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Lá Em Casa Mando Eu

O orgulho de alguém ter dado qualquer coisinha pelo Depoitre e a rebuscada fábula de Vaná e os cinco guarda-redes (por Lá em Casa Mando Eu)

O mercado visto pela Catarina Pereira, metade do blog Lá Em Casa Mando Eu, na ótica do utilizador portista, pois claro

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG

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Se é para fazer um resumo do mercado de transferências, tenho que vos dizer que acho que o Vaná foi uma grande contratação. Sempre fui contra aquela teoria de se ter só uns três guarda-redes no plantel, como se fosse a única a imaginar a hipótese de o titular se lesionar, o suplente ir de férias e o terceiro entrar de licença de paternidade, tudo ao mesmo tempo.

Portanto, dizia eu que acho que o Vaná foi uma grande contratação, porque, bem vistas as coisas, ter cinco guarda-redes no plantel só traz mais concorrência e motivação. Imaginem como se sente o Casillas esta época ao saber que, ao mínimo deslize, tem o José Sá, o João Costa, o Vaná e o Fabiano ali mesmo à perna. Ah, pois é!

Não dá para descansar nem um bocadinho, pois não? E imagino que, por exemplo, o José Sá possa ser titular na Taça de Portugal e o João Costa naquela outra competição que inventaram para o Benfica ganhar. Ora, nessa altura eles vão precisar de suplentes e ficava mal chamar tão conceituado guarda-redes como Iker Casillas para essa função. Já na Liga dos Campeões a história é outra. Aí, a estratégia é tão genial que acabámos por nem inscrever o nosso único reforço na competição. Imaginem o que se fala disto nos corredores do Mónaco, do Besiktas e do Leipzig:

“- Então, sabes que o FC Porto só fez uma contratação este ano?
- Claro, mas compraram logo o Vaná.
- Uau, estou mortinho por poder jogar contra ele!
- Ah, mas não sabes que ele não foi inscrito?
- O quê? Eles vêm para a Liga dos Campeões sem o único reforço?
- Ya, repara na confiança. Imagina como são bons!!!!!!”

Enfim, voltemos ao resumo do mercado de transferências. O André Silva foi um bom negócio, o Rúben Neves desconfio, o Indi até nem diria nada se não ficássemos só com três centrais e estou muito orgulhosa por termos conseguido que alguém nos pagasse alguma coisa pelo Depoitre, nem que tenha sido em bitcoins ou em aço valiriano. Quanto a empréstimos, sou muito a favor de se mandar jogadores para locais inóspitos, com a missão de convencer as estranhas gentes de lá que o FC Porto é o melhor clube do mundo e merece ser recebido com toda a pompa e circunstância e, sobretudo, com a entrega facilitada de três pontos.

É uma pena que não aproveitemos os nossos excessos para tão nobre tarefa e, sobretudo, é uma pena que os nossos excessos tenham que ser aproveitados para o plantel principal. Daí que nos tenhamos ficado por uns tímidos empréstimos a Bragas e Boavistas, de facto locais inóspitos, mas dificilmente convencíveis de que o FC Porto é o melhor clube do mundo, e que normalmente nos recebem com toda a pompa e circunstância, só que não aquela que imaginávamos desejável, mas antes com uma enorme vontade não só de nos ganhar, como de nos destruir para sempre.

E pronto, adeus pessoal, até para o ano, foi um prazer falar convosco sobre este assunto que foi o mercado de transferências super animado do meu clube.

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Ah, e os outros....

Parabéns ao Sporting, pela coragem e ambição de contratar tanto e de esfregar na cara das invejosas não só a possibilidade de ir buscar bons jogadores a outras equipas, mas também a não obrigatoriedade de ter de vender titulares para fazer dinheiro.

Temo que se tenham reforçado bem e que não tenham deixado sair (talvez demasiado literalmente) jogadores importantes para a equipa. Ainda por cima conseguiram o vIdeoárbitro, isto é que foi um verão em cheio! Percebo que isto seja o resultado de mais de 15 anos de vitórias, títulos, boas decisões e um grande equilíbrio emocional dos seus líderes. Na verdade, só posso invejá-los por estarem agora a recolher os frutos de uma supremacia evidente no futebol nacional e espero ambicionar um dia chegar perto deste estado de absoluta crença de que vai sempre correr tudo bem.

Quanto ao Benfica, fez bem em vender o Ederson, o LindelÖf e o Nelson Semedo e só foi pena que ainda não tenha sido desta que o Luisão tenha ido para o Real Madrid (esta parte final era mais o Beto, mas vocês perceberam a ideia na mesma) e que o Eliseu tenha ficado para recolher os destroços dos adversários que tentam passar por ele.

A solidez defensiva é demasiado valorizada nos dias que correm e eu sou a favor de darem mais oportunidades ao André Almeida em várias posições, e à dupla Bruno Varela-Lisandro López, que já mostrou um pouco do que é capaz em Vila do Conde, mas que pode dar muito mais à equipa. É uma questão de se acreditar!

Quanto a reforços, parabéns por terem emprestado tanta gente para locais que já não vos eram nada inóspitos e por terem conseguido manter o Miguel Rosa e o Rui Pedro Soares no Belenenses. Não confio naquele Seferovic (não sei se é assim que se escreve, mas recuso-me a ir confirmar) nem um bocadinho e ainda não pensei muito nos outros, mas já deu para ver que a espinha dorsal da equipa se mantém: Bruno Esteves, Manuel Mota, Jorge Ferreira, Nuno Almeida, Vasco Santos, Hugo Pacheco, Rui Silva e Paulo Baptista arrancaram a época ao mais alto nível e só nos resta esperar que poucos nomes se lhes juntem ao longo do tempo.

O meu marido, benfiquista exigente (perdoem-me a antítese), parece triste por não terem contratado pelo menos um guarda-redes já com valor provado. Enfim, percebe-se: eles veêm-nos com cinco guarda-redes e até ficam nervosos.