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Lá Em Casa Mando Eu

Por amor de Deus, não deixem o André Almeida rematar de um sítio estúpido

Catarina Pereira, a metade portista do Lá Em Casa Mando Eu, explica que se o Benfica ganhar o clássico deste domingo “é praticamente impossível apanhá-los, mas podemos sempre fiar-nos no historial de eles festejarem coisas antes do tempo”. Mas aponta mais para o empate, porque nenhum dos treinadores - “ou, como dizem alguns benfiquistas, nem o treinador do FC Porto nem a pessoa que se senta no banco do Benfica e diz clichés do Gustavo Santos” - irá arriscar muito

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

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Aí está ele: o jogo do ano. Ou, como dizem os benfiquistas, mais uma oportunidade para anular golos ao FC Porto quando o avançado está dois ou três metros em jogo. Seja como for, é muito provável que se trate dos 90 minutos mais importantes da época. Ou, como dizem os benfiquistas, o tempo que antecede um penálti mal assinalado.

Desta vez, não vou lá. Um casal quando decide ter filhos esquece-se de pensar em coisas práticas como “Quem fica com a criança quando há um clássico?” e depois acontece isto. Não sei se isso dá sorte ou azar (já não me lembro da última vez que não fui a um clássico na Luz, porque uma mulher quando decide ter filhos nunca mais tem a mesma memória). Daí ser-me totalmente impossível fazer uma antevisão: cientificamente, não me lembro das provas que tenho da minha influência no resultado.

Mas acho que não há favoritos. O Benfica está em primeiro até prova em contrário ou, como dizem os benfiquistas, até ser tudo preso pela PJ. Não fez muito por merecê-lo. Já o FC Porto, pelo contrário, fez muito por perdê-lo. Apesar de o calendário já ser curto, o empate não seria péssimo para nenhum dos dois. Portanto, não acredito que nenhum dos treinadores - ou, como dizem alguns benfiquistas, nem o treinador do FC Porto nem a pessoa que se senta no banco do Benfica e diz clichés do Gustavo Santos nas conferências de imprensa – vá arriscar muito.

Foto António Cotrim / Lusa

Parte-me o coração saber que vamos lá sem Danilo, provavelmente sem Marega e com mais três ou quatro jogadores no limite. Sei que já tivemos melhores dias no que à frescura diz respeito e que essa é condição essencial para o tipo de futebol que praticamos. Este clássico merecia que estivéssemos na máxima força. Mas, por outro lado, se há coisa que os últimos quatro anos nos mostraram (sobretudo a nós, os que cresceram a ganhar tudo) é que o FC Porto tem sempre de partir atrás dos outros. E que é isso que faz precisamente a nossa força.

E agora, para não correr o risco de escrever um discurso motivacional muito parecido com o de Rui Vitória, vou olhar para eles. Ser-me-ia muito difícil ajudar Sérgio Conceição a preparar o jogo, porque sempre que vejo jogos do Benfica acho que eles não jogam nada. Mas é para isso que eu cá estou, por isso cá vai:

“Portanto, na baliza eles têm o Varela, por isso, olhem, é rematar. Rematem de onde quiserem, estejam à vontade. É provável que ele vá fazer a exibição da vida dele, por isso vamos assumir isso já como um facto. Se o virem a perder tempo no chão, deixem lá, faz parte.

Depois, em relação à defesa, estejam atentos aos cotovelos, pés e todos membros do corpo do Rúben Dias e por amor de Deus não deixem o André Almeida rematar de um sítio estúpido.
No meio-campo, a administração já me deu o ok para vos anunciar que quem conseguir sacar um amarelo ao Fejsa ou ao Pizzi tem um prémio de jogo de 500 mil euros.

No ataque, se estiver tudo bem com o controlo antidoping, perdão, com as costas do Jonas, é pegar no que o Filipe fez na primeira volta e desta vez acertar em cheio”.

Foto Manuel Fernando Araújo / Lusa

Aconteça o que acontecer, ainda vão faltar quatro jornadas depois disto. Mesmo que o FC Porto ganhe, não podemos confiar na sorte porque temos um calendário difícil e o Benfica ainda tem jogos muito fáceis, como por exemplo uma ida a Alvalade. Se o Benfica ganhar, é praticamente impossível apanhá-los, mas podemos sempre fiar-nos no historial deles festejarem coisas antes do tempo. Além disso, será muito difícil explicar que eles sejam campeões na mesma altura em que descem à segunda divisão.

Por fim, uma palavra aos portistas que lá vão: boa viagem e cantem muito por mim, mesmo sem bombos e megafones e dentro de toda a legalidade que se sabe que o Benfica exige a todos. Espero sinceramente que vivam mais um momento histórico do nosso clube naquele estádio. Ou, como dizem os benfiquistas, mais um domingo qualquer.