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Lá Em Casa Mando Eu

Duas vezes Brahimi para a história do futebol e porque apertar o pescoço a Marega não merece castigo (por Lá Em Casa Mando Eu)

O ar de psicopata de Felipe que faz tudo ficar bem mesmo quando erra, a saga contínua do Senhor Comendador e como o coitado do Herrera tem azar mesmo quando faz tudo bem nas considerações de Catarina Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, sobre a vitória do FC Porto por 5-2 sobre o Portimonense

JOSÉ COELHO/LUSA

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Casillas

É verdade que sofreu dois golos, mas destacou-se mais pelos seus gritos de "Fuera", para os jogadores subirem a linha e deixarem os adversários em fora de jogo (pareceu-me ser o que acontece no segundo golo do Portimonense, mas longe de mim duvidar do vídeo-árbitro). Não deixo de sentir que estivemos a invadir demasiado a privacidade da sua relação com os colegas e o mínimo que se exige é que os microfones também captem com esta destreza as comunicações entre os guarda-redes dos rivais e os seus defesas. Já consigo imaginar Rui Patrício durante 90 minutos: "Levantem a cabeça! Levantem a cabeça!". Ou Bruno Varela: "Pessoal, é um prazer estar aqui convosco, sinceramente nunca pensei ter esta oportunidade, mas a vida... ups, com esta conversa toda não vi a bola entrar".

Ricardo Pereira

Um bom remate ao lado, mais umas quantas investidas no ataque e sem causar enormes sustos na defesa. Tudo bem, Ricardo, tudo bem. Agora vem aí o Mónaco e o Sporting. Por isso vê lá se justificas bem o ordenado que pagamos ao Maxi.

Felipe

Não fica bem visto no lance do primeiro golo do Portimonense, quando optou por ficar a olhar para o avançado Nakajima em vez de fazer o seu habitual corte providencial. E, como sempre que há um lance que lhe corre mal, as câmaras apanham-lhe um ar de psicopata que me agrada e me deixa com a sensação que nunca mais vai acontecer. Por esse ar, suponho que se Felipe fizesse tudo o que lhe vai na alma era capaz de parecer o Samaris num dia bom e com dois ansiolíticos em cima.

Marcano

Marcou o primeiro de três golos em apenas seis minutos e festejou com um esgar de sorriso e os dois punhos fechados, o máximo de expressões que lhe vimos esta época e, talvez, na vida.

Alex Telles

Atacou com qualidade, marcou bem os cantos, cruzou muito e recuperou algumas bolas, mas há sempre algo que posso apontar-lhe para melhorar: podia ter defendido melhor, podia estar mais bem colocado, podia ouvir o que eu lhe digo, enfim, continuamos a ter muito trabalho pela frente.

Danilo

Mais um jogo calmo e ponderado do senhor comendador. Frente a um Portimonense disposto a jogar futebol, e com Herrera a "ajudar", esteve sempre concentrado e empenhado em recuperar a bola e entregá-la a quem sabe fazer alguma coisa lá à frente, ou seja, a Marega. Saiu para se poupar para o jogo com o Mónaco e para sentir o carinho dos adeptos portistas, todos ansiosamente à espera do dia em que Danilo anuncie nos ecrãs do Estádio do Dragão que vai ser pai.

Herrera

Voltou a deixar Óliver no banco e a entrar com a braçadeira de capitão no nosso estádio. Parece que a intenção é dar mais estabilidade à equipa e talvez, arrisco, maior rapidez no momento de decisão. Não sei, confesso que não sei, estou a inventar. Sei lá eu por que é que se prefere o Herrera ao Óliver. Mas não esteve mal. A sério. Podia ter feito mais no primeiro golo do Portimonense, mas a verdade é que aquele Paulinho é muito bom, se calhar não havia mesmo nada a fazer. E até esteve perto de marcar o 6-2, só que um dos remates desviou-se num adversário, o outro acertou no poste e o Herrera tem sempre muito azar. A sério. Coitado.

Corona

Voltou ao onze inicial e até pensei que isso provasse que aquele lugar agora pertence tanto a Corona, como a Otávio, como a qualquer moço que apareça no estágio equipado para jogar à hora certa. Mas não, nem foi assim. Fez a jogada praticamente toda do segundo golo e ainda assistiu muito bem para Marega no terceiro. Foi uma pena ter jogado com "Fuerza Mexico" na camisola, assim não dá para enfiar isto num vídeo promocional.

Brahimi

Nos dois golos de Brahimi marcados esta noite, há momentos que vão ficar para a história do futebol. No primeiro, aos 49 minutos, a bola sobra-lhe após a insistência de Aboubakar e Marega e isto é deveras surpreendente porque a dupla atacante do FCPorto é constituída por Aboubakar e Marega e ainda assim vamos à frente só com vitórias. Mas do segundo, aos 68 minutos, é que há muito por dizer: Brahimi recebe a bola com o pé direito, controla-a, amansa-a, acaricia-a, flecte para dentro e combina com Aboubakar, que passa para trás de calcanhar(!), e vemos todos Herrera a chegar(!), é o pânico meu deus, mas este decide fazer uma simulação, com a bola a passar-lhe entre as pernas(!) e a sobrar para Brahimi bisar. Meus amigos, se isto não é futebol-espetáculo, no sentido não só de ser um espetáculo de ver como de só termos imaginado que isto podia acontecer num espetáculo ficcional, então já não sei nada disto.

Marega

Marcou mais um golo e continua a fazer estragos nas defesas adversárias (alerta cliché!). Destaco um lance, aos 11 minutos, em que deixou dois adversários para trás e um deles decide abalroá-lo desesperadamente. O senhor do Portimonense levou cartão amarelo, talvez porque se mandou à maluco para cima do Marega e não lhe apertou o pescoço, que como se sabe é uma situação que, a acontecer, não merece castigo nenhum.

Aboubakar

Marcou o segundo golo da partida, num ressalto após uma jogada de insistência de Corona na direita. Antes do jogo, foi distinguido como melhor avançado do mês de agosto, um prémio que esperemos que não tenha ciúmes de entregar agora a Marega sucessivamente até ao final da época.

Óliver

Entrou para pausar o jogo, numa fase onde as pessoas de bem já estavam a pensar no Mónaco e no Sporting e em planos de rapto, extorsão e chantagem que façam com que Falcão e Bruno Fernandes sosseguem de vez.

Soares

Neste momento é o terceiro avançado, atrás de Cristiano Aboubakar e Leo Marega, pelo que há que aceitar o estatuto, trabalhar durante a semana e esperar que Sérgio Conceição queira dar descanso a um dos nossos incontestados génios da frente.

Reyes

Aproveito a oportunidade de não ter nada a dizer sobre Reyes para elogiar e agradecer aos treinadores como Vítor Oliveira, Miguel Cardoso, Luís Castro, etc, que colocam as suas equipas pequenas a jogar à bola, sem medo dos grandes e com ideias que me agradam e que agora até me fazem desejar ver um Portimonense-Rio Ave às 21.00 de um domingo de inverno, com muita chuva e frio (se é que há disso no Algarve). O nosso futebol precisava destes treinadores e de acabar com os autocarros na defesa e os jogadores deitados no chão para perder tempo, que afastam adeptos das bancadas e do jogo. E não digo isto por o FCPorto ter ganho os jogos contra estas equipas, claro, acho que já repararam que eu escrevo aqui porque adoro futebol e não porque sou uma fanática portista. AHAHAHAH agora apaguem tudo!