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Lá Em Casa Mando Eu

Joelhos dobrados, piruetas e ginástica moderna: Lá Em Casa Mando Eu foi ler as regras e viu o golo legal de Felipe

Um por um, todos os jogadores do FC Porto vistos à lupa de quem entende que o futebol pode ser misturado com política - e aqui se fala de Trump

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

Paolo Bruno/Getty

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Casillas

Estou numa altura da vida em que percebi que ter um filho é basicamente ter imenso trabalho - dar-lhe de comer, pô-lo a dormir, brincar com ele, etc - para depois, num breve segundo, ele sorrir, dizer "mamã" e tudo valer a pena. Ora, também estou numa altura da vida em que percebi que ter Casillas na baliza é basicamente o contrário disto - uma enorme figura do futebol mundial, que impõe respeito aos adversários e torna a nossa baliza mais pequena aos seus olhos, etc - para depois, num breve segundo, ele sorrir, ir tentar safar um cruzamento à beira do poste e entregar a bola ao adversário para ele marcar. "Merda", disse eu, espero que ainda valha a pena. E valeu, vá lá.

Layún

Andei a semana toda a ouvir umas bocas cá em casa de que esta semana tínhamos um amigável, porque o Rio Ave ia facilitar o jogo, porque tem jogadores nossos, tem um ex-treinador nosso, enfim, coisas que eu nunca diria se acontecesse ao contrário (até porque está provado cientificamente que todas as equipas pequenas facilitam contra o Benfica, nem precisam de ter jogadores lá). A ajudar estas acusações infundadas, o facto de Maxi Pereira não jogar hoje. É que, em princípio, tirar Maxi da equipa só pode querer dizer que estamos a ser amigáveis com o adversário. Mas não, o homem está lesionado (estou farta de alertar que, desde que chegou ao Porto, Maxi é uma vítima dos jogadores demasiado aguerridos e a prova está aqui). Bem, quanto a Layún, isto dos jogos às quatro da tarde é muito bonito para se encher o estádio, mas convinha terem avisado o rapaz, que chegou atrasado no carrinho a Cássio que lhe deu o amarelo e no pontapé a Gil Dias que nos deu um ataque cardíaco.

Felipe

Marcou o primeiro golo da partida, aos 18 minutos, de cabeça, após um livre marcado por Alex Telles. Vai haver por aí muita gente a dizer que o rapaz estava fora-de-jogo, mas, como não sou doente como essas pessoas que só veem o que querem, sem estarem objetivamente fundamentadas, fui ler as regras e fiquem a saber que o que ele fez é perfeitamente legal, porque, apesar de ter dobrado um pouco os joelhos ao fazer a pirueta no ar nos festejos do golo, a ginástica moderna já permite este tipo de abordagem ao lance e lamento imenso se vocês não estão, ou não querem estar, devidamente actualizados.

Marcano

Começou por evitar olhar para Casillas após a asneira no golo do Rio Ave, tentando manter a cunha para ainda conseguir ir à seleção espanhola. No entanto, viu-se que ainda lhe falta alguma coisa para outros voos, já que imitou na perfeição o golo de Felipe, mas cortou-se depois à pirueta. Menino.

Alex Telles

Quando chegou cá, tirou a titularidade a Layún. Com o passar do tempo, tirou-lhe as bolas paradas. Hoje, tirou-me as piadas sobre os balões para a área, com três assistências para golo. O árbitro deu-lhe cartão amarelo a seguir e no relatório dirá que foi por protestos, mas obviamente que foi por ser demasiado espectacular.

Danilo

Vou começar pelas notas negativas da sua exibição: não conseguiu marcar Casillas no primeiro golo do Rio Ave, nem Layún no segundo. Quanto ao resto, um dia normal para o senhor comendador: cortou uma bola no ar de calcanhar, travou contra-ataques, lançou a equipa para a frente e, aos 62 minutos, consumou a reviravolta com um golo de cabeça. Nada de mais.

Herrera

Estão a acontecer coisas estranhas esta semana: nevou no Algarve, o André Almeida marcou um golo e o público do Dragão demorou uma parte inteira a assobiar um passe errado do Herrera. Em sua defesa, Herrera é como Jorge Jesus: não abandona um projecto a meio. Daí ter ajudado a virar os assobios para aplausos no fim. E nós cá continuaremos a viver esta montanha russa de emoções de tanto lhe agradecer as transições bem feitas, como querer matá-lo no momento seguinte.

Óliver

Visivelmente combalido em termos políticos, com a tomada de posse de Trump, e em termos artísticos, pelos resultados futebolísticos recentes de Pep Guardiola, Óliver desceu um pouco o seu nível, ficando apenas por um futebol moderadamente brilhante, que muitas vezes não é compreendido pelos seus colegas. O passe genial que Corona não segura é o melhor exemplo disso. Importa, contudo, recuperar o sorriso do nosso menino. Explicar-lhe que Trump é mau, mas que já estivemos a sete pontos do primeiro. Que nem Guardiola consegue explicar o seu futebol aos jogadores do City, portanto é natural que nem todos percebam o seu.

Corona

Fez uma boa primeira parte, com fintas, passes e a procurar a ligação aos colegas. Depois, um anónimo cidadão proveniente de Vila do Conde simulou um passe e o nosso internacional mexicano lesionou-se sozinho, deixando-nos todos a fazer contas em relação ao grupo da Argélia na CAN e a ver ligações directas Libreville-Porto na net.

Diogo Jota

Esteve muito perto de marcar, com uma bola na trave, logo aos 22 minutos. Protagonizou, com Corona, os melhores lances de ataque da primeira parte. Mas depois desapareceu com a leviandade da criança que sai do jogo de recreio para ir beber água ou que decide que, afinal, não quer jogar à bola e prefere brincar às escondidas. O que é uma pena, porque, quando se concentra, tem uma qualidade de jogo fenomenal, com fintas, remates e aqueles pequenos toques de craque, que com meio toque de bola desviam a defesa inteira ou preparam imediatamente a jogada seguinte. Portanto, querido Jota, deixa lá de ir às vezes brincar para trás do pavilhão e mantém-te connosco.

André Silva

Passou de falhar várias oportunidades de golo por jogo a não criar oportunidades de golo no jogo. Dada a veia goleadora dos elementos mais defensivos da nossa equipa, penso que, até André Silva salvar três golos na nossa linha de golo, é um ponta-de-lança em dívida.

André André

Entrou numa fase ingrata do jogo, quando a equipa passou a estar em desvantagem e eu comecei a escrever insultos à estratégia de nos deixar sem extremos. Tornou-se então uma importante peça para equilibrar o meio-campo, a equipa deu a volta e eu apaguei umas centenas de caracteres. Felizmente, entre mim e Nuno Espírito Santo, ambos desenhamos mal, mas só um de nós chegou a treinador do FCPorto.

Rui Pedro

Entrou com o resultado em 2-2 e, após os dois primeiros golos terem sido marcados pelos centrais, foi a vez do médio defensivo levar a mal a demonstração de falta de confiança do treinador nos elementos da defesa. Gosto da ideia de colocar mais avançados para baralhar os adversários com as marcações e deixar os nossos matadores livres para cabecear. E gostei do quarto golo, da sua autoria.

João Carlos Teixeira

Entrou para tirar o protagonismo a Alex Telles, ao fazer a última assistência para o golo de Rui Pedro. Assim, ficamos provisoriamente a um ponto do primeiro lugar e João Carlos Teixeira fica provisoriamente com um lugar no plantel.