golo do Éder)

Rui Pedro

Se chegaram a esta altura do texto, é porque ainda não se fartaram que eu me queixe dos árbitros e portanto julgo que são o tipo de leitores que concorda que aqueles dois cabeceamentos de Rui Pedro para as mãos de Defendi foram tão suaves que mereciam ser vistos como atraso, ficando dois livres indirectos na área por marcar a favor do FC Porto.

João Carlos Teixeira

Ainda não vi o suficiente deste único reforço do mercado de Inverno para ter uma opinião.

Varela

Estamos em 2017 e um treinador do FC Porto olha para o banco, quando está 0-0, aos 85 minutos, e pensa: "Vou meter o Varela". E o mais interessante é que esta entrada melhorou mesmo a qualidade de jogo da equipa. I rest my case.