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Lá Em Casa Mando Eu

Brahimi levou porrada, pôs-se à frente dos forcados, fintou tudo e ainda disse ao árbitro: “Eh touro lindo” (por Lá Em Casa Mando Eu)

Ora aqui vai a análise muito pouco imparcial que se quer do onze do FC Porto. Como diz a autora: “investigue-se”

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA

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José Sá

Olá a todos. Gostava de iniciar esta análise com uma breve reflexão sobre a pacificação do futebol português. Pronto, já está. Vamos a isto.

Li numa entrevista, recentemente, um adjunto de Rui Vitória dizer que o treinador do Benfica ia várias vezes dar duas voltas a uma rotunda em Alverca porque uma vez tinha ajudado a inverter um ciclo negativo. Ora, como eu pretendo continuar a ganhar jogos, mesmo sendo desta forma apitados por Fábio Veríssimo, Bruno Paixão, Manuel Mota, Bruno Esteves etc etc., o que aconselho vivamente a José Sá é a hoje não ir dar duas voltas a nenhuma rotunda, porque parece-me óbvio que esses dois acontecimentos (a nossa vitória e as voltas à rotunda) iam ficar eternamente ligados e ele teria que o fazer mais vezes.

Ricardo

Eu não sou de intrigas, mas ou isto na Feira vale dar paulada a sério e eu só não tinha reparado porque infelizmente já não tenho tempo, na minha aborrecida vida, para ver interessantes Feirenses-Paços de Ferreiras a qualquer hora e em qualquer dia, ou então quase que me atrevo a dizer que hoje houve aqui matéria para iniciar uma investigação sobre bones fixing, que é como quem diz uma espécie de reparação de ossos, tantos foram os que eles nos tentaram partir. E lembro-me disto quando falo do Ricardo porquê? Porque ele sofreu uma tentativa de bones fixing por volta do minuto 35, o lance até criou perigo na nossa área e ele ficou estendido no relvado sem sequer pedir falta muito assertivamente. E isto, a meu ver, só tem duas explicações: ou ele é um choninhas e vamos ter que falar sobre isto, ou ainda está lá morto e ainda ninguém deu por isso. Investigue-se.

Felipe

Quase que é difícil de imaginar um regresso à titularidade tão bom! Primeiro, foi visto a dormir no golo do empate do Feirense. Depois, andou pelo chão a tentar cortar uma bola e só travou o adversário com falta para amarelo. Por fim, acabou por levar o segundo noutra falta em que também me pareceu merecê-lo – e vou agora poupar-vos a todo um discurso sobre a diferença de critério do árbitro para com o nível de paulada das duas equipas. É que, no meio disto tudo, ergueu-se das trevas para onde o puxam, saltou mais alto do que os outros e cabeceou para o golo que não só nos deixa na frente e com os outros mais atrás, como sobretudo nos deixa bastante por cima dos que nos querem derrubar. Valeu tudo, Felipe!

Marcano

Por esta altura, caro leitor, já deverá ter percebido que nem as horas que passaram após o jogo deixaram a autora deste texto menos sensível a tentativas de intervenções externas sobre o resultado deste. Portanto, se chegou até aqui, mais vale continuarmos. Sobre Marcano já não há muito a dizer: continua tão competente em campo como indeciso em renovar contrato. Sofreu um penálti, viu um amarelo já nem sei porquê... enfim, vou mas é dar duas voltas a uma rotunda a ver se isto me passa.

Alex Telles

Aos 10 minutos, surpreendeu tudo e todos ao marcar um livre com um passe para o Ricardo, que aparecia no flanco direito, em vez do habitual chuto para a área que dá golo. Como é óbvio, a bola foi diretamente para um jogador do Feirense, provando que não é possível pedir mais jogadas estudadas a Alex Telles do que aquela de chutar para a área que dá golo. Felizmente, ao minuto 76, lembrou-se daquela jogada estudada que consiste numa bola parada num canto do relvado, um chuto para a área e um golo. É uma coisa incrível, não sei se já viram, mas aconselho muito.

Danilo

Entre as várias resoluções de ano novo que fiz, destaco o maior controlo na minha alimentação, o aumento do exercício físico e a tentativa de diminuição da minha dependência emocional do senhor comendador, derivado de eventualmente ele ter de ser vendido e eu ter de proteger-me desse choque. Para já, estamos a 4 de janeiro e ainda estou a comer chocolates do Natal e o máximo de atividade que tive foi ir lá abaixo pôr o lixo, por isso deixemos o restante para mais tarde.

