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Lá Em Casa Mando Eu

Aqui há Bradley Cooper, há Guantanamo e há até sapos de avançados que viram príncipes de área (tudo compilado por Lá Em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira está preocupada na medida em que já lá vão 7 dias deste ano e em 2018 ainda não conseguiu escrever qualquer texto elogioso ao Senhor Comendador Danilo. Diz também que lhe parece absolutamente normal pedir bilhetes para ver Brahimi jogar, isto se estivermos a falar de membros do Governo, elementos da Academia Bolshoi ou do Circo de Monte Carlo. Olheiros de equipas com dinheiro é que não

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG/Getty

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José Sá

O FC Porto fez uma péssima primeira parte e uma ótima segunda, o que nos pode levar a crer que Sérgio Conceição fez uma grande palestra ao intervalo, ou que Pedro Martins falou no balneário, levando ao compreensível efeito de adormecer todos os seus jogadores. Quanto a José Sá, hoje não fez nenhuma defesa. E sofreu dois golos. Para a próxima vamos tentar ao contrário.

Ricardo

Algumas boas incursões ofensivas - inclusive na assistência para o quarto golo – e outras tantas recuperações defensivas podem não chegar para apagar a maneira como foi comido no primeiro golo do Vitória (há fora de jogo do adversário, mas já ninguém se chateia com isto, vá). Espero que, desta vez, Sérgio Conceição abra uma exceção na política de decretar banco, extradição e Guantanamo para quem comete algum erro.

Reyes

Felipe é um central que mostra ao avançado que aquele espaço é proibido e que está ali por sua conta e risco, sozinho contra ele. Reyes não dispõe deste tipo de argumentos, mas parece convencer – pela via argumentativa – os adversários a deixarem ali a bola porque o FC Porto precisa dela. No entanto, não subiu tanto como devia no primeiro golo do Vitória (deixando o adversário apenas um joelho fora de jogo, e não os habituais cinco metros que dão para o assinalar, à exceção dos jogos contra o Benfica). E foi dele o mau passe que deu o segundo golo deles, numa altura em que o público do Dragão gritava olés, que como toda a gente sabe tem sempre o efeito contrário do de dar duas voltas a uma rotunda em Alverca.

Marcano

Tem mais em comum com Reyes do que com Felipe: são ambos altos e elegantes, demoram menos tempo a pentear-se do que o brasileiro, falam a mesma língua e não gostam de renovar contratos por dá cá aquela palha.

Alex Telles

É o melhor batedor de bolas paradas do FC Porto e hoje a equipa resolveu bater vários lances destes “de forma estudada”. Os lances “estudados” serviam para Alex Telles dar a bola a companheiros, que centravam ora mal, ora sem força, ora sem colocação. Imagino que isto resulte nos treinos - contra pinos, ou se for o Rui Barros a fazer de central adversário -, mas no jogo simplesmente não faz sentido. É como se o Bradley Cooper se convencesse que só fica giro maquilhado. Não vale a pena, a sério. Vamos voltar ao natural.

Danilo

Jogou bem.

(Estamos a 7 de janeiro e em 2018 eu ainda não escrevi nenhum texto a elogiar o senhor comendador de forma a parecer que tenho por ele uma estima acima do normal. O tempo passa rápido, realmente.)

Óliver

Regressou à titularidade porque Herrera ainda está castigado (já nem me lembro o que ele fez, mas concordo com este tipo de penas para os duplos homicídios) e tentou agarrá-la como sabe: algumas desmarcações, outros tantos bons passes e meia dúzia de asneiras só para ver se alguns não se esquecem do André André e do Sérgio Oliveira. Aos 77 minutos, ouviu uma salva de palmas quando tocou uma bola que vinha alta de calcanhar para um colega. Um lance que Herrera costuma fazer duas ou três vezes por jogo, quando não está a cometer duplos homicídios.

Corona

Fez uma primeira parte tão horrível que eu não estava a conseguir focar-me no péssimo jogo coletivo da equipa. Exigi, como é óbvio, a sua substituição, e demorei três repetições a acreditar que ele tinha mesmo feito aquele cruzamento para o nosso primeiro golo. Como o treinador não teve acesso à mesma tecnologia do que eu, saiu pouco depois.

Brahimi

Ao intervalo foi apanhado a falar para o árbitro, mas as câmaras desta vez não captaram o que disse: “NÓS VAMOS GANHAR”, acompanhado de um gesto que significa “sou maluco por achar que isso vai acontecer se continuarmos a jogar assim”. Felizmente, as coisas mudaram e o golo que acabou por marcar sintetiza o campeonato que tem feito: eletrizante, empenhado, talentoso. Esta semana soubemos que o ministro das Finanças, Mário Centeno, pediu bilhetes para ver o Benfica-FC Porto e ficou tudo muito chocado. Como se fosse condenável que chovam pedidos de bilhetes para ver Brahimi de todos os membros de um Governo, júris do prémio Nobel, elementos da Academia Bolshoi, membros do Circo de Monte Carlo e de toda a gente com bom gosto do mundo (mas nunca de olheiros de equipas com dinheiro).

Marega

Sofreu um penálti logo aos 9 minutos que podia ter dado outra história ao jogo, nomeadamente ter acalmado a palestra do treinador ao intervalo, pelo que agradeço à equipa de arbitragem essa decisão mais ponderada do que o meu grito de injustiça na altura. Na segunda parte, depois de um choque de cabeças com um jogador do Vitória, marcou dois golos à Mário Jardel. Agora é só afastá-lo do álcool, do Sporting e das drogas.

Aboubakar

Marcou mais um golo e continua a bater recordes na melhor época da sua carreira. Diz a fábula dos Irmãos Grimm que uma princesa fica a viver com um sapo, pelo qual se acaba por apaixonar (não havia Tinder naquele tempo, coitada) e, ao beijá-lo, este transforma-se num príncipe (momento que tinha tudo para ser viral hoje em dia). Não sei quem foi a princesa que beijou o sapo de avançado que era Aboubakar e que o transformou neste príncipe da área, mas é ela que merece todos os beijos.

Hernâni

Fez um belo cruzamento para o terceiro golo. E é rápido.

Layún

Foi visto a fazer um gesto com os dedos que podia indicar que estava só um bocadinho fora de jogo, que o colega lhe tinha passado a bola um bocadinho mais tarde do que era suposto ou que já esteve um bocadinho mais perto da titularidade.

Soares

O ano passado pareceu-nos a última coca-cola no deserto, mas agora temos Aboubakar e Marega. E nós vamos ganhar.