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Lá Em Casa Mando Eu

Como aproveitar a cara de quem tem sempre cabos de bateria no carro, por Lá em Casa Mando Eu (e o Kelvin, se ele quiser)

Catarina Pereira conta-nos das vantagens que é ter em Marcano um rapaz com cara de bom vizinho e promete casa, comida e roupa lavada ao regressado Kelvin. De resto, saúda o fim do blackout aos golos de Óliver, mas mostra-se entristecida com o início do blackout de passes a rasgar do espanhol

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG/Getty

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Casillas

Deu nas vistas logo aos 4 minutos, com uma boa defesa a remate de Francisco Geraldes, após um mau corte de Danilo (perdão, após um momento introspetivo do senhor comendador, que não se refletiu num desempenho à altura das suas capacidades, mas que obviamente não coloca em causa toda a nossa admiração por tamanha personalidade). No resto do jogo, voltou ao seu habitual papel de espectador, pensando nas coisas boas da vida, como o seu filho bebé e os empates dos rivais, não necessariamente por esta ordem.

Maxi Pereira

Aos 37 minutos, após um grande passe de Herrera (pausa para desfrutar do momento), sofreu uma falta dura de Dramé, que viu o justo cartão amarelo. Passou o resto do tempo a fazer lançamentos laterais longos para a área, que, apesar de perigosos, acabam por não dar golo. Maxi interroga-se - e eu também, já agora - porque é que os dois senhores altos que controlam tudo na defesa estão interditos de subir nestes lances. Podiam ajudar, sei lá. No mínimo, exige-se um desenho do treinador que o explique.

Felipe

Ouviu uma ovação do público quando, aos 34 minutos, efetuou não só um grande corte, como embateu depois com violência num jogador do Moreirense, tendo ambos ficado a coxear. O público do Dragão achou que devia retribuir tamanha demonstração de raça e de vontade de lutar por todos os lances ao milímetro - do campo ou do tendão do adversário. No FC Porto de outros tempos, chamávamos a este lance "um domingo qualquer".

Marcano

Foi ele que acorreu à bola após o livre de Alex Telles, defendido pelo guarda-redes do Moreirense quase para a linha de canto, que antecedeu o golo de Óliver. Talvez por isso, a equipa adversária não se assustou muito e Marcano tirou partido da sua cara de bom vizinho, do tipo que tem sempre cabos de bateria no carro, pronto a dar uma mão ao próximo. Também talvez por isso, ninguém do Moreirense se tenha aproximado dele no canto do 3-0, convencidos que Marcano só estava ali para ajudar.

Alex Telles

Tentou um canto direto, tentou livres diretos, tentou não sei quantos cruzamentos diretos, mas ainda assim não entrou na ficha de jogo. Também ninguém entrou por aquele lado e Alex Telles não fez nenhuma assistência para um golo adversário, como Coates, o que deve querer dizer que não está em negociações com o Benfica.

Danilo

Temi o pior quando, logo no início do jogo, o guarda-redes do Moreirense ficou caído no chão uns minutos após ter chocado contra Danilo. Não por começar cedo a habitual técnica das equipas pequenas e do atual primeiro classificado de perder tempo no Estádio do Dragão, mas porque normalmente quando as pessoas vão contra o Danilo as coisas correm mal para nós. No final da primeira parte, foi agarrado por Francisco Geraldes quando ia lançado para o contra-ataque para acabar com a fome no mundo. A boa notícia é que o jogador do Sporting foi para o balneário mais cedo, a má é que não estava lá Bruno de Carvalho para gritar com ele.

Herrera

Fez um dos melhores jogos esta época, com a velocidade e técnica com que raramente nos premeia. No entanto, logo aos 12 minutos, o árbitro marcou-lhe falta por cortar a bola contra um adversário e esta sair pela linha, o que infelizmente não aconteceu num célebre jogo contra um rival. Por falar nisso, aproveito para salientar que saiu esta semana um relatório da UEFA que demonstra que esse rival tem a segunda maior dívida da Europa, logo a seguir à dívida que Herrera tem para comigo após esse lance.

Óliver

Anunciou um blackout de passes a rasgar, mas informou rapidamente as redações que o blackout a golos estava terminado. Quero o Óliver que comanda a equipa de volta, mas se finalmente vencer a timidez e perceber que aquele gesto mundano de enfiar a bola na baliza não o diminui nada, o mundo vai ser um local ainda mais bonito.

Corona

Fez aquilo que lhe compete: uns quantos bons passes, algumas boas decisões e nenhuma grande asneira. Ainda assim, os astros decidiram castigá-lo, aos 50 minutos, com uma falta dura que o obrigou a ser assistido e a ouvir a grande ovação que os portistas dedicaram ao suplente que foi aquecer caso a sua lesão fosse impeditiva de voltar ao jogo. Mais tarde, foi mesmo esse o suplente que entrou para Corona sair, aos 69 minutos, ouvindo um aplauso que o mexicano, por muito que faça, provavelmente nunca irá ouvir. Mas, Corona, não fiques triste, não estamos todos doidos. Aconselho-te a ires ao museu para perceberes bem o que aconteceu.

Diogo Jota

Apesar da falta de golos, correu muito, lutou ainda mais e tratou de criar oportunidades para os colegas marcarem. Atenção: isto parece um elogio, mas não é. A última vez que esta frase se formulou na minha cabeça era Hélder Postiga uma jovem promessa do FCPorto, pelo que proponho uma intervenção urgente.

André Silva

Teve novamente várias oportunidades para marcar, mas desta vez lá acertou na baliza. Foi aos 42 minutos, num lance de contra-ataque muito bem conduzido por Diogo Jota, em que Corona tentou primeiro e a bola acabou por sobrar para André Silva. O jovem avançado marcou de cabeça e festejou com um sinal que não faço ideia o que significa e que temo que seja qualquer coisa evidente para pessoas com menos de 25 anos.

André André

Entrou com vontade de mexer com a equipa, tendo rematado um pouco por cima, aos 74 minutos, e tendo protagonizado uma boa jogada com Kelvin, aos 83. Neste caso, a bola perdeu-se porque André André não decidiu rematar quando teve oportunidade para isso, preferindo continuar a tabela com o colega. Como rapaz bem educado que é, deve ter prometido ao pai que, em caso de Kelvin, lhe passará sempre, sempre a bola.

Kelvin

A bola sobra para Liedson, que passa para Kelvin, que parece desenquadrado com a baliza e ainda por cima tem um jovem promissor à frente de seu nome Roderick... Kelvin recebe com o pé direito, a bola sobe, sobe demais, parece que não sabe controlá-la, que estupidez, mas Kelvin remata com o pé esquerdo e ela vai, vai, vai e ainda consegue entrar e é GOOOOOOOLLLLLLLLLOOOOOOOO!!!!!!!! (É incrível como o tempo passa e a emoção com que eu escrevo isto não diminui. Obrigada por tudo, Kelvin. Por mim, podes nunca fazer mais nada na vida. Se precisares de casa, comida, roupa lavada, qualquer coisa, é só dizeres. Estarei sempre aqui para ti <3 )

Rui Pedro

Entrou para ver o FC Porto confirmar a aproximação ao primeiro lugar num fim de semana em que provavelmente nenhum portista (e não só...) o esperava. #ACulpaÉDoBoavista

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