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Lá Em Casa Mando Eu

O dia em que Lá em Casa Mando Eu viu Marcano humilhar Ronaldo e olhou para Herrera com um penso na cara e achou tudo muito sensual

Catarina Pereira agradece ainda ao árbitro do FC Porto-V. Setúbal por ter interrompido um par de jogadas individuais de Brahimi, na medida em que nesta fase da época pode andar por aí muito olheiro daquelas equipas que dão 50 milhões de euros por qualquer argelino fantástico

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA/Getty

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Casillas
Apesar de não ter tido nada para fazer, sofreu um golo de um rapaz chamado João Amaral, que me parece bom jogador, mas muito instável: alterna entre a titularidade indiscutível em todos os jogos e a não convocatória quando é contra o Benfica.

Ricardo
Teve um daqueles jogos que mais aprecia: não teve muito trabalho na defesa e pôde aparecer várias vezes no ataque. Na verdade, também eu tive um daqueles jogos que mais aprecio: ganhámos 5-1.

Felipe
Apesar da passividade geral da equipa no lance do único golo sofrido, continua irrepreensível em cada antecipação, cada corte, cada colocação do corpo de forma a deixar o adversário a tremer de medo. Felipe não quer saber quem lhe aparece à frente, é sempre um animal feroz. Esta semana, foi mesmo o mais próximo que vi da postura de José Sócrates enquanto está a ser interrogado.

Marcano
Entre as muitas coisas positivas que pudemos retirar desta partida, destaque para o golo de Marcano, aos 13 minutos, depois de um bom cabeceamento de Felipe e uma grande defesa do guarda-redes do Setúbal. Tratou-se de um pontapé de bicicleta em que tudo foi perfeito: o tempo de salto, a posição do pé, as pernas abertas dos adversários. Enfim, uma humilhação para Cristiano Ronaldo.

Alex Telles
Irritado por não estar a conseguir entrar na história do jogo com a habitual assistência para golo, decidiu marcar um golo de livre direto. Alex Telles é um espírito livre, deixem-no voar.

Herrera
Hoje esteve mais empenhado em deixar os colegas brilhar, demonstrando um altruísmo que só está ao nível dos melhores seres humanos a habitar este nosso planeta. Se Herrera resolvesse todos os jogos de forma flagrante, podia assim desmotivar alguns companheiros de equipa, portanto o nosso capitão fez aquilo que sempre esperamos dele: esteve lá sempre que foi preciso e deu tudo o que tem, mesmo a sangrar e com um penso colado na cara que, pode ser só de mim que estou numa fase estranha, mas lhe deu um ar bastante sensual.

Sérgio Oliveira
Estava a fazer um dos seus jogos em que não dá muito nas vistas quando, ao minuto 54, se preparava para marcar um golaço, mas acertou com a bola no árbitro João Pinheiro, o que, pensando bem, ainda foi melhor. Pouco depois acertou com a bola novamente num adversário, desta vez no João Amaral, que teve mesmo de sair na sequência do lance. Felizmente, Sérgio Oliveira pode manter-se essencial na equipa porque até ao fim da época ainda me lembro de muita gente em quem pode acertar com a bola.

Corona
Regressou à equipa para marcar um golo, numa jogada que começa num grande passe de Marega e numa assistência de Ricardo. Nos festejos, pareceu-me que tem uma nova rosa vermelha tatuada na mão, portanto vou ficar por aqui antes que a coisa descambe.

Brahimi
Fez um bom jogo e marcou o terceiro golo da equipa, com um remate bem colocado após uma grande jogada de Marega. Ainda tentou destacar-se em mais uma ou duas jogadas individuais, mas esteve bem o árbitro ao interrompê-las, porque nesta fase da época pode andar por aí muito olheiro daquelas equipas que dão 50 milhões de euros por qualquer argelino fantástico que eu adoro.

Marega
Regressou aos golos logo aos 6 minutos, num ressalto que sobrou de uma defesa incompleta do guarda-redes do Setúbal a um bom cabeceamento de Soares. Naquele momento senti-me tentada a fazer uma apresentação em PowerPoint com o seguinte objetivo para 2018/2019: comprar o Cristiano e emprestá-lo outra vez ao Vitória. Mas resisti. Ouvi dizer que estas coisas não soam bem por escrito.

Soares
A equipa ter marcado 5 golos e nenhum ser dele deve ser mais ou menos o sentimento equivalente a um administrador ver um email interno de um colega a chamar-lhe “preguiçoso”. Fica a pairar um silêncio esquisito, sabem?

Óliver
Entrou para ajudar a equipa a chegar a um importante 5-1, o que, não sendo uma goleada por 2-1 à Rui Vitória, não me pareceu um mau resultado.

Maxi Pereira
Reparei que entrou com um penso colado na cabeça, mas nunca saberemos se ainda por causa daquele lance com o Doumbia em Alvalade, ou se porque nesta altura do campeonato todos queremos ser um bocadinho Herrera. Depois perdeu o penso numa cacetada qualquer que deu num adversário, mas nunca saberemos se o fez por ainda estar confuso por causa daquele lance com o Doumbia em Alvalade, ou se porque Maxi sempre foi assim meio bruto.

Gonçalo Paciência
Marítimo. Feirense. Vitória de Guimarães. Marítimo. Feirense. Vitória de Guimarães. Marítimo. Feirense. Vitória de Guimarães. Só faltam três. Vamos lá.