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Liga dos Campeões

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A Liga dos Campeões versão 2016/17 começa esta terça-feira (já com um Benfica-Besiktas) e o estatuto de favorito tem de ser do clube mais rico do clube dos ricos, que conquistou a prova na época passada, tem mais troféus na principal liga europeia (onze) e tem o melhor marcador da história da prova, Cristiano Ronaldo (94 golos). Bem-vindos à Liga do Real Madrid - e dos ricos -, que apresentamos grupo a grupo

Mariana Cabral

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Lembra-se do último outsider a conquistar uma Liga dos Campeões? O exercício é simples, principalmente para quem mora mais a norte, mas aqui vai uma ajuda: Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Pedro Mendes, Carlos Alberto, Deco e Derlei.

Foi em 2003/04 que o FC Porto de José Mourinho conquistou a última Liga dos Campeões que não foi para os clubes do costume (bom, podemos também mencionar o Liverpool na época seguinte, que perdia por 3-0 com o Milan e deu a volta, mas os milhões que andam hoje em dia na Premier League fazem com que qualquer clube inglês seja automaticamente considerado mais poderoso do que um português - e o Liverpool tem cinco Taças dos Campeões Europeus).

A partir de então, a história foi quase sempre a mesma, entre espanhóis, ingleses, italianos e um alemão. Numa prova que costuma ser intitulada como “milionária”, não é surpresa que os ricos queiram ficar cada vez mais ricos - daí as mudanças previstas na prova para 2018 - e que sejam os milhões a pesar cada vez mais na balança das eliminatórias, que vai sempre pendendo para o mesmo lado.

É, por isso, o clube de futebol mais rico do mundo - o Real Madrid - a liderar o grupo de favoritos a arrecadar os €57,2 milhões que vêm com a taça (ainda sem contar com as receitas do market pool televisivo), logo seguido por, claro, o Barcelona, que também conquistou a prova por duas vezes nos últimos seis anos. Depois, há mais dos tais candidatos com “peso”: o Bayern de Munique (que ganhou em 2012/13), o Manchester City, o Atlético de Madrid e até o PSG.

Os outros têm de se contentar com isto: €12,7 milhões de entrada, €1,5 milhões por vitória e €500 mil por empate. Se o sonho não se esfumar rapidamente, há também €6 milhões por passar aos oitavos de final, €6,5 milhões por passar aos quartos de final e €7,5 milhões por passar às meias-finais. O finalista vencido recebe mais €11 milhões e o vencedor €15,5 milhões (no total, terá os tais €57,2 milhões).

FOI BOM ENQUANTO DUROU. O Benfica foi o melhor representante português na Liga dos Campeões da época passada, ao atingir os quartos de final. Perdeu com o Bayern de Munique (3-2)

FOI BOM ENQUANTO DUROU. O Benfica foi o melhor representante português na Liga dos Campeões da época passada, ao atingir os quartos de final. Perdeu com o Bayern de Munique (3-2)

RAFAEL MARCHANTE / REUTERS

Grupo A: PSG (França), Arsenal (Inglaterra), Basileia (Suíça) e Ludogorets (Bulgária)

A Liga dos Campeões ainda nem começou mas nesta terça-feira já se definem muitas coisas neste grupo. É que PSG e Arsenal defrontam-se em Paris - Basileia e Ludogorets jogam na Suíça - e o vencedor começa já a cimentar a liderança do grupo. É óbvio que franceses e ingleses são claros favoritos para ficar nos dois lugares que dão acesso aos oitavos de final e o surpreendente será se o Arsenal conseguir roubar o 1º lugar ao PSG (mesmo sem Zlatan). É que a equipa de Arsène Wenger não é propriamente perita em brilharetes na Champions: há seis épocas consecutivas que é eliminada nos oitavos de final. O Basileia, campeão crónico da Liga suíça - esta época já leva sete vitórias em sete jogos -, também pode sonhar com o 2º lugar, mas o provável é ficar pelo 3º - que dá acesso à Liga Europa -, até porque está bem mais habituado a estas andanças do que o Ludogorets.

