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Lá Em Casa Mando Eu

Se um dia o FC Porto decidir usar Maxi contra a comunicação social, talvez o exército os safe, mas o Lá em Casa Mando Eu não tem a certeza

Porque o lateral uruguaio continua obstinado e com a habitual entrega, portanto, igual a si próprio, e a Catarina Pereira, metade portista do Lá em Casa Mando Eu, vê-o como a melhor hipotética arma a usar, um dia, pelo FC Porto, enquanto não vê motivo para deixar de “gozar” com as tentativas de Herrera em tentar “um grande momento de futebol

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

FRANCISCO LEONG

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Iker Casillas

Já sabíamos que a noite de quarta-feira não tinha sido fácil para ninguém, mas não adivinhávamos que, desde essa altura, Iker Casillas tivesse realizado excelentes treinos, recuperando assim a titularidade perdida há tantas jornadas. Há pessoas assim, que só se sentem realmente motivadas nas profundas adversidades, e nós temos de aceitá-las como são. Destaco hoje duas defesas, aos 48 e 55 minutos, a remates de João Novais, o que talvez queira dizer que podíamos não ter levado cinco do Liverpool com Casillas na baliza, ou talvez queira dizer que podíamos não ter levado cinco do Liverpool com João Novais a rematar pelo Liverpool.

Maxi Pereira

A lesão de Ricardo parece ser mais um resultado de um futebol de muito esforço e sempre no limite físico, o que seria preocupante se estivéssemos em muitas frentes e com um plantel fraco. Bem, pelo menos um destes problemas ficou resolvido recentemente. Quanto a Maxi, a habitual entrega e obstinação. Se um dia o FC Porto decidir usar Maxi contra a comunicação social, não é o sindicato que os safa de certeza. Talvez o exército, mas mesmo assim tenho dúvidas.

Felipe

Alguns dos últimos resultados podem fazer-nos esquecer disto, mas o Rio Ave de Miguel Cardoso tem muitas qualidades: a ideia de jogo, o futebol de posse, a qualidade na saída de bola, zzzzZZZzzzz. Acorda, Felipe, ganhámos 5-0!

Marcano

Correu que nem um louco, aos 24 minutos, para cortar um remate de Guedes, que lhe chegou por via de um mau passe de Francisco Geraldes, que por sua vez tinha recebido um excelente passe de Herrera numa zona perigosa do nosso meio-campo. Vimos Marcano aflito para travar esta jogada, certamente porque não sabia o que Herrera teve sempre controlado: que mais vale entregar uma bola a Francisco Geraldes do que um livro de Saramago.

Alex Telles

Fez mais duas assistências para golo e ainda protagonizou o corte ao ataque mais perigoso do Rio Ave, por volta do minuto 40. Enfim, um dia normal para Alex Telles. Acabou por sair mais cedo porque bem precisa de descansar para os próximos 45 minutos das nossas vidas, em que vai jogar-se muito deste campeonato e ainda um pouco de Engenharia Civil.

Herrera

Correu muito, evitou várias saídas do Rio Ave e continua a aparecer na grande área adversária com a confiança de quem sabe que um dia ainda vai ter um grande momento de futebol. E nós, se esperámos já quatro anos por isso, também não é agora que o vamos convencer do contrário. Aos 60 minutos, por exemplo, apareceu do lado esquerdo do ataque, fintou um adversário, puxou a bola para o pé direito e cruzou muito mal. E nós, se até vimos que a bola ainda bateu num jogador do Rio Ave para ganhar aquele efeito merdoso, também não é agora que vamos deixar de o gozar por isso.

Sérgio Oliveira

Acalmou os portistas que achavam que um péssimo resultado na Liga dos Campeões podia afetar a nossa exibição esta noite, com um remate bem colocado, logo aos 2 minutos, sem hipótese para Marega desviar. Acho que Sérgio Oliveira se tornou muito útil ao FC Porto, porque, olhando para ele, podemos perceber de imediato em que competição estamos: se é um dos melhores em campo, é muito provável que seja só o campeonato português.

Corona

Ajudou várias vezes em tarefas defensivas e esteve mais certeiro do que o habitual no ataque. Após o primeiro golo de Soares, sentou-se com ele no relvado e imitaram aquele que me pareceu um gesto técnico conhecido como “jogar Playstation”, respondendo à dúvida que tenho na maioria dos jogos: mas em que raio de atividade o Corona é bom o suficiente para ser titular no FC Porto?

Brahimi

Esteve perto de marcar algumas vezes, mas continua demasiado cansado para ter o discernimento necessário para o fazer. No entanto, está com a forma física suficiente para fintar adversários e desmarcar companheiros, mesmo que continue a sofrer faltas durinhas como a que lhe fez Tarantini, já no fim da primeira parte e quando já tinha cartão amarelo. Curiosamente, nem Brahimi nem nenhum jogador do FC Porto – que eu tenha reparado – pediram a expulsão. Não sei se os meus rapazes não leem jornais, nem veem televisão, mas lá que parecem meio alheados da realidade, parecem.

Marega

Marcou um golo aos 72 minutos, de cabeça, mostrando que continua sem ter que fazer muito para nos levar ao delírio. Antes, por volta dos 34, nunca saberemos se pretendia cruzar ou colocar a bola em arco naquele lance que deu o terceiro golo – até porque o gesto técnico de Marega para ambos os efeitos seria o mesmo. O que é certo é que Marcelo meteu a bola lá dentro e eu quero que fique aqui registado – caso daqui a uns anos este jogo seja investigado – que o Marcelo até foi dos melhores em campo!

Soares

Logo aos 14 minutos, Tarantini travou-o quando seguia sozinho em direção à baliza, mas o jogador do Rio Ave só viu cartão amarelo, porque afinal de contas se trata de alguém que tirou um mestrado e escreveu um livro. Azar do Soares, que não é ninguém na vida e só sabe marcar golos, conforme fez pouco depois e já no fim da partida, desta feita com a preciosa ajuda do VAR, tecnologia que trouxe finalmente a verdade desportiva e a paz que o futebol português tanto precisava.

Óliver

Entrou para o lugar de Sérgio Oliveira, que por sua vez saiu debaixo de uma grande ovação do público do Estádio do Dragão. E eu juro que, se não tivesse visto os últimos três ou quatro jogos do FC Porto, mandava desde já distribuir medicação aos associados e simpatizantes do meu clube.

Diogo Dalot

É bom ver entrar uma grande esperança do futebol português, sobretudo quando já se está a ganhar por tantos e não há nada a temer.

Hernâni

É rápido.

  • Chapa ganha, chapa gasta

    FC Porto

    Encaixado um 0-5, ganhou-se por 5-0. Cindo dias após ser goleado pelo Liverpool, na Liga dos Campeões, o FC Porto goleou o Rio Ave e teve a melhor ressaca que poderia ter desejado