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Lá Em Casa Mando Eu

"Dá cá que o pai faz" funciona com Messi, não com Brahimi, em quem o Lá em Casa Mando Eu descobriu um pai que só quer ir para o sofá

Além da titulada analogia, a Cataria Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, também recorreu à versão rapaz de sala de aula, a rabiscar uma folha de papel, de Herrera, ou à poção que vê a esgotar-se em Sérgio Oliveira, que precisa de regressar à aldeia gaulesa onde caiu, pela primeira vez, no caldeirão

Gualter Fatia

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Iker Casillas

A vida do guarda-redes espanhol nos 90 minutos dos nossos jogos é como a daquele parente rico a quem ninguém liga o ano inteiro, mas a quem toda a gente telefona quando falta uma prestação do carro ou da casa. Iker foi chamado a intervir primeiro quando aquele primo distante se meteu nas drogas, passando a dever um dinheirão a um dealer brasileiro manhoso chamado Nathan e este apareceu à porta dele, sozinho e com uma arma. O tio Iker lá teve de desembolsar um dinheirão. Depois, num livre, descobriu que tinha sido burlado: a irmã deu o nome dele como fiador naquele crédito da Cofidis. Há famílias assim.

Maxi

Num jogo destes, contra equipas que acampam na sua área e não saem de lá sob pretexto algum - como se fossem adolescentes no primeiro Sudoeste -, não teve grande trabalho lá atrás, mas também não conseguiu participar o suficiente no ataque. Tenho a certeza que teve imensa vontade de correr, furar defesas adversários e resolver o jogo com dois ou três remates cheios de força, mas Maxi, tal como eu, já não tem idade para festivais de verão.

Osório

Viram aquele miúdo do Braga a falar na CMTV para o Bruno de Carvalho? Pronto, foi mais ou menos assim que passei uns bons 72 minutos a falar para o Osório.

Felipe

Passou o jogo a ganhar bolas aéreas consecutivas, devolvendo-as aos médios do FC Porto, que faziam asneiras à vez. O Belenenses chutava para a frente e Felipe ia buscar a bola com pressa, como um apanha-bolas. Não esquecer que, aos 10 minutos, sofreu falta clara de Osório antes do primeiro golo do jogo, mas o VAR não assinalou.

Alex Telles

Pareceu-me excessivamente cansado e, consequentemente, pouco esclarecido. Na primeira parte foi das poucas pessoas a conseguir ir à linha de fundo cruzar, mas depois o grau de cansaço chegou a um ponto que abdicou dos dois últimos cantos, que é o seu equivalente a meter baixa prolongada.

Sérgio Oliveira

O efeito da poção mágica que tomou quando assumiu o lugar parece agora esgotado e temo que só haja duas coisas a fazer: deixá-lo no banco o resto da época, aproveitando o regresso de Danilo, ou mandá-lo a correr até àquela aldeia gaulesa para se enfiar num caldeirão.

Herrera

Num jogo destes, em que é preciso paciência e cabeça para desmontar estas defesas, Herrera parece uma criança de 3 anos a quem foi pedido que pintasse dentro dos riscos. Começa a tentar fazer as coisas lentamente, mas os passes picados a tentar encontrar um colega são sempre demasiado devagar, permitindo o corte do adversário. Depois, quando a pressão surge, é mais forte do que ele a vontade primária de segurar a caneta como se fosse um cutelo e de pintar a folha toda, fazendo cruzamentos à toa e perdendo bolas estúpidas. Admito que esta crítica se pode estender a toda a equipa, mas Herrera tem a capacidade infinita de soltar a minha amarga e frustrada escrita.

Brahimi

É, indiscutivelmente, o nosso abre-latas. O gajo a quem passamos a bola e esperamos que aconteçam coisas como a jogada aos 81', em que finta um nabo qualquer e centra atrasado (esperamos que o faça tantas vezes que um dos nossos nabos esteja no sítio certo). Mas Brahimi não é o Messi e aquela coisa de ir buscar a bola aos centrais não resulta com ele. Brahimi precisa de estar fresco e concentrado. Se o pomos a ir buscar a bola aos defesas, em modo “dá cá que o pai faz”, rapidamente descobrimos que o pai não faz exercício há muito tempo e só quer ir para o sofá.

Ricardo Pereira

Foi das poucas pessoas que tentou cumprir o que tinha sido previamente planeado: cruzar, cruzar, cruzar. O plano era mau e era seu dever cívico resistir, mas Ricardo é daqueles funcionários que faz o que lhe mandam, seja bom ou seja mau. Deve ter sido um filho óptimo, mas eu hoje queria um extremo desobediente.

Aboubakar

Embalado pelo efeito Ibrahimovic, tentou algumas vezes o remate de fora da área. Infelizmente, o mais perto que ficou de Zlatan foi o de parecer um manco.

Soares

Se este foi um daqueles jogos em que podíamos ter estado cinco horas no Restelo que a bola não ia entrar, penso que podemos, em grande parte, agradecer a Soares por isso. A quantidade de bolas desperdiçadas foi tanta que penso que só esteve ao nível de borlas que o Benfica dá no Estádio da Luz a juízes, polícias e outras atividades de grande interesse nacional.

Gonçalo Paciência

Há um momento, nestes jogos decisivos e em que estamos a perder, em que os adeptos gritam coisas sem sentido como “TIRA O ABOUBAKAR E METE O PACIÊNCIA” ou “O TEMPO ESTÁ FRIO E AMANHÃ VOU ALMOÇAR BETERRABA”. É normal, estávamos todos muito nervosos e, afinal de contas, amanhã quem tem de ir para o trabalho aturar os outros somos nós. O que é estranho é que, a certa altura, o treinador tirou o Aboubakar e meteu a beterraba.

Paulinho

Na verdade, amanhã acho que nem vou conseguir almoçar.

Danilo Pereira

Desde que entrou em campo, o FC Porto assumiu o jogo e não sofreu nenhum golo do Belenenses. Já se nota o efeito comendador na equipa, agora é continuar.