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Lá Em Casa Mando Eu

O rescaldo da festa do título de Lá Em Casa Mando Eu: eu, Herrerodependente, me confesso. Por favor, não nos deixes

Catarina Pereira finalmente conseguiu parar de festejar e escrever algo sobre o título conquistado pelo FC Porto e sobre a festa após a vitória sobre o Feirense (2-1)

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA/Getty

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Casillas

Não sabemos se este foi ou não o seu último jogo no Estádio do Dragão, mas temos há muito tempo a certeza de uma coisa: não há um cêntimo que ele não valha. Nem sequer fez um jogo particularmente interessante, nem foi um ativo importante na festa, mas quando os 50 mil adeptos presentes gritaram o seu nome, de repente, lembrei-me que temos Iker Casillas na baliza. E, perante a impossibilidade de ter 11 Maregas em todo o lado, temos de admitir a relevância de um jogador tão titulado e experiente na nossa equipa. No entanto, confesso que me senti um pouco solidária com o treinador (que o criticou aqui e acolá ao longo da época pelo excesso de exposição nas redes sociais), uma vez que Casillas passou os últimos dois dias agarrado ao telemóvel a fazer lives, stories, fakes, memes, nudes, ou lá como se chamam essas modernices. Mesmo sendo um jogador tão titulado e experiente, não deixou de despertar em mim o sentimento de “Larga isso e vai mas é aproveitar a vida!”

Ricardo

No sábado à noite, Ricardo Pereira teve uma das atitudes mais responsáveis e maduras que lhe sou capaz de reconhecer. Em plena festa no hotel, e com colegas em avançado estado de decomposição, soltou um “amanhã há jogo” que me encheu de motivação para toda uma carreira em que o sentido profissional estará sempre à frente de qualquer emoção do momento. No entanto, podemos ter estado perante um caso sério de rapaz-engraçadinho-que-na-verdade-estava-podre-de-bêbado-só-que-tem-a-capacidade-de-não-enrolar-o-discurso. Se assim for, e perante a qualidade demonstrada à frente das câmaras, estou cheia de inveja deste talento.


Reyes

Era uma vez, num reino muito longínquo, um central mexicano chamado Diego Reyes que não queria jogar no FC Porto. Quem o vê, agora, a enviar bolas à trave com uma enorme vontade de marcar e a sair chateado do relvado devido a uma eventual lesão, percebe rapidamente que estamos perante mais um toque de magia do treinador Sérgio Conceição. E fomos felizes para sempre.

Marcano

A maneira como parece estar sempre sério, como se fosse a mesma coisa festejar um título de campeão nacional ou discutir a guerra na Síria, faz-me respeitá-lo e, simultaneamente, temê-lo. Uma pessoa não pode confiar a 100% num ser humano incapaz de demonstrar emoções, mas, ao mesmo tempo, uma adepta gosta de ter um central 100% capaz de aprender com os erros e apresentar níveis de concentração máximos. Se decidir ficar connosco, proponho que, antes, tenha de passar por duas provas: comer uma francesinha e comentar nada menos do que um “uau, que boa!”, em vez do expectável “uhm, come-se”, e dizer a expressão “até os comemos, carago”, em vez do habitual “ya, ganhámos”.



Alex Telles

A empatia que tem com os adeptos e o clube é, de facto, impressionante para quem está cá há tão pouco tempo. Parece que está sempre preocupado com o que nós estamos a pensar: se estamos divertidos, se precisamos de mais um copo para começar a gostar do que está a acontecer, se queremos boleia para casa ou para o golo. Enfim, é aquele amigo que queremos ter sempre ao lado na semana da Queima das Fitas, sabem?

Sérgio Oliveira

Marcou o primeiro golo da partida, também conhecido como “momento de explosão no Estádio do Dragão” caso os nossos rivais não tivessem decidido empatar no dia anterior. Foi dos que mostrou mais em campo durante o jogo, provando que a juventude realmente faz a diferença no que às ressacas diz respeito. Na festa, foi visto a pontapear um boneco de peluche em forma de polvo, já depois deste ter sido massacrado por Gonçalo Paciência, naquela que foi a melhor ação de pedopsiquiatria que este país viu desde a Super Nanny.



Herrera

Tanta coisa mudou entre nós, meu caro Hector. Desde que descobri que és um excelente jogador, até sou capaz de ver-te a dançar breakdance sem conseguir apontar falhas. Se há um mês me tivessem dito que os portistas iam gritar o teu nome daquela forma na festa do título, apostaria que só o fariam se a tua saída do clube estivesse diretamente dependente dos decibéis alcançados com esse incentivo. Agora, como sabes, sou uma Herrerodependente. Não me deixes, por favor.



Otávio

Excelente animador nos dias de festa, não tão crucial no que ao jogo diz respeito, mas enfim, todos nós temos a nossa função no meio disto tudo.

Brahimi

Que Brahimi é capaz de fazer golos como o segundo desta noite, ninguém duvida há muito tempo. A técnica, a criatividade e o génio sempre foram evidentes. O que o Brahimi de Sérgio Conceição nos trouxe é um profissional raçudo, que nem com o título ganho se cansa de nos espantar, e um ser humano racional, que nem com esta magia toda é capaz de deixar de passar a vida a puxar pelo cântico do Marega por reconhecer que há patamares que ele próprio nunca conseguirá alcançar. Yacine: não sei se foi um adeus ou um até já, mas, mais do que todas estas qualidades, podes ter a certeza que o que irei recordar sempre foi aquele “nós vamos ganhar”. É verdade, ganhámos. E tu ganhaste por nós.

Marega

É muito difícil de explicar o que Marega significa para nós neste momento. Ver crianças a gritar por ele, esperançadas em mais títulos dependentes das suas exibições, tem, de facto, tanto de espantoso como de emocionante. E não consegui deixar de reparar na enorme comitiva que se juntou a ele no relvado, no fim da festa, porque tenho a certeza que há ali uns irmãos, primos, tios e amigos que, bem motivados pelo Sérgio Conceição, ainda fariam uma boa época. Fica a sugestão.


Soares

Os problemas físicos, as opções do treinador e este final de época sem muito sucesso em termos individuais ajudam a explicar que esteja apenas em quinto lugar na lista dos nossos melhores marcadores, a seguir a Marega, com 22 golos, Aboubakar, com 15, Brahimi, com 9, e Sérgio Conceição, com 5 filhos.



Aboubakar

Já não o via a festejar tanto desde aquela derrota com o Besiktas.



Óliver

Não teve uma época fácil, mas pelo menos aquele boneco de peluche em forma de polvo tem mais razões de queixa.



Hernâni

É rápido. E campeão!