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Lá Em Casa Mando Eu

A Catarina do Lá em Casa Mando Eu propõe a titularidade vitalícia para Eder e que Eliseu volte a jogar (só para chatear a cara-metade)

Lançámos um desafio a Catarina Pereira: o onze de Portugal para a Hungria. E nele cabem nomes como Bruno Varela (perceba porquê), João Pinto (perceba porque não) e o inevitável senhor Comendador

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

Michael Regan

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Bruno Varela

A escolha de Fernando Santos para a baliza só vai surpreender os mais desatentos. O guarda-redes do Vitória de Setúbal é o homem que faltava para atacarmos o Mundial com a mesma receita de sucesso do Europeu. Com Bruno Varela, imaginem a quantidade de empates que podemos segurar enquanto ele cai no chão, rebola, pede assistência, discute com os adversários, pede desculpa ao árbitro, bebe um café, vê uma série, põe a roupa a secar, escreve num blog de lifestyle e finalmente se decide a retomar o jogo. Quanto a Rui Patrício, é bom que descanse para o dérbi, que eu estou a contar com ele.

João Pinto

Uma pessoa às vezes esquece-se, sai de casa e tal, vai tomar uns copos com os amigos numa de convívio e, de repente, lá alguém diz: "Epa, porra. Portugal é campeão da Europa!". E dá-se aquele silêncio, uma mistura de ainda incredulidade com uma satisfação que ainda não aprendemos a controlar. E fechamos os olhos e vemos o Éder a rematar e pronto, acabou-se. Não vos acontece? Sentir que faltou ali qualquer coisa? Proponho então formarmos uma nova memória: João Pinto, o eterno capitão azul e branco, a segurar a taça, não a emprestando a ninguém. Em Paris, no avião, no autocarro, nas ruas de Lisboa (tendo Fernando Santos conseguido convencê-lo que Lisboa faz parte do seu país). A taça foi dele e nós estamos todos bem com isso. Agora, contra a Hungria, o ainda capitão da seleção conseguiu convencer Fernando Santos a optar pelo equipamento alternativo: umas riscas azuis e brancas, uma coisa simples, que unirá finalmente todos os portugueses com bom gosto.

Pepe

Não tenho acompanhado a época de Pepe no Real Madrid, mas, dada a ausência de lesões semanais com fracturas expostas de todos os avançados de La Liga, podemos afirmar que o medicamento que Pepe tomou antes do Europeu é eficaz, seguro e que pode estar ali o segredo para a paz mundial. O ensaio clínico continuará a decorrer no Estádio da Luz e Pepe tornar-se-á o segundo jogador português mítico para a Medicina, logo a seguir a Carlos Saleiro, o primeiro bebé-proveta nacional e o enésimo ponta de lança português que afinal não era assim tão bom.

Bruno Alves

Sou da opinião de que uma pessoa deve ter sempre um Bruno Alves à mão. Por exemplo, estamos no supermercado e alguém nos passa à frente na fila. Se o Bruno Alves estiver connosco, tenho a certeza que esse chico-esperto nos vai rapidamente pedir desculpa e até oferecer-se para nos pagar as compras. Agora imaginem que estamos na auto-estrada, a ultrapassar outro veículo, e que atrás vem um daqueles senhores cheios de pressa, sempre a dar sinais de luzes e a aproximar-se perigosamente. Se o Bruno Alves estiver connosco, aposto que esse condutor se vai retratar de imediato e atirar-nos a chave do seu carro, desistindo para sempre da arte de conduzir. O que eu quero dizer com isto, caso ainda não tenham percebido, é que o Bruno Alves, desde que saiu do FC Porto, às vezes é um bocadinho agressivo.

