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Lá Em Casa Mando Eu

Blade Runner, rezas que pedem chuva, bebidas energéticas e a Padaria Portuguesa (tudo isto na equipa Lá Em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira viu assim o jogo que deu os três pontos ao FC Porto: cheio de referências pop, religiosas e sociais

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA

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José Sá
Fez uma boa defesa na primeira parte, desviando um livre com a ponta dos dedos, mas sofreu um golo de chapéu na segunda, o que, aliando-se ao facto de ainda ter barba, falar português e não marcar golos na própria baliza, deve querer dizer que amanhã não há nenhuma capa de um jornal desportivo a elogiá-lo.

Ricardo
Num jogo muito físico, fez o que pôde para tentar travar o poderio alemão, mas estava muito longe de Werner no golo que, na altura, deu o empate (ainda que seja Felipe quem está mais confuso na posição). Pelas minhas contas, e apesar da boa exibição, está quase na altura de Layún ser titular porque treina muito bem.

Felipe
"Deus do universo, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos com mais confiança aos bens do Céu." Felipe recitou a oração pela chuva recomendada pelo cardeal-patriarca de Lisboa e portanto choveram alemães que nem loucos a pressionar a equipa, motivar erros da nossa parte e, felizmente, a marcar apenas um golo. Temos até sábado para melhorar isto ao nível da prece.

Marcano
O Leipzig tinha um central nascido em 1998 - portanto, uma pessoa que nasceu depois do Wannabe das Spice Girls! - e que parecia insuperável. Ganhava as bolas todas, saltava e parecia o raio de uma máquina. Marcano nasceu em 1987, não parece um robô do Blade Runner, mas desenrascou tudo o que apareceu na área para bem longe. Por mim, está óptimo.

Alex Telles
Marcou o canto que deu o primeiro golo, marcou o livre que deu o segundo. Quatro dos golos marcados ao Leipzig foram de bola parada, o que pode querer dizer que, da próxima vez que deixarmos a troika entrar cá, os alemães nos vão primeiro aos laterais-esquerdos que batem bem cantos e livres do que aos salários e às pensões.

Danilo
Marcou o golo que virou o jogo, aos 62 minutos, de cabeça. Antes, mostrou algumas dificuldades ao nível do passe e, sobretudo, ao nível de lhe aparecerem três ou quatro alemães à frente de um momento para o outro. Posso mesmo admitir que, durante os primeiros 152 minutos dos jogos contra o Leipzig, o senhor comendador pareceu não dar-se muito bem com equipas alemãs com nome de bebida energética. Um facto que não me preocupa por aí além, porque Belenenses, Desportivo das Aves ou Vitória de Setúbal, por exemplo, não são propriamente conhecidos pelas suas fortes tradições bávaras ou por um futebol que lhes dá asas.

Herrera
Marcou um golo assim que Marega saiu do campo, deixando-me desconfiada que só funciona um de cada vez.

Corona
Foi pouco visto naquela parte em que estivemos todos a sofrer que nem doidos enquanto os alemães jogavam, mas melhorou bastante quando conseguimos virar a partida a nosso favor. Estava até a ser o homem mais inquieto do ataque quando se lesionou, por volta do minuto 70, provando que, fisicamente, disputámos estes dois jogos contra o Leipzig como o Pedro Guerra disputaria qualquer evento que exigisse movimento contra um ultra-maratonista que gosta de ir ao ginásio e só pára para comer barrinhas energéticas.

Brahimi
Não conseguiu desequilibrar, nem sair da enorme pressão do Leipzig. Pareceu cansado, ou sem ideias, ou as duas coisas. Não sei se ainda é do Halloween, mas pareceu-me mascarado de Brahimi treinado por Nuno Espírito Santo. Que susto!

Marega
Agarrou-se à coxa, deitou-se no chão e o meu coração quase parou. Marega ainda foi assistido, voltou ao relvado e até ganhou o canto que deu o golo de Herrera, mas acabou mesmo por sair lesionado e aplaudido de pé. Houve 1500 adeptos que viajaram desde a Alemanha para o ver e infelizmente só tiveram direito a 11 minutos de espectáculo.

Aboubakar
Foi marcado por um jovem de 19 anos que é mais alto, mais forte e ganha mais bolas com o corpo do que ele. Aliás, permitam-me uma maior precisão: foi marcado por um jovem de 19 anos que é mais alto, mais forte e ganha mais bolas com o corpo do que toda a espécie humana. Assim sendo, fez o possível: na única vez que o jovem de 19 anos o deixou sozinho, fez a maravilhosa jogada que deu o terceiro golo.

André André
Entrou para o lugar de Marega, um papel que naturalmente ninguém deseja. A ideia era dar mais força ao meio-campo, mas custou a arrancar, sobretudo porque os alemães são mesmo muito grandes e fortes e correm muito e isto assim não devia valer que até já estou cansada só de escrever sobre eles.

Maxi Pereira
Matou o jogo, já nos descontos, e levou com os colegas todos em cima. Notou-se a vontade de muitos se vingarem de uma entrada ou outra mais durita no treino.

Reyes
Ganhámos um jogo muito difícil e continuamos na corrida pelo apuramento. Nunca pensei dizer isto, mas parece que o FCPorto tem muito em comum com a Padaria Portuguesa: não temos dinheiro para reforços, mas temos um excelente espírito de equipa.

  • A geringonça portuga e a startup alemã

    FC Porto

    O FC Porto venceu (3-1) o Red Bull Leipzig no Dragão e subiu ao segundo lugar do seu grupo, com seis pontos. Sérgio queria jogar em 4x4x2, foi obrigado a mudar para o 4x3x3, mas levou de vencida um adversário dos tempos modernos. Os portistas dependem, agora, apenas deles próprios para seguirem em frente