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Os patins de Nelson, a nota de Eliseu e as prestazioni de André Silva – por Lá Em Casa Mando Eu

Catarina Pereira viu assim o jogo que a seleção nacional venceu diante a Nova Zelândia

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

CARL RECINE / Reuters

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Rui Patrício
Marcou bastante bem todos os pontapés de baliza, mostrando um jogo de pés de quem já treinou a dança para o casamento de Bruno de Carvalho (que incluirá vários passos sobre a história do Sporting, mas sem nada a ver – e muito melhor! – com o musical do Pedro Madeira Rodrigues).

Nélson Semedo
Aos cinco minutos, deixou um rapaz da Nova Zelândia – que ainda não percebeu a diferença entre um golo e um ensaio – rematar para defesa fácil de Rui Patrício. Pensei de imediato que ia imitar a equipa de hóquei em patins do Benfica e abandonar o torneio porque alguém lhe quis ganhar. Surpreendentemente, ficou em campo até ao fim.

Pepe
Levou um amarelo que o tira das meias-finais. Lembrar que Portugal defrontava a Nova Zelândia, em futebol. Já vi pedidos de reforma menos óbvios.

Bruno Alves
Aproveitou este jogo para tirar várias dúvidas com os neo-zelandeses sobre aquilo que é considerado ou não legal numa placagem, tirando apontamentos que lhe teriam sido úteis durante toda a carreira. Mesmo na sua idade, o saber não ocupa lugar.

Eliseu
Inacreditável que, depois de o termos visto fazer uma assistência após um sprint, não tenha sido pedido o vídeo-árbitro. Tem que ter havido ali marosca! (Na verdade, pensando bem, o vídeo-árbitro sabia que Eliseu, como jogador do Benfica, podia depois baixar-lhe a nota, daí o silêncio)

Danilo
E eis que, ao terceiro jogo da Taça das Confederações, Fernando Santos deixou de brincar aos onze titulares e passou a enfrentar os adversários finalmente com o melhor que tem. Conquistou um penálti aos 31 minutos, não tendo havido necessidade de recorrer ao vídeo-árbitro porque, como é óbvio, o comendador não mente.

João Moutinho
Substituiu bem André Gomes (que tem mantido um nível exibicional que, de zero a Danilo, tem andado ali pelo Renato Sanches) e voltou a cumprir com uma eficácia que lembra um funcionário das finanças que nos diz concretamente qual é o impresso a preencher e que nos facilita a vida (uma raridade, portanto).

Quaresma
Pertence a uma geração de futebolistas que já se retiraram ou que estão em clubes onde o nível de amadorismo já não conta como carreira (Bosingwa, Raúl Meireles, Bruno Alves) e hoje pareceu estar bastante introspectivo e afectado por isso. Ou então estava a pensar num penteado novo e amanhã temos assunto para o Verão inteiro.

Bernardo Silva
É tão benfiquista que não aguentou a ansiedade e fingiu sair lesionado após marcar um golo só para poder ir para o balneário ler a notícia do Expresso (que Danilo tinha comprado) sobre os e-mails, preocupado com o futuro do clube.

Cristiano Ronaldo
Foi substituído aos 66 minutos, depois de ter marcado um golo de penálti e falhado algumas oportunidades, o que fez com que aquele miúdo do anúncio que quer ser como ele sinta que está perto de ter uma oportunidade.

André Silva
Pegou na bola, partiu para cima dos defesas, escolheu um lado, acelerou e marcou um golaço. Dirigenti del Milan: andiammo! Pagari la primera prestazioni!

Pizzi
Mais um jogo em que não levou cartão amarelo, demonstrando que os tentáculos do polvo são internacionais.

Nani
Marcou o 0-4 sem qualquer emoção, dado que todos os jogos da sua carreira são uma chatice até 2036, quando, no jogo de comemoração dos 20 anos do Europeu, vai ser dos mais divertidos em campo, já com uma barriga imensa e dono de um restaurante em Vilamoura.

Gelson Martins
Joga com uma determinação incrível, sempre a ver se é vendido. É como se estivesse constantemente no Hunger Games, ou seja, no Sporting.