Eliseu

Como sabem, tenho um marido que é adepto do Benfica. E, por isso, cá em casa gostamos de ver a seleção em conjunto, abraçados no sofá, recordando-nos como somos capazes de nos unir por algo tão belo como uma equipa que não olha a cores nas camisolas. Que este jogo seja mais um momento de puro prazer pelo futebol, sem fanatismos, sem rivalidades, sem discussões. Que Eliseu volte a ser, aos meus olhos, mais um excelente representante do meu país e não aquele rival que puxa a piada fácil sobre a sua compleição física. AH! AH! AH! Estou a brincar. Que estupidez! Eu quero que o Eliseu jogue para gozar o meu marido.

Danilo

Percebo que, tendo clicado neste texto, tenham algum interesse em discutir e analisar as opções técnicas de Fernando Santos e acho até bastante saudável que consigam passar a sexta-feira a pensar no meio-campo da Hungria em vez de estarem a trabalhar. Sem julgamentos, juro. Mas, sinceramente, estaria a perder o meu tempo a explicar-vos por que considero que o senhor comendador Danilo Pereira deve ser sempre titular, seja no FC Porto, seja na seleção, seja nas Nações Unidas. Já passámos essa fase, certo?

(P.S. William Carvalho nem sequer irá ser visto no banco, uma vez que ficará no balneário a festejar a vitória no Euro, da qual se apercebeu hoje)

João Moutinho

Dizem que não devemos voltar aos locais onde já fomos felizes, mas Moutinho tem todo o direito a visitar o estádio onde venceu o seu primeiro título de campeão nacional. Joga neste momento numa das equipas mais espectaculares da Europa e a passagem para a seleção que vê uma vitória em cada igualdade poderá ser confusa, mas acredito na sua maturidade para gerir tamanha mudança. Desejo-lhe tudo de bom na vida e só espero que alguma da sua magia se aguente no relvado da Luz até ao próximo jogo do campeonato.

Pizzi

Ninguém merece mais a titularidade do que Pizzi. Espero sinceramente que jogue os 90 minutos (mais 10 de descontos, devido às paragens de Bruno Varela), que corra muito, que se esforce como nunca, que sinta que fez a exibição de uma vida, que o faça sentir completo durante mais uma semana e pouco, como se não precisasse de voltar a jogar bem, ou voltar a jogar de todo, até ao dia 2 de abril. Sinto até que a entrega vai ser tanta que é capaz de ver aquele cartão amarelo que lhe escapa há tanto tempo. Força Pizzi, estou contigo, vai-te a eles e não te preocupes com o que aí vem, porque o importante é viver o momento!

Ricardo Quaresma

Indo directamente à questão que se coloca neste momento nas vossas mentes: a ausência de Cristiano Ronaldo do onze explica-se pelo último treino realizado pelo avançado do Real Madrid, durante o qual teve o azar de tentar passar por João Pinto.

André Silva

Bem sei que continuam aqui a ler isto porque estão muito interessados numa análise intelectual e bem fundamentada da seleção nacional, mas permitam-me um pequeno aparte de preocupação e alerta quanto ao meu avançado. Desejo sinceramente que este jogo contra a Hungria possa dar-lhe tudo o que precisa neste momento: golos, sorte, penáltis assinalados a seu favor e distância emocional e física de Soares. Não deve ser fácil, em tão tenra idade, perceber que a melhor fase da nossa equipa se justifica com a contratação de alguém que faz o seu trabalho de forma mais eficaz. Mas André, não te preocupes: aproveita esta oportunidade para largares esse peso e voltares para nós mais confiante, menos ingénuo, mais matador, menos Depoitre.

Éder

Porque mesmo quando escrevemos um texto a brincar nos devemos curvar perante o homem que marcou o golo mais importante da história da selecção portuguesa (ia escrever do futebol português, que burrice, mas esse é o do Kelvin!). Éder é o único português que, ao contrário do sugerido pelo Djisselbloem, não irá gastar dinheiro em copos e mulheres, porque qualquer cidadão deste nosso país lhe oferecerá eternamente todo o vinho que tiver, além da mulher, sogra, filhas e primas distantes. Titular hoje, amanhã e sempre. Viva o Éder!