Grupo B: Benfica (Portugal), Nápoles (Itália), Dínamo Kiev (Ucrânia) e Besiktas (Turquia)

infografia olavo cruz

Como a composição do grupo indica, o Benfica é o cabeça de série, mas não vai ter vida fácil perante o Nápoles. A equipa de Maurizio Sarri, que era banqueiro de dia e treinador à noite, até ter optado apenas pela carreira de treinador em 1999, esteve em grande plano na Série A da época passada, só não conseguindo ultrapassar a poderosa Juventus. Apesar de não ter grandes estrelas como os principais clubes do país - perdeu Higuaín, que marcou 38 golos em 42 jogos, precisamente para a Juventus -, tem uma defesa trabalhada ao milímetro pelo perfecionismo de Sarri - na qual se inclui o romeno Vlad Chiriches, que um dia já fez parte dos juniores do Benfica - e conta com a criatividade de Hamsik e com os golos de Callejón e Milik. Os italianos vão esta terça-feira à Ucrânia, enquanto o Benfica recebe em casa os turcos do Besiktas, que já não integravam a principal prova europeia de clubes desde 2009/10. A equipa de Ricardo Quaresma - e dos emprestados Talisca e Aboubakar - deverá lutar pelo 3º lugar com o Dínamo, mas as deslocações dos favoritos à Turquia (e, já agora, a Kiev) não serão nada fáceis. Na época passada, o Benfica surpreendeu ao atingir os quartos de final, algo “importante para acreditar que não há impossíveis”, explicou Rui Vitória antes do jogo desta terça-feira (19h45, RTP1). “É possível lutar contra gigantes da Europa e aproveitar a Liga dos Campeões como forma de motivação para o nosso trabalho interno”, explicou o treinador do Benfica, que não poderá contar esta semana com os lesionados Jonas, Jiménez e... Rafa. Mitroglou deverá estar recuperado e é provável que faça dupla com Gonçalo Guedes na frente de ataque.

Grupo C: Barcelona (Espanha), Manchester City (Inglaterra), Borussia Mönchengladbach (Alemanha) e Celtic (Escócia)

O Barcelona recebe esta terça-feira o Celtic e o Borussia vai a Manchester, mas o jogo mais esperado do grupo será indubitavelmente o Barcelona-City, não só porque estará garantido um fantástico espectáculo de futebol, mas porque será mais um regresso de Pep Guardiola a “casa”. Espanhóis e ingleses são claros favoritos a ocupar os dois primeiros lugares do grupo, sendo difícil prever quem será o primeiro e o segundo. Na época passada, o City foi até às meias-finais, mas saiu de fininho perante o Real Madrid, enquanto o Barcelona foi eliminado pelo outro finalista da prova, o Atlético de Madrid, nos oitavos de final - mas ganhou tudo em 2014/15. Se há alguém na mó de cima, esse alguém é o City, que saiu vitorioso no dérbi de Manchester em Old Trafford este fim de semana (que falta fará o United de Mourinho, que participa na Liga Europa), ao contrário do Barcelona que perdeu perante o recém promovido Alavés, com um golo do ex-Belenenses Deyverson. Borussia e Celtic farão os possíveis para roubar pontos aos favoritos e passar para a Liga Europa. Mais do que isso é praticamente impossível.

Grupo D: Bayern Munique (Alemanha), Atlético de Madrid (Espanha), PSV (Holanda) e Rostov (Rússia)

WILLKOMMEN. Renato Sanches já se estreou pelo Bayern de Munique, no fim de semana, contra o Schalke 04

WILLKOMMEN. Renato Sanches já se estreou pelo Bayern de Munique, no fim de semana, contra o Schalke 04

EMILIO NARANJO/EPA

O Bayern de Munique ainda se está a habituar à nova vida com menos posse e mais Ancelotti (que procura ganhar a prova num terceiro clube), mas já leva duas vitórias na Bundesliga - uma delas com Renato Sanches a fazer a sua estreia. Pelo contrário, o Atlético de Simeone começou mal a época, com dois empates, mas este fim de semana já se redimiu com uma goleada sobre o Celta (4-0). O finalista da época passada (e de 2013/14, em Lisboa) e o campeão alemão encontraram-se na prova de 2015/16 numas meias-finais memoráveis e são favoritos a integrar os oitavos, com o PSV de Phillip Cocu a tentar meter-se na luta e o estreante Rostov, 6º classificado da Liga russa, apenas a apreciar a participação - mas, atenção, porque os russos eliminaram o Ajax no play-off.

