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Liverpool é fria, cinzenta e o Lá em Casa Mando Eu supõe que aquele "You'll Never Walk Alone" em Anfield não tenha assim tanta piada

Esta crónica chegou à Tribuna Expresso com “ou seja lá qual foi a equipa que jogou contra o Liverpool” no título do email, o que já diz muito sobre o que Catarina Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, quis dizer sobre a goleada sofrida pelo FC Porto, essa tal equipa

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

Robbie Jay Barratt - AMA

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José Sá

Pensei muito antes de começar a escrever isto, porque é algo difícil juntar palavras neste momento, quanto mais com algum sentido. Aproveito, então, para sublinhar que o que nos interessa é o campeonato, no qual temos vindo a fazer um excelente trabalho, porque não temos tantas armas como os outros, mas temos um treinador que nos sabe unir e motivar para um título que tem de ser nosso.

Dito isto, não é de todo admissível que uma equipa do FC Porto se preste a um resultado destes. E notem que estou quase a acabar a análise à exibição do José Sá sem abordar propriamente a exibição do José Sá. Digamos que sofri um frango ao admitir um dos piores resultados da nossa história europeia. E que fui contornada pela dura realidade da grande diferença entre a nossa equipa e a do Liverpool. E que defendi umas bolas para o lado em vez de afastar o perigo que é escrever sobre isto. Talvez eu não tenha tido culpa em tudo o que aconteceu de mal hoje, por isso lembrem-se que eu ando a treinar muito bem desde o início da época.

Ricardo Pereira

Tenho a vaga ideia de ser um lateral rápido, com um grande cariz ofensivo e capaz de contornar adversários com relativa facilidade. Vou tentar rever esses conceitos no próximo jogo, já tenho saudades deles.

Diego Reyes

Teve uma daquelas noites ingratas, quando parece que se faz tudo em prol de um objetivo, se luta muito, se tenta cobrir espaços e apanhar gajos vestidos de cor-de-laranja ou lá o que era aquilo e o que nos acontece é, assim resumidamente, levar cinco em casa.

Ivan Marcano

Toda a gente sabia que iria ser muito difícil travar um trio atacante composto por Salah, Firmino e Mané. Portanto, isto era inevitável. Não dava para evitar que a bola lhes chegasse tantas vezes em boas condições, muitas até em superioridade numérica. Não dava para lhes antecipar um movimento, fazer um corte, levar com umas bolas nas partes íntimas sacrificando o bem-estar familiar em vez de abrir as pernas e sofrer mais um. Era impossível, mesmo. Quando não dá, não dá. Temos de aceitar. E eu estou a aceitar muito bem. Muito bem, juro. Estou ótima. Super sã, até estou orgulhosa de mim. Nem me repito muito, como podem ver. E podia continuar aqui imensos caracteres a tentar convencer-vos disso, mas parece-me que já chega.

Alex Telles

Se bem me lembro, é um lateral que sobe bem no campo e que marca exemplarmente bolas paradas. Vou tentar rever esses conceitos no próximo jogo, já tenho saudades deles.

Herrera e Sérgio Oliveira

Atenção, porque o que eu vou dizer pode chocar os leitores mais sensíveis. Aviso desde já que vem aí uma análise muito bem fundamentada e capaz de arrasar com os alicerces de tudo o que vocês julgavam saber sobre futebol. Advirto ainda que talvez nem todos estejam à altura de tamanho momento. Prontos? Ok, vamos a isto: o Liverpool não é o Chaves.

Otávio

Foi dele a primeira oportunidade do FC Porto, aos 10 minutos, com um remate pouco por cima da barra que foi a pior coisa que nos aconteceu esta noite, porque criou a ilusão de que estávamos a disputar a eliminatória. Para a próxima, recomendo a Otávio que, aos 10 minutos, decida executar uma atividade que não provoque em mim sensações de euforia ou excitação, como um simples passe para o lado no meio-campo, passear o cão ou rapar o cabelo oxigenado, admitindo que esta última não me seria totalmente indiferente.

Brahimi

Teve uma das suas melhores noites europeias, com um domínio da invisibilidade ao melhor nível técnico, bastantes fintas psicológicas ao resultado e assistências milimétricas para a saída das competições europeias. Perdeu ainda bolas suficientes para nos garantir que nenhum clube inglês chega cá e nos leva o melhor jogador do campeonato. Ufa, nem tudo foi assim tão mau! Saiu mais cedo porque é o título nacional que nos interessa, ao contrário do Liverpool, que não ganha um há quase 30 anos. EMBRULHEM, BIFES!

Marega

Começou o jogo a ganhar algumas bolas em esforço perante a defesa do Liverpool e houve mesmo ali uma colocação ao nível físico que me levou a acreditar que poderíamos hoje assistir a um jogo histórico, que não ficasse marcado pelas suas perdas de bola e inutilidade no ataque. Resumindo: enganei-me.

Soares

Foi o protagonista do remate mais perigoso da nossa equipa, aos 44 minutos, quando ainda havia um ou dois portistas com menos de 6 anos de idade que acreditavam na passagem aos quartos. Fora isso, foi mais ou menos anulado por um central cujo nome não consigo pronunciar, mas que sei que custou 85 milhões de euros. Enfim, se não vamos ser exigentes com o nosso avançado perante esta pechincha, então não sei o que andamos aqui a fazer!

Corona

Bem, pessoal, nada de desanimar. Vamos reunir as tropas e melhores dias virão. Vai daqui, desde já, um forte abraço aos adeptos que ficaram até ao fim no Dragão para dar força à equipa para o que aí vem. Um belo exemplo do que queremos - aliás, exigimos - para esta época. A quem tem viagem e bilhete para Liverpool: posso aconselhar-vos museus, bares e outros locais para passarem o tempo lá. AH! AH! AH! Estou a gozar. Liverpool é fria, cinzenta e aquele "You'll Never Walk Alone" de Anfield suponho que não tenha tanta piada quando já levamos cinco daqui.

Waris

Não acredito que algum portista esteja interessado em ler algo sobre esta noite, por isso, se por esta altura ainda continuam aqui, devem ser de um clube que já não está na Liga dos Campeões. Pois é, nós levámos cinco porque estamos lá. Ou estávamos. Não sei se ainda conta. Mas vocês perceberam. Eu arrasei-vos com este argumento. Vocês devem estar a sentir-se mesmo mal por serem de um clube que não está na Liga dos Campeões para levar cinco em casa! AH! AH! AH! CHUUUUPEEEEMMMMM!!!

Gonçalo Paciência

Entrou em campo quando estava 0-4, a tempo, portanto, de ver o quinto. O cenário só podia ser pior se depois ainda o obrigassem a escrever um texto humorístico sobre isto. AH! AH! AH! Que ideia absurda.

  • Então é esta a sensação de ser engolido pela pressão

    Liga dos Campeões

    O FC Porto sofreu a maior derrota em casa e a pior na sua história para as competições europeias com o Liverpool, que atirou os dragões para fora da Liga dos Campeões (com 90 minutos ainda por jogar) apertando-os sempre no mesmo momento: assim que recuperava a bola e nos contra-ataques. E, mais do que a diferença de um 0-5, foi o quão diferentes eram os andamentos das duas equipas