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Lá Em Casa Mando Eu

A garagem de Imbula, o preconceito com Walter (olá, Gentil Martins) e o Kralj que deu nome a uma página de humor - por Lá Em Casa Mando Eu

Pedimos a Catarina Pereira que se recordasse das piores contratações do FC Porto e ela deu-nos uma pequena lista que poderão ler aqui em baixo

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

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Imbula

Admitam: há uma fase na vida de todos nós em que sonhamos ter um Ferrari. Felizmente, para a maior parte das pessoas, esse sonho surge na infância e desfaz-se algures entre deixarmos de acreditar em fadas e monstros debaixo da cama. Para outros, começa na adolescência, quando ouvimos música má e achamos que sabemos tudo sobre a vida. E depois há os pobres coitados que deixam este sonho para a idade adulta, quando já não há desculpa para as ilusões e para a importância desmedida que se dá a um carro que é só mais potente e bonito do que os outros. Infelizmente, o FC Porto deixou esse sonho para 2015/2016, quando já não havia desculpa para as ilusões de Lopetegui e para a importância desmedida que se dava a um jogador que era menos potente e bonito do que os outros. Vá lá que aprendemos com o erro e agora não contratamos ninguém, nem para ficar na garagem, nem para salvar o plantel.

Argel

Reza a lenda que, insatisfeito com a situação no FCPorto, o central brasileiro entrou no edifício da SAD portista e partiu uns computadores a murro e pontapé. Nunca soube se a história é verdade (nem isso é importante, desde que todos acreditemos que seria possível), mas, aqui que ninguém nos ouve, confesso que parte de mim hoje adoraria que certos jogadores, insatisfeitos com a situação no FCPorto, fossem capazes de o fazer (olá Aboubakar, tudo bem?). Mas voltemos a Argel: central, bruto, não muito inteligente, não muito rápido, não suficientemente forte, não suficientemente alto e com evidentes dificuldades em viver em sociedade. Curiosamente, ainda passou pelo Benfica, naqueles tempos áureos em que os benfiquistas achavam que se iam vingar das nossas transferências tipo Deco comprando o Argel e o João Manuel Pinto (AHAHAH deixaram-nos devastados!). E, também curiosamente, continuo a ler notícias de que Argel (agora treinador) tem problemas neste e naquele clube. A lenda vive!

Walter

Há vários preconceitos que me envergonham no futebol, como o de partirmos do princípio que os jogadores são todos heterossexuais e que os gordos vão à baliza. Não é verdade e anseio pelo dia em que os adeptos deixem de usar a orientação sexual como cântico de insulto, porque estamos em 2017 e somos todos crescidos (fora o Gentil Martins), portanto já estava na hora de ultrapassarmos isto e darmos um exemplo de evolução e tolerância às nossas crianças que estão a crescer a jogar à bola. Quanto aos gordos, é evidente que têm o mesmo direito que os magros a jogar em qualquer posição, como, aliás, Walter e o FCPorto fizeram questão de mostrar ao mundo.

Pedro Henriques

Houve ali uma altura na vida em que o FCPorto deu por si a ir roubar jogadores ao Benfica só porque sim. Só porque era melhor, mais forte, ganhava mais e gostava de mostrar quem mandava (sem ser por e-mail). Ora, no meio de carradas de jogadores, também vieram alguns flops, mas nós não nos importávamos, porque continuávamos a ser melhores, mais fortes, a ganhar mais e a mandar. Pedro Henriques foi um deles. Para quem não se lembra dele como jogador, digamos que era tão bom, tão bom, que nem fez nenhum jogo oficial pelo FCPorto. Uma surpresa para quem hoje o ouve falar sobre finais da Liga dos Campeões e de Mundiais com observações atentas e perspicazes sobre as sensações de um jogador nesses momentos, como se estivesse apenas a recordar o dia a dia de uma carreira de êxitos e momentos grandiosos. Sempre que o ouço, como comentador, a lançar um "uish" perante uma boa finta ou um bonito lance, também a minha memória faz "uish, como foi possível termos contratado isto?"

Kralj

Substituir Vítor Baía foi o maior trauma da minha geração e de vários guarda-redes que passaram pelo FCPorto. Entre eles Ivica Kralj, um portento de quase dois metros que teve o terrível azar de chocar contra o Aloísio num jogo contra o Sporting. Ainda hoje, se perguntarem ao jugoslavo, ele vai dizer-vos que teria sido um excelente guarda-redes à escala mundial, se não tivesse ficado com problemas de visão naquele lance logo na pré-época. Foi azar, dele claro, e nosso, que tivemos de aguentar uns meses de frangos e lances caricatos. A verdade é que nunca saberemos o que seria Kralj se Aloísio não fosse um desastrado. Mas arrisco dizer que não teria sido o substituto ideal de Vítor Baía e que, provavelmente, teria dado na mesma nome a uma página de humor.

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