Tribuna Expresso

Perfil

Lá Em Casa Mando Eu

Lá em Casa Mando Eu investe Marcano como empregado (ou colaborador) do mês da Padaria Portuguesa

É que o espanhol limpa tudo e não se queixa. Catarina Pereira, que procura um qualquer objeto de culto para iniciar a Igreja de Danilo, prevê ainda grande polémica depois daquele belíssimo golo de Casillas com a mão aos 93 minutos

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG/Getty

Partilhar

Casillas

Antes de entrar em campo, disseram-lhe que na outra baliza ia estar um campeão europeu. Sempre simpático, Casillas sorriu ligeiramente e perguntou: "Ai sim? Que fofo. Quantas vezes?" Ainda tocou na bola no remate de Alan Ruiz que reduziu a diferença, mas guardou-se para o minuto 93, quando marcou o golo mais belo da partida. Com a mão. Temos polémica para a semana toda.

Maxi Pereira

Imaginava-se uma noite difícil para um lateral já com uma certa idade que tinha pela frente adversários com cláusulas de rescisões mais altas do que o tempo que Maxi demora a recuperar quando vai ao ataque e perde a bola. Aos 29 minutos, fez um dos maiores disparates do jogo: sacou um cartão amarelo a Zeegelaar, diminuindo a hipótese de este ficar em campo durante toda a partida.

Felipe

Podemos apontar muitos defeitos à equipa de Nuno, mas uma coisa é certa: voltámos a ter uma dupla de centrais a sério. A noite era supostamente de desafio, com o melhor marcador do campeonato pela frente, mas Felipe acabou por ter de arranjar outras distrações, como picar-se com Alan Ruiz sobre a eterna dúvida: carne brasileira ou argentina - qual delas a melhor?

Marcano

Sofre do síndrome de empregado do mês. Limpa tudo o que os incompetentes que não cobrem o meio-campo fazem, dobra laterais enquanto se pergunta onde eles estão e só vê o trabalho a acumular, sem qualquer aumento. Seria um excepcional colaborador da Padaria Portuguesa, um daqueles que deseja ardentemente fazer horas-extra e não pode devido ao malvado do Estado. A meritocracia não existe, Marcano, mas tu és fundamental, acredita. Agora vai trabalhar.

Alex Telles

Não fez nenhuma assistência para golo. Uma vergonha de jogo.

Danilo

Em Nápoles existem igrejas de devoção a Maradona (o meu telemóvel fez auto-correct para Marafona, achei importante contar-vos isto), em que pessoas rezam a um cabelo de D10S. Depois daquela assistência para o segundo golo, e dado que o senhor comendador não acha necessário ter cabelo, fiquei a pensar a que objecto de culto vamos nós rezar. Aceitam-se sugestões.

Óliver

Teve como tarefa ajudar nas missões mais defensivas, o que é o correspondente a pedir a Picasso que nos pinte a parede toda de casca-de-ovo. Esteve com evidentes dificuldades em sair a jogar e em perceber que raio de cor é essa.

Corona

Sonho com a possibilidade do FC Porto adaptar regras de andebol, e não estou a falar dos golos do Sporting na primeira volta. Corona, que a atacar é quase sempre perigoso, como se prova pela assistência no primeiro golo, devia poder sair a qualquer altura para entrar um extremo que defendesse. O problema é que imagino Corona colado à linha, mas sem deixar o seu suplente entrar, aguardando se a equipa, com um a menos do seu lado, conseguia recuperar a bola e dar-lhe para o contra-ataque.

Brahimi

Uma pessoa desconfia que o jogo não lhe vai correr grande coisa quando começa a ser fintada pelo Schelotto logo nos primeiros segundos de jogo. Acabou por ter uma intervenção no segundo golo, ao pressionar Palhinha e ganhar a bola para Danilo fazer o que lhe apetecesse. Saiu aos 70 minutos, quando não havia mais nada a fazer a não ser aguentar a exibição miserável da segunda parte.

Soares

Que atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou por um ponta-de-lança brasileiro que pode nunca vir a ser um Falcao ou um Jackson mas que marca dois golos que resolvem um dos jogos mais importantes da época. Portistas, se isto não foi sorte de principiante, chamo a atenção para o seguinte: podemos vir a ter o melhor goleador com um penacho na cabeça desde o Pena.

André Silva

Teve como tarefa principal parecer que o FC Porto ia atacar muito com dois avançados e cumpriu-a com brilhantismo durante o aquecimento. Esteve exímio na arte de afastar-se de Soares para este resolver o jogo e saiu aos 64 minutos, quando era preciso parecer que estávamos interessados em ganhar o meio-campo.

André André

65 minutos depois do início da partida e 20 minutos depois de termos deixado de jogar, Nuno Espírito Santo restabeleceu a normalidade no meio-campo do FC Porto. André André tentou ganhar mais bolas e ainda criou perigo com um remate, numa altura em que Soares pedia penálti, mas a história do 2-1 estava escrita desde hoje de manhã (é só confirmarem AQUI).

Diogo Jota e João Carlos Teixeira

Duas excelentes maneiras de queimar tempo. Digo isto com todo o amor, juro, que eu não sou de guardar ressentimentos por hoje ir dormir no primeiro lugar.