Grupo E: CSKA Moscovo (Rússia), Bayer Leverkusen (Alemanha), Tottenham (Inglaterra) e Mónaco (França)

Haverá grupo mais aberto do que este? Provavelmente não. Os portugueses estarão a torcer pelo Mónaco de Leonardo Jardim, mas a equipa do principado terá de fazer valer cada pontinho perante o competitivo Tottenham de Mauricio Pochettino e o (super) pressionante Leverkusen de Roger Schmidt, com CSKA do ex-selecionador russo Leonid Slutsky a ser dos cabeça de série menos favoritos.

Grupo F: Real Madrid (Espanha), Borussia Dortmund (Alemanha), Sporting (Portugal) e Légia Varsóvia (Polónia)

infografia olavo cruz

Era difícil para o Sporting ficar num grupo pior do que este, mas também é verdade que dificilmente se pode aspirar a melhor na Liga dos Campeões quando não se é cabeça de série. O Real Madrid, atual campeão, recebe o clube que lançou Ronaldo (segunda-feira, na “Marca”, Bruno de Carvalho confessa que quer que Cristiano acabe a carreira em Alvalade) esta quarta-feira (19h45), mas será o belíssimo Dortmund de Thomas Tuchel a lutar, em teoria, pelos lugares de topo com os espanhóis. O Sporting é o outsider - mesmo com a maior competitividade que trarão Markovic e Bas Dost -, mas, se não conseguir mais, não deverá ter problemas para assegurar a passagem à Liga Europa, perante o humilde Legia Varsóvia, que tem apenas nove pontos em oito jornadas na Liga polaca.

Grupo G: Leicester (Inglaterra), FC Porto (Portugal), Club Brugge (Bélgica) e Copenhaga (Dinamarca)

infografia olavo cruz

Se a fava dos potes calhou ao Sporting (neste caso, duas favas), o FC Porto foi bafejado pela fortuna, depois de um play-off fantástico (4-1) em que até teve um adversário duríssimo, a Roma. Em comparação com os italianos, Club Brugge (treinado pelo ex-guardião benfiquista Michel Preud'homme) e Copenhaga são adversários bem menos assustadores, que deixam os portistas e o Leicester como claros candidatos à passagem aos oitavos de final. É certo que os ingleses são cabeças de série, já que foram campeões na época passada, mas estreiam-se na prova e a sua prestação será uma incógnita, especialmente se tiverem de assumir a ofensiva em alguns dos jogos. Boas notícias para o Porto, que mostrou este fim de semana frente ao Vitória de Guimarães a sua versatilidade, ao ganhar num 4-4-2 que juntou André Silva e Depoitre na frente. A repetir esta quarta-feira perante o Copenhaga?

Grupo H: Juventus (Itália), Sevilha (Espanha), Lyon (França) e Dínamo Zagreb (Croácia)

Quase apetece dizer que mais vale o Sevilha ir já para a Liga Europa - ganhou as últimas três edições e já conta com cinco títulos na prova -, mas assim perderíamos o prazer de ver o (mui ofensivo) Jorge Sampaoli na Liga dos Campeões, o que seria uma pena. É difícil prever seja o que for de uma equipa que começou a Liga espanhola com um sistema de tudo ao ataque e logo se vê - bom, um emocionante 3-3-1-3 -, que deu um 6-4 perante o Espanhol, mas uma coisa é certa: vai ser giro ver como se porta. A Juventus de Allegri é, obviamente, (super) cabeça de série, especialmente agora com Higuaín no ataque, e o Lyon do cobiçado Lacazette deverá lutar com o Sevilha pelo outro lugar de acesso aos oitavos de final. O Dínamo de Zagreb - já sem Eduardo, mas ainda com Paulo Machado - não tem grandes aspirações, ainda que tenha sempre alguns jovens interessantes de seguir, como Ante Coric.