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Lá Em Casa Mando Eu

Lá Em Casa Mando Eu atrasou-se na análise ao Portimonense-FC Porto porque ficou à espera das capas dos desportivos sobre o jovem Dalot

Catarina Pereira sabia que o FC Porto ia "facilitar um bocadinho", já que o Portimonense emprestou Paulinho aos dragões e havia que retribuir o favor, mas mesmo assim os portistas venceram por 5-1 – e Casillas teve um “momento Jhonatan”

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

Gualter Fatia

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Casillas

Tendo o Portimonense emprestado ao FC Porto um dos seus melhores jogadores, já se esperava que os dragões tivessem de facilitar um bocadinho esta noite, cumprindo uma longa tradição do futebol português. Daí Iker Casillas ter saído mal da baliza logo ao minuto 9 (19 para João Capela), tentando possibilitar que os homens da casa se adiantassem no marcador. Felizmente, a bola acabou por bater contra ele na mesma e foi depois definitivamente afastada por Felipe. Seguiram-se alguns encaixes seguros do nosso guardião e, já depois do minuto 90 (999990 para João Capela), um longo sermão a Otávio por ter feito a falta que deu o golo do Portimonense. Foi o chamado "momento Jhonatan" de Casillas, esquecendo-se que entretanto tínhamos marcado 5.

Maxi

Esteve presente em muitos dos momentos ofensivos da equipa e foi dele a assistência para o terceiro golo da noite, embora já se saiba que qualquer um corre o risco de fazer uma assistência para golo quando se tem Moussa Marega na área a rematar. Lá para trás, sabia-se que ia ter muito trabalho a marcar Nakajima, um avançado mais novo, mais rápido, mas muito menos Maxi. Exemplo disso o lance ao minuto 21 (31 para João Capela), quando o japonês o passou finalmente em velocidade e rematou ao lado para, logo na jogada a seguir, sentir um encosto de Maxi que o levou até ao chão. Minuto 25 (35 para João Capela) e o cenário repetiu-se. E Nakajima, demonstrando uma enorme perspicácia que será sempre de saudar dentro do espírito positivo do futebol, desistiu de ultrapassá-lo em velocidade.

Felipe

Não teve muito trabalho esta noite, sobretudo porque não complicou e foi afastando sempre os lances de perigo do Portimonense. Ainda assustou quando torceu um joelho, mas é rijo e continuou em campo sem mazelas ou queixas. Parece que está definitivamente de volta a nossa dupla de centrais e, ainda por cima, com Felipe sem danos emocionais da perseguição que alguns lhe fizeram.

Marcano

Foi o polícia mau da nossa dupla de centrais, lutando muito com Fabrício. Entre empurrões, braços no ar e boladas no corpo, deu ao avançado do Portimonense a sensação de que estava a ganhar o duelo, mesmo que não lhe tenha dado grandes hipóteses. É um truque de ilusionismo que Marcano, aliás, utiliza muitas vezes: parece que é um lingrinhas muito zen, mas afinal é um dragão. No final, vimos Sérgio Conceição a dar-lhe uma chapada naquela roda da equipa, transmitindo fisicamente a vontade que todos temos ao não o vermos renovar contrato.

Dalot

Não há portista que não tenha ficado aliviado com a notícia de que a lesão de Alex Telles não é grave. O lateral brasileiro, já se sabe, vale muitos golos e resolve várias partidas com as bolas paradas. No entanto, se há coisa que já aprendemos com o FC Porto de Sérgio Conceição é que qualquer um está sujeito a uma lesão, e que qualquer um é substituível por isso mesmo (ou porque não treina bem). Ora, e no primeiro jogo sem Alex Telles, apresentou-se Diogo Dalot: tem 18 anos, estreou-se a titular no FC Porto no campeonato e fez duas assistências para golo. Já vi capas de jornais desportivos com grandes elogios a um jovem por muito menos.