André André

Na ausência de Herrera - devido a um castigo bem merecido pelo facto de ter começado a jogar bem e a estragar as minhas crónicas -, a escolha óbvia passou por André André, o único capaz de dar uma espécie de músculo adicional ao meio-campo. E, de facto, pareceu-me mesmo que este era necessário, sobretudo porque foi muito difícil marcar Etebo, um jogador que pelos vistos interessa ao FCPorto caso o Feirense esteja disposto a vendê-lo em troca de um “bom dia, como estão? Muito obrigado” e um cumprimento de mãos vigoroso. Mas o melhor ainda estava para vir.

Corona

Corona, Corona... Vi-te passar a bola para a bancada, vi-te dominar mal um passe do Aboubakar na linha, vi-te de braços caídos como se não houvesse nada a fazer... Ai, ai... Se não tivesses marcado aquele golo em Braga ainda ia ao teu telemóvel ver se não recebeste as mesmas mensagens do Cássio e do Marcelo.

Brahimi

Voltemos à entrevista de Rui Vitória, de onde passo a citar mais uma observação particularmente interessante de um adjunto: “É carismático e tem um sentido de humor fino. Utiliza com os jogadores muitas expressões da tauromaquia”. Ora, como isto é suposto ser uma crónica humorística, vou tentar seguir o exemplo do treinador do Benfica. Não é fácil, mas se fosse fácil não era para mim. O que aconteceu hoje ao Brahimi foi que levou porrada até aos cornos, mas foi ele mesmo que se colocou à frente dos forcados, fintou tudo e todos e ainda gritou, à frente do árbitro, para a televisão ver: “EH TOURO LINDO! VAMOS GANHAR!”

Marega

20 minutos: ainda marca golo, mas já estava assinalado o fora de jogo.
25 minutos: novo fora de jogo assinalado.
34 minutos: novo fora de jogo assinalado.

Desisti de contar, até porque as câmaras do estádio da Feira estão tão bem colocadas que até o vídeo-árbitro devia estar em Oeiras a gritar: “Aguenta... aguenta... aguenta que eu vou à casa de banho que isto não se vê nada e não”.

Aboubakar

Aboubakar recebe, Aboubakar controla, Aboubakar roda sobre o adversário, Aboubakar remata e Aboubakar marca golo. Tudo isto num relvado em péssimas condições e tudo isto numa época que começou com uma previsão acertadíssima de uma prezada autora de textos humorísticos (a partir do momento em que há tauromaquia, vocês sabem que é para rir) que se quer manter anónima: “Este gajo não vale nada, vem para cá contrariado e vai ser uma bela merda”. Nem mais.

Óliver

YYYYYYEEEEEESSSSS!!! IUUUUUUUPIIIIIIIIII!!!!!! ENAAAAAAAAAA!!!! BOOOOOOOOOOOAAAAAAA!!! FIIIIIIIIIXEEEEEEEEE!!!!! BRAAAAAVOOOOOO!!!! Já gastei todas as palavras de entusiasmo que tinha guardadas para este momento. Não quero parecer demasiado eufórica, mas a melhoria na construção e até na recuperação de bola a partir do momento em que entrou em campo não podem ser só uma coincidência. Continuando a ser pouco utilizado, está feita a piada.

Soares

Já sei que o FCPorto divulgou uma imagem da perna ensanguentada de Soares após ter levado um cartão amarelo por simulação. Como se isso fosse suficiente para convencer Fábio Veríssimo. Tentemos, então, por momentos, colocar-nos na pele de quem tem que decidir, em poucos segundos, o que fazer nestes lances polémicos. Quem nos garante que ele não tropeçou à saída do relvado e bateu com a canela num sítio qualquer? Vocês podem dizer, com toda a certeza, que aquela lesão não foi feita já no balneário do FCPorto, talvez mesmo de propósito, porque há uma grande cabala montada contra vocês sabem quem? E sabem que mais? Vou expulsar o Felipe porque de certeza que foi ele que o magoou.

Layún

Não posso terminar sem deixar de citar novamente um adjunto de Rui Vitória sobre o mesmo: “É inteligente e perseverante. Em Guimarães, chegava a falar com pessoas como se as tivesse a reconhecer e depois no fim perguntava-me quem eram.” Porque o FCPorto hoje foi sobretudo inteligente e perseverante. Na Feira, o treinador chegou a falar com os árbitros como se lhes reconhecesse algum mérito e depois no fim perguntou-me quem eram. São só mais uns, Sérgio, só mais uns. Mas nós somos mais fortes.