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Lá Em Casa Mando Eu

O Lá em Casa Mando Eu imaginou Felipe a escrever no quadro como Bart Simpson: “Para a próxima acerto a sério naquele Jonas”

Catarina Pereira, a metade portista do Lá em Casa Mando Eu, comparou Neo, protagonista da saga “Matrix”, a Maxi, com a diferença de que o uruguaio viu a realidade com o comprimido azul. E não esquece que viu Corona perder para Eliseu em velocidade, “um lance que deverá ir parar àquele resumo do ano da Eurosport com cenas muito cómicas”

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG

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Casillas

O Benfica optou por apertar o controlo na entrada para o estádio e obrigar todos os que quisessem assistir ao jogo a apresentar o cartão de cidadão. O objetivo era claro: apanhar um certo espanhol que o ano passado fez uma exibição de sonho e impedi-lo de entrar. O que é certo é que, tal como acontece todos os anos neste estádio, muitos portistas entraram com o jogo já a decorrer e esse Casillas foi um deles, porque tenho a certeza que o do ano passado tinha esperado de pé o penálti de Jonas, tinha parado a bola com o joelho e saído a jogar com uma enorme elegância. Felizmente, o nosso guardião lá chegou ao seu sítio e segurou o empate com pelo menos duas enormes defesas.

Maxi Pereira

Foi confrontado, tal como Neo no Matrix, com a escolha entre o comprimido vermelho e o azul, mas, ao contrário do filme, é o azul que lhe mostra a realidade: que a Luz é horrível e que os adeptos do Benfica são uma miséria. Libertado da escravatura da matriz vermelha, Neo Pereira percebeu que aquilo do glorioso é uma mentira, uma coisa maquinada por uma raça que não é bem-vinda entre os humanos, e juntou-se à rebelião que quer enfrentar este vírus que põe as pessoas a bater palmas a um milhafre a voar. Cumpriu o meu sonho de marcar na Luz e espero que este seja o golo que nos dê o campeonato.

Felipe

Imagino-o agora como o Bart, no início do genérico dos Simpsons, a escrever no quadro: "Para a próxima acerto a sério naquele Jonas. Para a próxima acerto a sério naquele Jonas. Para a próxima acerto a sério naquele Jonas. Para a próxima acerto a sério naquele Jonas. Para a próxima acerto a sério naquele Jonas."

Marcano

Já tenho de me esforçar para me lembrar daquele Marcano tímido, calmo, com ar de quem preferia estar num clube de leitura. Agora só vejo esforço, raça e vontade de ganhar. Para completar a sua surpreendente transformação, só lhe falta aderir à claque da seleção.

Alex Telles

Foi confundido com um modelo e deu vários autógrafos a adeptos do Benfica, impressionados com o facto de ser um lateral esquerdo tão magro. Foi-lhe oferecida comida e pode ser a cara do próximo vídeo da Fundação Benfica, com o lema "Todos os laterais-esquerdos merecem vestir o XXXL, ser mais lentos do que o William Carvalho e devem poder comer quatro Bolas de Berlim depois do jogo, independentemente de se chamarem Eliseu ou não".

Danilo

Visivelmente desiludido com a solução encontrada para a venda do Novo Banco, o senhor comendador entrou em campo disposto a compensar os contribuintes. Na primeira parte, começou por beneficiar os que descontam para vouchers, abrindo muito espaço à frente da defesa, mas lá se virou para os que apoiam por conta de outrem e fez o passe que isolou Tiquinho, mas o brasileiro não aproveitou.

André André

Tinha como tarefa ser o homem a mais para secar Pizzi, sem a pressão desumana de lhe sacar um amarelo (é provável que o quinto amarelo surja na meia-final do Torneio Guadiana 2023/24, impedindo Pizzi de jogar o decisivo jogo contra aquela equipa de amadores suíços que eles enfrentam todas as pré-épocas). Deu tudo o que pôde e a única pessoa mais cansada do que ele no fim do jogo deve ter sido Carlos Xistra, porque, parecendo que não, o ato de tirar o cartão do bolso sempre que um jogador vestido de azul e branco fazia uma falta é bastante cansativo.

Óliver

Fico sempre triste ao vê-lo mais vezes a lutar por chegar àquela bola que devia pertencer aos seus pés, do que a pensar no que fazer a seguir com ela. É mais ou menos como usar um colar de pérolas para limpar o chão.

Corona

Fui das que defendi a sua titularidade, não só por preferir o nosso tradicional 4x3x3, mas também porque a ala esquerda do Benfica parece ser um local apetecível para muita gente, à exceção de um entregador de pizzas. Só que a verdade é que Corona não conseguiu furar por ali e vamos ter que refletir muito sobre isto, meu caro Jesus. Vi-o a pedir para sair após uma jogada em que foi batido em velocidade por Eliseu, um lance que deverá ir parar àquele resumo do ano da Eurosport com cenas muito cómicas.

Brahimi

Deu esta semana uma entrevista ao Porto Canal, de onde destaco a seguinte intervenção: "Como extremo, eu atribuo uma importância excecional à solidariedade. Mas também há obrigações a cumprir. Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e, depois, pedir ajuda". E tem toda a razão. Para quê andarem-lhe a pedir para passar a bola se tem de ser ele a fazer tudo?

Soares

Não é fácil deixar no banco o avançado que finalmente faz Cristiano Ronaldo brilhar na seleção, mas louvo a Nuno essa coragem. Infelizmente, Soares pareceu sempre muito sozinho e viu em Ederson um compatriota disposto a chegar primeiro do que ele à bola.

Diogo Jota

É novo, entrou na segunda parte e, mesmo assim, não conseguiu explorar o flanco de um Eliseu já com uma hora nas pernas, um remake moderno da fábula da lebre e da tartaruga.

André Silva

Só me convencem a torcer pela seleção no dia em que um golo contra a Hungria, por exemplo, conte também para o próximo jogo do FC Porto, sobretudo quando haja coincidência de estádio.

Otávio

Deu-se novamente aquela sensação de, a cada substituição, a equipa ficar a jogar pior. Espero agora que, a cada jornada, o Benfica siga esse exemplo.