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Lá Em Casa Mando Eu

Quatro anos de Herrera = quatro anos de zero títulos (Lá em Casa Mando Eu lamenta o final do campeonato)

O FC Porto venceu o Paços de Ferreira (4-1), na penúltima jornada da Liga 2016/17, mas Catarina Pereira não tem razões para festejar

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

JOANA SOUSA/GETTY

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Casillas

Em dois anos em Portugal, não só não ganhou nada, como viu a Espanha fazer apenas cinco pontos na Eurovisão (loseeeeeers!). Não se pode dizer que tem culpa no golo do Paços, simplesmente dá ideia que, quando cai para um lado, a sorte vai para o outro. Se renovar e continuar com este azar, pode acabar por perder as medalhas de campeão do Mundo e da Europa num passeio na Foz.

Maxi Pereira

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que não regresses, para a Segunda Circular
Eu sei que não se vai lá sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a ganhar.

Boly

De todas as pessoas que estiveram hoje no Dragão, é dos poucos a quem não podemos apontar praticamente nada pelo que se passou de mau este ano. Mesmo assim, não sei explicar esta sensação de, a seguir ao reatar das relações institucionais com o Sporting, a segunda coisa que mais receio neste momento ser Felipe sair e Boly tornar-se o nosso titular na próxima época.

Marcano

Finalmente, um jogo onde as bancadas e o ambiente atingiram a melancolia e dor interior que Marcano parece carregar todos os jogos, toda a vida.

Alex Telles

Manteve a regularidade exibicional de toda a época, revelando uma espantosa dissociação da realidade, como se fosse a única pessoa que não sabia que hoje era a feijões. Não sei se isto é um elogio.

André André

Se tivéssemos sido campeões, André André receberia elogios pela garra, pela entrega, pelo ser Porto. Exigiríamos a sua titularidade na seleção e uma condecoração de Marcelo Rebelo de Sousa que o tornasse comendador com efeitos retroativos à medalha do colega Danilo. Sendo assim, passemos à frente.

Herrera

Foi o melhor em campo, marcou um golo e fez uma assistência. Só que, desde que foi contratado, nunca mais ganhámos nada. Quatro anos de Herrera = quatro anos de zero títulos. Se Herrera já fosse nosso no golo do Kelvin, tenho hoje a certeza absoluta de que a bola ia ao poste, percorria a linha de golo e saltava para as mãos do guarda-redes do Benfica, com o júri a dar 10 pontos pelo gesto técnico de excelência. Já estou, portanto, numa fase da vida em que acredito mais em superstições do que em médios criativos, por isso há que tomar a decisão racional e deportá-lo imediatamente.

Otávio

Há uma lei que incompatibiliza a sua estadia em campo com Óliver, porque só podemos ter um médio com técnica, mas a geringonça já nos deu um Europeu e uma Eurovisão, portanto não podemos esperar que as verdadeiras reformas do Estado surjam todas de uma vez só.

Brahimi

Marcou um golo naquele que deve ter sido o seu último jogo no Dragão, com quem manteve uma relação que, se estivesse no Facebook, seria "complicada". Brahimi sairá e deixará aquele sabor agridoce das relações mal terminadas: na saída diremos que não precisamos dele, que não ajudava nada em casa, que era muito tempo a fintar pessoas sem necessidade nenhuma e que estava sempre a olhar para outras (ligas). Mas a verdade é que, em noites mais tristes, em que não há imaginação para ultrapassar um autocarro de um Arouca qualquer, vamos estar em casa a ouvir baladas, comer gelado e a espreitar as redes sociais dele.

Corona

Por muita qualidade que tenha, tem uma tatuagem com uns lábios no pescoço, o género de gesto de rebeldia que se compreende num adolescente não muito esperto, num concorrente de reality show, ou num extremo que seja pelo menos seis vezes bola de ouro. Peço desculpa por falar neste tom sobre um jogador que saiu lesionado, mas hoje estou especialmente intolerante (o ataque informático que orquestrei não deitou abaixo a televisão e a internet em Portugal durante um mês, como previsto), pelo que Corona devia ser obrigado a retirar aquilo e levar um par de estalos para ver se acorda e aproveita o talento que tem, antes de estar no Krasnodar aos 35 anos, a dar entrevistas a explicar como as coisas correram mal.

Soares

Chegou como um brasileiro que parecia uma personagem do Pantanal que era capaz de matar onças com as mãos e que defendia a fazenda de catana, esquartejando os maus sem piedade. Agora parece o tipo de pessoa que se emociona facilmente com a Anatomia de Grey e que quer cantar o "Amar pelos Dois" com os centrais adversários.

Diogo Jota

Entrou ao intervalo e, ao primeiro toque na bola, marcou o 3-1. Serviu ainda para sofrer o segundo penálti assinalado a favor do FC Porto neste jogo. Temo que, na última jornada, sejam assinalados os restantes 28 penáltis que nos foram roubados, para não podermos ter razões de queixa deste campeonato.

Danilo

Recuperou da lesão, mas não pôde jogar de início porque teve de ir resolver o problema do ataque informático à escala mundial ao mesmo tempo que escreveu poemas para o Salvador Sobral ganhar dez Grammy ainda este ano. Um dia como outro qualquer.

André Silva

Dado que não consegui desligar-me a 100% do mundo, tive a infelicidade de saber que Eliseu andou ontem de scooter nos festejos. Admito o meu espanto, porque mostra que Eliseu é inteligente. Devem-lhe ter gritado várias vezes: "Só apanhas esse extremo de mota, Eliseu!" e o açoriano então levou uma mota para a Luz. Brilhante. Serve esta introdução para sugerir a André Silva que comece a pensar em objectos que o ajudem a marcar golos além dos penáltis a nosso favor para os quais ele estava preparadíssimo. Sugestões: uns óculos; um livro de auto-ajuda; um esquema gráfico que lhe explique a lei do fora-de-jogo; uma faca para fazer um corte na cara, ganhar uma cicatriz e deixar de ter aquele ar de menino que não mete medo a central nenhum; o guia de Paris, ou Londres, ou outra cidade qualquer para onde vá jogar pelo preço especial de 30 milhões de euros.

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