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Nuno Espírito Santo prepara assalto ao euromilhões

Em estado de graça após a vitória frente ao Rio Ave, Nuno Espírito Santo tem esta quarta-feira, no Dragão, a sua prova de fogo europeia contra a AS Roma de Luciano Spalletti. Oleada em campo, a máquina portista continua a somar erros, como a contratação do ponta de lança Laurent Depoitre, inibido pela UEFA de jogar o play-off de €15 milhões de acesso à Champions, por já ter atuado nas rondas europeias esta época

Isabel Paulo

EXPECTATIVA Herrera entrou em grante a marcar ao Rio Ave e é o jogador mais temido pelos tifossi que amanhã visitam o quente Dragão

JOSÉ COELHO / LUSA

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No arranque do advento europeu de Nuno Espírito Santo, a equipa portista, ainda em construção, terá de derrubar a AS Roma para chegar ao pote de ouro da Liga dos Campeões e evitar a partilha da módica Liga Europa. A corrida aos milhões da mais choruda prova de clubes da UEFA tem início para os Dragões esta quarta-feira, dia em que o treinador que profetiza que o FC Porto “não pode estar quatro anos sem títulos” quer quebrar a invencibilidade do italiano Luciano Spalletti frente aos azuis e brancos.

O ex-técnico do Zenit já se cruzou com os portistas em quatro jogos da fase de grupo da Champions e pior registo que levou para contar é um empate sem golos no “quentíssimo Dragão”, na avaliação do próprio esta semana no site do clube romano.

Teoricamente mais forte, a equipa italiana dá o pontapé de saída oficial da época no Estádio do Dragão escudada num plantel de cerca de €500 milhões, perto do triplo do orçamento do FC Porto. Candidato confesso ao título italiano, Luciano Spalletti, apesar de ter perdido a estrela Pjanic para a campeã Juventus, conta com a veterania de Totti, que aos 39 anos cumpre o última época da sua desconcertante carreira, e a experiência de Dzeko, de El Shaarawy ou Perotti para fintar os portistas. Outra das armas do Roma é o ex-Dragão Iturbe, o avançado que chegou ao Porto rotulado de novo Messi em 2011 mas que se revelou bem mais certeiro em Itália do que às ordens de Vítor Pereira.

Embora a história não ganhe jogos, a balança competitiva entre os adversários desta quarta-feira conspira, porém, a favor dos anfitriões: no único duelo oficial, o FC Porto venceu a Roma na Taça das Taças, em 1981/82 (nulo fora de casa, vitória por 2-0 nas Antas). O maior palmarés e rotação na Champions pende ainda para o lado dos azuis e brancos, passageiros frequentes da Liga dos Campeões, prova que já venceram por duas vezes, enquanto os romanos, arredados da Champions há quatro anos, apresentam como coroa de louros uma final perdida para o Liverpool, há 32 anos.

JOSÉ COELHO / LUSA

Na primeira ronda do play-off de acesso à Champions, a grande missão da equipa de Nuno Espírito Santo é não sofrer golos em casa para driblar a regra dos golos a dobrar do visitante e, se possível, partir com vantagem para a cidade eterna. Cautelosos, o treinador do grito “Somos Porto” e Spalleti têm-se multiplicado em loas ao adversário, repetindo, no entanto, que a vitória é crucial para as respetivas equipas, não só pelo prestígio, mas pela importância dos prémios em disputa.

Em busca do prestígio perdido

À míngua de títulos e receitas num verão em que apenas Maicon rendeu até agora alguma verba de vulto (€8 milhões), o FC Porto vai tentar no confronto com a AS Roma recuperar a notoriedade passada e cimentar créditos futuros.

Ainda sem colocação para Brahimi e Aboubakar, supranumerários no plantel, o equilíbrio das contas da SAD portista, em risco de falhar as regras do fair play financeiro da UEFA, passa pelo balão de oxigénio da Liga dos Campeões, cujo próximo vencedor poderá amealhar num percurso sem mácula € 56,5 milhões, enquanto o campeão da Liga Europa 2016/17 não irá além dos €19,3 milhões.

Numa prova em que ninguém fica a perder nos cofres, com a ajuda de Nuno Espírito Santo os dragões têm ao alcance da mão a promessa de pelo menos €12 milhões, desde que carimbem a passagem à fase de grupos da Champions (contra uns magros €2,4 milhões pela entrada para a Liga Europa), mais € 3 milhões de bónus. Em campo, o técnico assegura que a equipa está confiante, mas fora das quatro linhas a máquina portista volta a dar sinais que já não é o que era.

O esperado ponta de lança anunciado por Pinto da Costa dá pelo nome de Laurent Depoitre, assinou por quatro anos e já tem fixada uma cláusula de rescisão de €40 milhões. Ao camisola 9 falta, contudo, o principal: licença para jogar com a AS Roma, impedido pela UEFA de mostrar o que vale por já ter atuado esta época nos play-off pelo Gent.

A revelar o quão fundamental é o assalto à Liga dos milhões, a SAD não poupou na tática para assegurar casa cheia, oferecendo aos detentores de lugar anual entrada gratuita. De bónus, podem ainda comprar dois bilhetes para amigos ou familiares a preço de sócio.

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    Na antevisão ao jogo desta quarta-feira frente à Roma, o técnico portista disse que quer “encarnar o espírito” que a seleção nacional teve quando foi campeã da Europa. Já Danilo lembrou que a maior força que os jogadores podem ter é o apoio de todos os portugueses