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Lá Em Casa Mando Eu

A Bola de Ouro para Marega, o long post de Bruno de Carvalho e... Bombeiros, Cu Bo Ti Fim do Mundo (por Lá em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira descreve o que viu, in loco, dos seus rapazes. Uma análise individual e parcial, como se quer, de uma adepta que distribui laudos por toda a gente. Menos para Reyes

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

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Casillas

A defesa ao remate de Montero foi o momento do jogo, talvez do campeonato. Deitado no chão, com um ar tranquilo e, no olhar, o desprezo de quem olha para 16 anos de jejum como quem nem sequer percebe como se pode ser de um clube tão perdedor. Casillas foi ainda cavalheiro o suficiente para estender a mão ao avançado, que a recusou, o que não se entende, pois seria o mais próximo que estaria de tocar em vários troféus.

Maxi Pereira

Enfrentou Fábio Coentrão mostrando que as pessoas podem vir de situações passadas complicadas, crescendo em clubes problemáticos e até um pouco nojentos, mas que esse passado não determina automaticamente essas mesmas pessoas. Maxi tornou-se um cidadão exemplar, cumpridor, pagador de impostos e educado. Coentrão tem o cabelo amarelo, pouco ou nada evoluiu em termos de personalidade e agora até ataca os bombeiros, esses heróis, provando que nem sequer sabe viver em sociedade.

Marcano

Estás feito um central à Porto, hombre! Marcou o primeiro golo e foi uma âncora importante na fase final, quando a equipa resistia contra as cordas. Assina lá a renovação, onde é que pensas que vais?

Felipe

Há vários lances em que Felipe sai da zona central e persegue um adversário até que este acaba encostado na linha lateral, a fazer uma coisa inofensiva qualquer. É como se o nosso central enxotasse as pessoas para fora da área, como o porteiro de discoteca que vê uma pessoa a portar-se mal. Este tipo de prevenção, que faz prevalecer uma certa etiqueta na nossa área, resultou a maior parte do tempo. No fim, quando o Sporting despejava bolas para a área, Felipe juntou-se a Marcano e enxotou a bola da zona indesejada. No fundo, Felipe é um tipo prático, territorial e simples e que provavelmente chutava para longe todas estas apreciações.

Diogo Dalot

Apesar do apelido sportinguista (a acabar em consoante e sem “e”, ainda nem sei como é que se diz mesmo, não estou habituada a isto), mostrou sangue na guelra e qualidade. Faltou um bocadinho de clarividência no lance do golo deles, quando devia ter fechado, mas estamos a falar de uma pessoa com 18 anos, pouco mais velha do que o último campeonato do nosso adversário de hoje, portanto tudo se perdoa.

Sérgio Oliveira

Muito trabalho no meio-campo, uma vez que o Sporting apareceu quase sempre em superioridade numérica e muitas vezes física. Não conseguiu ser aquele Sérgio Oliveira a que estamos habituados, a chegar primeiro do que o adversário ou a recuperar a bola com facilidade. Viram como eu falei do Sérgio Oliveira como se sempre soubéssemos que podíamos contar com ele para isto? Realmente, Sérgio Conceição tem feito milagres, até comigo.

Herrera

Fez a assistência para o primeiro golo com classe e para o sítio certo. Também sofreu muito para tentar travar o meio-campo do Sporting e resolveu quase sempre bem, a não ser daquela vez em que chutou a bola e ela não foi a lado nenhum, ou daquela vez em que lhes passou a bola e lançou um contra-ataque perigoso, mas isto também se não fosse assim nem tinha piada.

Otávio

Já não tem aquele penteado de super-guerreiro e o facto de hoje ter perdido o fulgor das últimas partidas não pode ser totalmente alheio a isso.

Brahimi

Sofreu perto de 150 faltas, mas tenho a certeza que se durante a noite Battaglia lhe acertar outra vez nos calos vai ser avisado de que pode até levar um cartão amarelo por isso. Marcou o golo da vitória e, depois de o gritar a Fábio Veríssimo, desta vez gritou ao público do Dragão: “Nós vamos ganhar!” És lindo, Yacine.

Gonçalo Paciência

Grande trabalho na assistência para o segundo golo e muita luta contra dois centrais muito fortes. É bom saber que o nosso Domingos constituiu família e lhe deu o rumo certo. Ao ritmo de lesões dos nossos avançados, ainda vamos acabar a telefonar ao Kostadinov, a saber se tem um filho que saiba marcar golos.

Marega

Quando o Dragão chora uma lesão do Marega e os adeptos cantam em uníssono o nome do avançado, não há volta a dar: estamos dispostos a tudo para ser campeões. Se for preciso, escreveremos petições online a pedir-lhe a Bola de Ouro. Seremos capazes de jurar, durante gerações, que Moussa foi o avançado com mais técnica que já jogou este campeonato. Estamos unidos e, provavelmente, hipnotizados.

Corona

Falhou oportunidades, cruzamentos, passes, não segurou bem a bola... Vá lá, no final acertou na roda dos companheiros e não foi festejar com os de verde, nem tudo foi mau.

Aboubakar

A nove jornadas do fim do campeonato, penso que ainda há tempo para se lesionar, Soares recuperar, Aboubakar voltar novamente, ter uma recaída física, Marega regressar em grande, Soares rasgar um músculo, Aboubakar substituí-lo e Marega partir um osso. Não estou preocupada com a nossa situação física, nada mesmo.

Reyes

Aproveito o facto de não ter nada para escrever sobre Reyes para nos prepararmos para o longo post de Bruno de Carvalho, triste, sozinho na autoestrada e com o coração pesado dos oito pontos de desvantagem. Façamos refresh até ele chegar.

Bombeiros expulsos

Cu Bo Ti fim de mundo.