Herrera

Por falar em lesões que nos deixaram excessivamente preocupados, lembram-se de Danilo? Médio defensivo, comendador, intelectual, ativista, fio condutor das minhas análises na Tribuna Expresso? Pois, ele existe, mas Herrera, justiça seja feita, tem feito de tudo para que o esqueçamos. Fê-lo esta noite, mais uma vez, e saiu mais cedo para garantir que o pode fazer novamente na sexta-feira (e neste momento estou a fazer o pino, enquanto bebo um chá de mirra com dentes de vampiro e bato três vezes no canto inferior direito da minha sala, para afastar qualquer hipótese de esta pequena observação dar azar).

Sérgio Oliveira

Fez imensas recuperações de bola, marcou bem as bolas paradas e tem um papel cada vez mais importante na ambiguidade dos meus pensamentos. Ao minuto 29 (39 para João Capela), cortou uma bola na nossa grande área com imensa paz e serenidade, passou-a para Herrera, que estava muito perto dele e, portanto, ainda na nossa grande área, e executaram ambos uma saída de bola calma, tranquila e pensada, a lembrar, obviamente, o Barcelona de Xavi e Iniesta. Enfim, fico-me por aqui antes que pareça exagerado.

Otávio

De vez em quando, os astros alinham-se e ocorre este fenómeno em que Otávio é visto a ajudar a equipa na defesa, a transportar a bola com critério no meio-campo e a aparecer no ataque para finalizar. Marcou, aliás, o golo número 100 do FC Porto esta época, resumindo muito bem o que esta tem sido: passe de um avançado que não é fantástico mas às vezes até parece, para um médio que não é fantástico (e tem o cabelo estragado) mas às vezes até parece, e uma vitória fantástica daquele que parece e é o primeiro classificado.

Brahimi

O crescimento exibicional da equipa tem correspondido a um menor destaque de Brahimi, mais habituado a ter de desbloquear aqueles jogos em que nos apercebemos que o plantel não é assim tão rico e que Marega é só uma espécie de Lukaku, mas mais rápido. Mesmo assim, não consegue apagar-se totalmente e lá marcou o quinto golo da noite.

Soares

Marcou mais golo, de cabeça, a cruzamento de Dalot, mas saiu, aos 70 minutos (80 para João Capela), agarrado à coxa, deixando-nos novamente entregues aos rituais de oração e macumba. O treinador não arriscou e tirou-o de imediato. Desta vez, à saída, Soares cumprimentou Sérgio Conceição e não o insultou, o que me preocupa bastante, porque pode afetar exibições futuras do nosso avançado brasileiro.

Marega

Não precisou de mais de 45 minutos para bisar e resolver a partida, uma boa notícia para todos os estádios com bancadas a cair que nos obriguem a adiar segundas partes. O primeiro foi logo aos 10 minutos (20 para João Capela), assistido por Soares; o segundo foi aos 44 (54 para João Capela), com assistência de Maxi. Em ambos os casos, rematou a bola de primeira e bem colocada para dentro da baliza, num gesto técnico que, se a mim me deixou um pouco atónita, imagino aos meus rivais que estavam a ver o jogo (mesmo contra as ordens do seu líder) e costumam aproveitar para gozar Marega como se fosse um cepo. Atenção: não estou a embandeirar em arco e a aproveitar esta exibição para defender que o nosso Marega não é um cepo. Não, ele é, muito resumidamente, isso mesmo. Agora, se o nosso cepo consegue resolver um jogo com dois remates de primeira bem colocados, imaginem o que nós somos ainda capazes de fazer.

Óliver

Entrou com o jogo já resolvido e, ao contrário de Hernâni, não se concentrou em si próprio, preferindo deixar a equipa continuar a brilhar.

Hernâni

É rápido.

Waris

Ao contrário de Hernâni, não entrou para tentar marcar um golo incrível, que desse muitas visualizações nas redes sociais.