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Lá Em Casa Mando Eu

Um Iker Casillas que pouco teve que fazer além de existir, um pedido a Alex Telles, um Lá em Casa Mando Eu com ligação emocional a Marega

Catarina Pereira esteve no Estoril e esclarece que foi mesmo Iker Casillas o titular da baliza do FC Porto esta quarta-feira, apesar de um senhor na bancada ter gritado "VAI, SÁ!”, criando, por momentos, alguma dúvida entre os adeptos dos dragões. Admite ainda estar rendida a Herrera, por quem deu até um gritinho de excitação na jogada do 3.º golo. Já Hernâni, continua rápido

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

fotopress/Getty

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Casillas

Admito que a pergunta “Onde é que tu estavas no dia 15 de janeiro?” não terá o mesmo impacto da célebre “Onde é que estavas no 25 de Abril?”, mas para Iker Casillas a resposta não é fácil. Estava no banco, como suplente de um jovem guarda-redes mal batido no primeiro golo desta partida. Entretanto, muita coisa muda em nove minutos, quanto mais em 37 dias. O espanhol é, agora, de novo e naturalmente, o nosso guardião e hoje pouco teve que fazer além de existir, o que nem sempre conseguiu, porque um senhor que estava na bancada atrás de mim disse um “VAI, SÁ!” tão convincente que, por momentos, duvidámos todos do que estava a acontecer em campo. Penso que alguém o terá corrigido na altura, mas também escrevo aqui precisamente com o intuito de contribuir para o esclarecimento: foi o Casillas que jogou, Iker Casillas.

Maxi Pereira

Uma pessoa sabe que uma equipa do FC Porto é extremamente competente e assenta sobretudo na raça quando Maxi Pereira é só mais um maluco que anda para lá a correr, a recuperar bolas e a arreganhar os dentes como se a nossa vida dependesse destes 45 minutos. Se Maxi não se destacou nisto, é melhor saírem-nos da frente. Em sentido figurado. Porque nós já estamos na frente. Vocês perceberam.

Felipe

Quero aqui, desde já, endereçar os meus sentimentos à família do guarda-redes do Estoril pelo seu breve falecimento num contacto com Felipe quando o FC Porto ainda estava a desvantagem no marcador e congratular-me pela sua rápida recuperação quando o FC Porto lhes enfiou três de seguida e já não fazia muito sentido perder tempo.

Marcano

A marcação de um jogo para uma quarta-feira, às 18h, a 300 quilómetros da equipa visitante, mais uma troca de bilhetes cuja organização do Estoril foi, no mínimo, muito caricata, desmotivaram cerca de 5 ou 6 portistas a estar hoje presentes na Amoreira. Marcano, pelo contrário, desta vez decidiu aparecer. E foi bom, não foi?

Alex Telles

Confesso que hoje estava preparada para tudo: para perder o jogo, para ruir uma bancada, para não ser beneficiada pelo VAR com influência no resultado. Mas não estava preparada para perder Alex Telles. Estamos numa fase da época em que só me apetece gritar: podem ficar com os reforços, com o comendador, com o melhor marcador, mas não fiquem com ele. Com ele, não. Por favor. Precisamos daqueles cantos, daqueles livres e cruzamentos, das muitas assistências. Pára de chorar, Alex, não consigo mais olhar.

Herrera

Parece que há uma relação entre o afastamento de Danilo e a consequente mudança posicional de Herrera, com a melhoria da qualidade exibicional deste. Não serei eu a explicá-la, porque não percebo como o afastamento de um comendador melhora a vida de alguém. Mas estou rendida a este Herrera: recuperou bolas que foi um fartote (na que dá o terceiro golo provocou-me um gritinho de excitação que penso nunca ter tido com ele), apareceu muito forte na área adversária e limpou o meio-campo do Estoril como se o vento estivesse a favor dele e apenas dele. Hector, faltam 11 finais para me provares que não és tu que andas a dar azar nos últimos 4 anos. Vamos lá.

Sérgio Oliveira

Talvez este texto não seja o mais elucidativo que encontrem hoje, mas também não sei explicar como é que o Sérgio Oliveira encaixa tão bem em determinado tipo de jogos. Dá-me ideia que, quando já nem sabemos bem porque é que certos jogadores conseguem cumprir certas tarefas, há de haver aqui algum dedo do treinador.

Corona

Estou para aqui a pensar que talvez tenha que rever a minha atitude perante o futebol direto, que não perde tempo com muitos pensamentos e assenta sobretudo no chuto para a frente que alguém há de chegar. É que Corona, por exemplo, encaixou bem neste esquema, até também ter saído lesionado. Não dará para chorar como com o Alex, mas depois vem o Hernâni, por isso pensem.

Brahimi

Depois do jogo, ouvi na rádio o treinador do Estoril a dar um dos maiores sermões de sempre aos seus jogadores por não terem sido “intensos”. Uma observação que achei deveras injusta para Victor Andrade, que tentou dar, intensamente, uma cabeçada em Brahimi, tendo visto o respetivo cartão amarelo por uma intensa tentativa de agressão. O argelino também viu – e bem – o cartão amarelo, por não ter efetuado um pedido de desculpas bem intenso ao ter ajudado a apagar a intensidade que o ex-jogador do Benfica estava a tentar colocar em campo. São cinco pontos de intensa vantagem, mas até ao fim sabemos que vamos ter muitos duelos intensos destes.

Marega

Estas coisas de retomarmos um jogo a meio baralham-me. De repente, vi a equipa do FC Porto a entrar sozinha em campo, sem adversário, sem equipa de arbitragem, sem raparigas que a Liga acha essencial ter semi-vestidas ali ao lado. E de repente a bola já estava a ser jogada e Marega aparecia em boa posição para rematar. Não marcou, nem dessa nem de nenhuma vez, o que normalmente me parece uma coisa lógica, mas lutou muito e foi essencial na pressão intensa que fizemos no ataque. Não sei como vai ser quando Aboubakar voltar, porque Soares agora está imparável. Sinto que estou demasiado ligada a Marega emocionalmente para perder aqueles sprints e fintas confusas que às vezes acabam mesmo bem.

Soares

Saí do estádio convencida que tinha feito um hattrick, mas depois vi a conta do Sporting no Twitter e percebi que afinal o primeiro golo foi do Alex Telles. Agradeço imenso e agora já percebo como estão bem servidos de informação os adeptos deste clube! Ainda assim, excelente exibição do nosso Tiquinho, a encostar as bolas necessárias para fazer os outros chorar e mudar de canal. Ou não, porque não estavam a ver. Não podem :(

Dalot

Não posso ficar satisfeita por alguém ter de entrar para substituir Alex Telles, mas só a maneira como festeja um golo do FC Porto é razão mais do que suficiente para ser titular já no próximo domingo.

Hernâni

É rápido.

André André

Não é rápido, mas tem outras qualidades, que agora prefiro não destacar porque só mesmo o árbitro João Capela ainda estará interessado em que este texto continue.