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Lá Em Casa Mando Eu

Casillas não teve culpa no golo sofrido e vai ter de mostrar mais intencionalidade se ainda quiser ambicionar o prémio Bruno Vareluskas

Catarina Pereira lamenta a ausência de Francisco Geraldes e por conseguinte o duelo intelectual com o senhor comendador Danilo e mostra alguma preocupação com o facto do FC Porto estar a depender em demasia de um só talento, neste caso, a genialidade pura de Marega

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA/Getty

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Casillas

Sofreu o primeiro golo no campeonato aos 80 minutos de jogo, mas não tinha hipótese de defender o remate de Nuno Santos. Vai ter de mostrar mais intencionalidade se ainda quiser ambicionar o prémio Bruno Vareluskas.

Ricardo

Começou o jogo a lateral direito, subiu no campo com a entrada de Maxi Pereira e acabou a lateral esquerdo com a saída de Alex Telles. Se o FC Porto não tivesse ganho, teria de vir aqui queixar-me do plantel curto. Assim sendo, tenho de vir aqui dizer que aprecio muito esta variedade de qualidades dos nossos jogadores e, já agora, aplaudir a coragem e ambição do nosso treinador ao testar todas as suas potencialidades. (Mas o plantel é curto, não é?).

Felipe

Ninguém gosta de aparecer todo vestido de laranja durante uma campanha eleitoral, mas Felipe foi dos que sobreviveu.

Marcano

Nos últimos anos, o país e o FC Porto passaram por algumas dificuldades. Crise económica, crise de centrais, Passos Coelho e Paulo Portas, Lopetegui e Nuno, enfim, vocês sabem do que é que eu estou a falar. No entanto, os últimos tempos parecem ser de recuperação para ambos e, se Portugal entretanto saiu do lixo, não será de menosprezar o que também tem acontecido a Marcano, cujo rating passou de "que asneira vai o espanhol fazer hoje" para "que avançado vai o espanhol fazer desaparecer hoje".

Alex Telles

Fez mais uma assistência, ao marcar o canto que deu o primeiro golo da equipa, mas passou grande parte do jogo com visíveis dificuldades em travar Nuno Santos, Rúben Ribeiro e Jorge Sousa.

Danilo

Teve alguns problemas com o passe na primeira parte, mas entrou na segunda a marcar um golo de cabeça e a acertar muitas recuperações de bola. Pode dizer-se que regressou às boas exibições, mas a ausência de Francisco Geraldes retirou-nos o prazer de assistir ao duelo intelectual mais esperado do futebol português. Danilo venceria, claro, chamando a atenção para pormenores do "Ensaio sobre a Cegueira" que o miúdo não captou, aconselharia "O Ano da Morte de Ricardo Reis" enquanto vencia mais uma bola no ar e recomendaria mais quatro escritores para Francisco ler no metro enquanto o senhor comendador jogar a sério na Liga dos Campeões.

Herrera

Sérgio Conceição admitiu o erro que permitiu ao Besiktas controlar o meio-campo e grande parte do jogo na quarta-feira e chamou então o mexicano à equipa para tentar melhorar esse aspecto. No entanto, se eu tivesse que definir Herrera num lance, seria ele a cortar uma bola, controlá-la bem e entregá-la então nas melhores condições a um adversário. Curiosamente, aconteceu várias vezes hoje. E sempre.

Otávio

Foi outra das surpresas no onze inicial e fez o suficiente para podermos dizer "pronto, nem se notou a ausência do Corona". Para a próxima vamos ambicionar um bocadinho mais, mas sem pressa.

Brahimi

Talvez fosse o momento de eu sublinhar que Brahimi está claramente acima da média deste plantel e desta Liga, talvez fosse justo eu destacar a diferença que fez, por exemplo, no segundo golo, ao transformar um lance aparentemente complicado numa assistência para Marega, mas isso seria retirar protagonismo ao movimento superiormente pensado pelo avançado maliano, que podia ter passado a bola directamente a Brahimi, mas preferiu um remate com força contra um adversário, de forma a que a bola lhe chegasse de forma mais difícil, mais inesperada, mais ousada.

Marega

O Rio Ave jogou bem, sobretudo na primeira parte, teve muita posse de bola e vê-se que há ali uma boa ideia de jogo, mas depois as individualidades do FC Porto acabaram por nos lembrar a diferença entre as duas equipas. Quando se tem Marega, já se sabe que se está sempre mais perto de ganhar um jogo num lance qualquer de genialidade pura. Não gosto que a equipa dependa tanto de um só talento, mas pronto.

Aboubakar

Regressou à titularidade depois de cumprir castigo frente ao Besiktas. Teve duas boas oportunidades logo ao abrir a segunda parte, mas não chegou à bola com força suficiente, porque ainda estava cansado de festejar o empate ao intervalo no balneário do Rio Ave.

Soares

Podia ter feito mais em dois ou três lances em que surgiu com pouca oposição no lado direito do ataque, mas infelizmente não conseguiu entregar a bola e fazer uma vénia a Marega como se exigia.

Maxi Pereira

Entrou em campo e demorou sete minutos a ver um cartão amarelo. Está, portanto, em claro mau momento de forma.

André André

É o nosso suplente que entra para os adversários pensarem que a seguir vamos controlar o jogo. Ha! Ha! Ha!