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Lá Em Casa Mando Eu

Jonas é uma Maria Vieira, em tamanho mas sobretudo nas opiniões, com a voz do Labreca e o queixume de um fadista (por Lá Em Casa Mando Eu)

Não parece, mas este é o onze do FC Porto visto por Catarina Pereira. Aqui em cima, no título, é a perspetiva que Marcano teve no jogo ao olhar para Jonas. Mas há mais e com algumas fotos à mistura - vide Marega

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

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JOSÉ SÁ

O Benfica teve duas oportunidades de golo: um cabeceamento de Jonas num lance muito confuso e um ressalto que sobra para Krovinovic ficar isolado. A ambos, José Sá respondeu com um simples e eficaz “psssst, ‘tá quieto que não vais a lado nenhum!” Curiosamente, do outro lado também tenho de reconhecer que houve boas defesas de um guarda-redes que tem sido mal-amado por alguns benfiquistas (olá querido marido, não sei se me estás a ler hoje, mas espero que a noite no sofá seja agradável). José Sá fez uma exibição de guarda-redes de equipa grande (foi poucas vezes chamado e disse presente), o nosso azar é, do outro lado, o guarda-redes de equipa pequena ter parecido o Bruno Varela do Setúbal.

RICARDO PEREIRA

Continuo a gostar muito mais de o ver a atacar do que a defender, aliás, tal como todos os olheiros e treinadores da sua formação, uma vez que começou por ser extremo. (Rui Vitória acaba de sair desta página para ir googlar "Ricardo Pereira era extremo?")

FELIPE

Falhou um golo feito, falhou um centro fácil para o Aboubakar e falhou com precisão o joelho do Jonas. Noite para esquecer.

MARCANO

Assistiu de perto a várias encenações de Jonas, um género de companhia de teatro do Chapitô, mas em muito mau e com uma voz irritante. Jonas é uma Maria Vieira, em tamanho mas sobretudo nas opiniões, com a voz do Labreca e o queixume de um fadista. Pobre Marcano, ninguém merece pagar bilhete para isto.

ALEX TELLES

Pareceu um dos mais inconformados com as coisas que não corriam bem à equipa e também foi dos primeiros a chegar ao banco do Benfica quando Marega estava a tentar explicar ao staff adversário que não é assim que se afasta uma bola. Infelizmente, não estava tão perto quando Marega falhou dois ou três golos escancarados, mas quase que aposto que ficou inconformado, que é para este parágrafo fazer sentido.

DANILO

Começou bloqueado, parecia que vinha aí um drama, mas o senhor comendador lá foi conseguindo reajustar o nosso meio-campo, calmamente, em várias tentativas, acabando com o adversário sem grande estrilho. Se ainda não viram o vídeo do senhor que conseguiu tirar o bloqueador da EMEL do carro, procurem.

SÉRGIO OLIVEIRA

Pronto, agora já percebemos que, em todos os jogos mais difíceis, vai mesmo entrar sempre o Sérgio Oliveira para ganharmos “força” no meio-campo. Ora, eu admito que isto resultou muito bem no Mónaco, não foi mau em Alvalade, mas entretanto perdeu-se aquele efeito “olha, não estava nada à espera disto” e estamos só a entrar com o Sérgio Oliveira no onze num jogo crucial para o campeonato. Nada contra o Sérgio, fez o que pôde e sabe, e tem muita vontade. Mas pensem nisso.

HERRERA

Ia tendo, aos 56 minutos, o momento de glória da sua carreira, a resposta a todas as dúvidas que nos vai causando ao longo dos anos, a rendição por aquele maldito canto do ano passado. Ora bem, talvez eu esteja a exagerar. Na verdade era só um golito, até nem era muito bonito, nem acho que ele fosse festejar assiiiiim taaaaanto. Mas, claro, como se trata de Hector Herrera, teria de acontecer alguma coisa perfeitamente comum para lhe estragar a noite. É que nem foi um escândalo, uma anormalidade que desse para gritar aos ouvidos dos outros durante semanas e meses. Foi só um fora-de-jogo muito, muito, muito mal tirado. Nada que não estivéssemos todos à espera, sobretudo o Herrera.

BRAHIMI

Não adoro vê-lo a distribuir bolas para colegas que estão a dezenas de metros, mas fez as melhores desmarcações da noite. Não quero vê-lo a passar por vários adversários sem tirar os olhos da bola, mas fez as melhores fintas da noite. Não gosto de vê-lo a rematar de ângulos impossíveis, mas alguém tinha de falhar golos além do Marega esta noite.

MAREGA (dos primeiros 80 minutos de jogo)

O FCPorto entrou muito mal no jogo. Não conseguia sair, não sabia pressionar e não trocava a bola em nenhuma fase do campo. Nesses – felizmente poucos – momentos, valeu-nos uma estratégia muito pouco conhecida nos meandros táticos de Pep Guardiola ou Maurizio Sarri, mas que nós aqui na Invicta chamamos de “METE NO MAREGA!”, com muito orgulho. Não vou entrar em pormenores sobre esta opção – até porque pretendo guardar segredo para não a enfraquecer -, mas a verdade é que foi resultando muito bem, porque Marega ganhou praticamente todos os duelos frente aos defesas benfiquistas, a não ser quando lhe faziam penálti.

MAREGA (dos últimos 10 minutos de jogo)

ABOUBAKAR

Como sabem, estou aqui na Tribuna para fazer análises isentas e imparciais deste desporto cuja paixão nos une. Mas há momentos que marcam de tal forma o jogo que é impossível fugirmos a um ou outro comentário mais brejeiro sobre pormenores de arbitragem. É que, não sei se repararam, mas a seguir a um lance que deixará, alegadamente, talvez, a uns malucos, algumas – mas poucas – dúvidas, em que Luisão se atira para o relvado e a bola poderá, alegadamente, talvez, para alguns, ter roçado ao de leve no seu braço, Aboubakar corre para o árbitro e faz um gesto para Jorge Sousa, que há uns anos seria só estranho, mas hoje em dia todos sabemos que era um pedido para recorrer ao vídeo-árbitro. E isto, como mandam as regras, deve ser punível com cartão amarelo. Portanto, eu tentei fugir ao simplismo de justificar resultados com decisões do árbitro, mas é evidente que o Benfica saiu prejudicado hoje do Dragão. E disto ninguém vai falar!

OTÁVIO

Quando uma pessoa passa quase 60 minutos sentado no banco, a poder ver o jogo com clareza, a poder ter acesso às conclusões das tecnologias (ao contrário do vídeo-árbitro, claro), e, ainda assim, entra em campo e a primeira coisa que faz é achar que vai sacar um penálti contra o Benfica, não revela a clarividência necessária para fazer parte do plantel do FCPorto.

SOARES

Quer eu queira quer não queira
Este campeonato
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira



(a homenagem cá de casa a Zé Pedro)