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Lá Em Casa Mando Eu

Lá em Casa Mando Eu mune-se do Priberam para dizer que o jogo de Felipe foi tão impecável quanto o espanhol de Jorge Jesus

Catarina Pereira viu ainda Danilo a manietar discretamente toda a manobra ofensiva do Monaco e a não dar demasiado nas vistas não vão os franceses estoirarem os 180 milhões de Mbappé num empréstimo de três meses do senhor comendador. Ah, e manda dizer que Sérgio Oliveira está vivo e jogou muito

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

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Casillas

Olhou em volta, para um Principado onde não se pagam impostos e para um estádio onde não se faz barulho, e deve ter pensado que podia estar ali um bom sítio para a reforma. Mas depois viu Felipe e Marcano a limpar jogadas, e viu o meio-campo a lutar o jogo todo, e viu como Marega e Aboubakar destruíam a defesa monegasca (as coisas que uma pessoa escreve quando está super excitada...) e ficou satisfeito com a sua escolha.

Ricardo Pereira

Magoou Falcao, colocando-o a sangrar. Parte de mim quis bater em Ricardo, porque o Falcao é Dublin, é o poker contra o Villarreal, é o calcanhar nos 5-0 ao Benfica... Mas a outra parte ficou muito satisfeita porque finalmente o estagiário de Maxi Pereira está a mostrar trabalho.

Felipe

Impecável:

adjectivo de dois géneros

1. Que não pode pecar.

2. Irrepreensível.

3. Espanhol de Jorge Jesus.

4. Felipe, hoje e sempre.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Marcano

Não me parece muito boa aquela ideia de separar as mulheres dos homens nos autocarros, mas, por outro lado, gosto muito desta ideia de separar os adversários da nossa baliza graças a este Marcano.

Alex Telles

O primeiro golo da equipa surge de um lançamento longo seu do lado esquerdo. Normalmente, sou daquelas pessoas que acha os lançamentos longos um desperdício, porque, por muito que a bola chegue à área, vai em condições que facilitam o corte da defesa e dificilmente criam um lance de perigo do ataque. Ora, desta vez deu golo. Na Liga dos Campeões. Contra o campeão francês. E, portanto, Alex Telles foi protagonista do momento mais belo da semana, a seguir ao vídeo fofinho do avô e do neto aos beijinhos.

Danilo

Exibição discreta do senhor comendador, que se limitou a manietar discretamente toda a manobra ofensiva do Monaco, fez o remate que deu origem ao primeiro golo e tentou não dar o suficiente nas vistas para os franceses estoirarem os 180 milhões de Mbappé num empréstimo de três meses do nosso trinco.

Herrera

Talvez o terceiro golo seja uma metáfora sobre a vida de Herrera: o mexicano aparece bem na área, finta bem o defesa, mas depois chuta contra o guarda-redes, sendo insultado por todos os portistas. Depois luta, embrulha-se, ganha a bola ninguém sabe como, e ela vai parar a Marega, que toma a surpreendentemente simples decisão de assistir Layún, que faz o golo. Os portistas gritam golo, elogiam Marega e a substituição de Sérgio Conceição que fez entrar Layún e como estamos contentes já ninguém se lembra de Herrera.

Sérgio Oliveira

É com surpresa que vos revelo que:

1. Sérgio Oliveira está vivo.

2. Sérgio Oliveira é jogador do FC Porto.

3. Sérgio Oliveira pode ser titular num jogo da Liga dos Campeões.

4. Sérgio Oliveira ajudou a equipa a defender, teve critério a sair jogar e lutou sem complexos de craque.

5. Nada do que escrevi foi irónico.

Brahimi

É um jogador de outro nível, com técnica, condução e capacidade de desequilíbrio. Se o leitor for um olheiro da Premier League ou da Liga Espanhola, devo acrescentar que Brahimi me parece má pessoa (nunca o vi numa ONG a salvar vidas), que não é polivalente (nunca o vi fazer uma boa exibição a guarda-redes) e que nem sequer é o nosso melhor jogador a fazer arrancadas desajeitadas (penso que, depois de hoje, é quase impossível que Marega fique cá e resta-me dar os parabéns ao olheiro que está a ler isto, porque 35 milhões é um excelente negócio).

Marega

A assistência para o segundo golo, o passe que antecede o terceiro, a imensa abnegação a defender, a concentração. Marega até pode continuar a ser um cepo, mas é o nosso cepo. E quando um cepo assume que quer dar tudo pelo emblema do FC Porto, esse cepo já não é um cepo. É um dos nossos. Mete o Marega!

Aboubakar

Nunca duvidei, meu Aboubazinho! Nunca! Sempre disse que eras o maior! Por mim até podes ir festejar para o balneário do Monaco no fim do jogo!

Layún

Entrou para marcar o terceiro da noite, numa bonita homenagem àquela noite de 26 de maio de 2004 em Gelsenkirchen.

Corona

Sérgio Conceição deixou-o no banco porque nem todos os jogos podem suportar um extremo relaxado, mas hoje era... epa, esqueçam, fizeram todos um jogo do caraças!

Reyes

Gostei de ver o treinador-adjunto a mostrar-lhe um poster da equipa antes de entrar: "Vês, Reyes, este é o Casillas, o nosso guarda-redes. E este é o Ricardo, muito simpático. E este é o Herrera, não confies. Agora vai lá curtir a vitória".

  • Conceição não inventa, Conceição cria soluções

    FC Porto

    O mundo abriu a boca de espanto quando percebeu que Sérgio Conceição havia colocado Sérgio Oliveira no onze para o encontro com o Mónaco. Pois bem, cedo se percebeu que não se estava perante uma invenção: o treinador do FC Porto fez a leitura perfeita do jogo e com competência e mesmo sem deslumbrar saiu de Monte Carlo com uma vitória por 3-0