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Lá Em Casa Mando Eu

O Lá em Casa Mando Eu imaginou, e viu, as costas impecáveis do Bruno de Carvalho a celebrarem o falhanço de um penálti

Por acaso, a Catarina Pereira, do Lá em Casa Mando Eu, estava a referir-se à jogada em que Tiquinho Soares desperdiçou uma oportunidade para um corte de Coates e uma mão de Mathieu, e não às grandes penalidades que a obrigaram a apagar tudo o que tinha escrito sobre Marcano

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

Pedro Fiuza

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Casillas

Estava a ter uma noite relativamente tranquila, quase tão pouco necessário em jogo como Bas Dost, até que toda a equipa resolveu entrar em estágiozinho para o jogo com o Setúbal sem o avisar. Sucederam-se remates, cruzamentos sem fim e pessoas que lhe apareciam frente a frente sem qualquer intermediário de azul e branco. Iker merecia ir ao Jamor e levantar a Taça, mas, ao imaginar a seca que ia levar de Marcelo Rebelo de Sousa na tribuna, o espanhol evitou sabiamente defender qualquer um dos penáltis.

Maxi

O reencontro com Acuña foi tão duro como se ansiava. Além de choques que fizeram parecer todas as disputas físicas do campeonato português um namoro entre borboletas, o uruguaio e o argentino aproveitaram todas as paragens de jogo para denunciarem o outro ao árbitro, como se fossem sicários a dizer ao narcotraficante que o outro era polícia. Maxi, empolgado pela disputa, fez o jogo sólido e de combate que se lhe pedia e onde se sente bem, acabando com a cabeça ligada e tudo. É possível que, se o jogo durasse mais meia hora, Maxi saísse com uma tatuagenzinha estilo combatente nas colónias: “Amor de mãe, Alvalade 2018” e cheio de orgulho nisso. E nós também.

Felipe

Ganha todas as bolas em velocidade e por alto dá a sensação que os adversários já não nem tentam, como se cada disputa aérea com Felipe equivalesse a um concursozinho literário contra todos os heterónimos de Pessoa. Além dessa invencibilidade nos duelos, Felipe é o central à Porto que há muito procurávamos. Encarna tão literalmente o espírito de equipa que levou amarelo por levar a camisola de um colega. Impecável.

Marcano

Também tinha uma série de elogios aqui escritos, mas ele resolveu dar a bola ao Coates e obrigar-nos a jogar mais meia hora. Para piorar, falhou o seu penálti e tirou-nos da finalzinha da Taça. Estou super arrependida do texto que tinha aqui escrito até aos 85 minutos.

Alex Telles

Fez um dos seus piores jogos em algum tempo, sendo várias vezes batido a defender e abdicando de atacar como se fosse um jogador do Benfica na segunda parte do clássico (exagerei, desculpa Alex). Compensou com o seu penálti marca registada que me deixou a pensar porque é que não foi ele a marcar os 61 penáltis que não marcaram a nosso favor desde o início da época.

Capitão Herrera

Amo-te. És lindo. És perfeito e foi mais uma vez um imenso prazer ver-te jogar. Não te preocupes com o resultadinho, nada te conseguirá abalar.

Óliver

É-me incompreensível que não jogue mais. A maneira como faz a equipa respirar com bolinha é um prazer. Perto dos 60 minutos, por exemplo, foi o maestro de uma série de tabelas e trocas de bola que obrigaram o Sporting a recuar e que culminaram numa tentativa falhada de Brahimi de isolar Maxi Pereira. Claro que, se formos campeões, estou a marimbar-me para isto tudo.

Otávio

Não é fácil sobreviver a um meio-campo adversário que tem, por exemplo, Battaglia, Batalha, Porrada, ou lá como é que se escreve, nem a um jogo com um critério largo na marcação de faltas e mostragem de cartões. Mas Otáviozinho conseguiu. Faltou, no entanto, aparecer mais vezes na área e acertar na baliza, mas eu também só sou assim exigente porque gostaria que todos pudessem estar a metade do nível do nosso Capitão Herrera.

Brahimi

Se o argelino fosse tão consistente como eu gostava que ele fosse durante os jogos, é muito provável que já estivesse num Manchesterzinho qualquer ou num PSG. É a este pensamento que eu me agarro quando vejo jogos como o de hoje, em que Brahimi espalha classe e mete medo duas ou três vezes e depois desaparece tanto tempo que às tantas já nem sei se foi substituído ou não. Já agora, fui confirmar: não foi. Que estranho. É que nem o vi a falhar o habitual penálti.

Ricardo

É o anti-Brahimi. Sabemos que podemos contar sempre com ele, mas também sabemos que não podemos esperar nada de incrível. As jogadas de Brahimi são como as francesinhas: a pessoa sabe que não pode ter uma todas as semanas, mas quando come empanturra-se à grande. Ricardo é aquela churrascariazinha ao pé de casa que nunca falha quando a pessoa está aflita. Não dá para fazer lá casamentos nem jantares de cerimónia, mas sabemos com o que contar.

Soares

Está claramente em baixo de forma e desperdiçou um dos melhores lances do jogo, quando, por volta do minuto 50, podia ter dado trabalho a Rui Patrício mas perdeu a bola para a mão de Mathieu. Felizmente, a equipa de arbitragem não assinalou penáltizinho, porque já estou a imaginar as costas impecáveis do Bruno de Carvalho a celebrarem o nosso falhanço.

Aboubakar

Entrou porque o Soares está claramente em baixo de forma, mas conseguiu provar que está claramente mais em baixo de forma. Volta, Marega, estás perdoadinho!

Sérgio Oliveira

O que interessa é ganhar ao Setúbal na segunda-feirazinha.

Reyes

Setúbal, Marítimo, Feirense, Vitória de Guimarães. Setúbal, Marítimo, Feirense, Vitória de Guimarães. Setúbal, Marítimo, Feirense, Vitória de Guimarães. Todos concentradinhos, vá.