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O meu 4-4-2 é melhor do que o teu

O FC Porto, desta vez em 4-3-3, começou bem perante o 4-4-2 dinamarquês, mas acabou com um empate inesperado perante o Copenhaga (1-1)

Expresso

Cornelius estragou o jogo ao FC Porto

FRANCISCO LEONG/Getty

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Se tivesse de escolher apenas uma seleção surpresa do Euro 2016 (não, Portugal, não conta como surpresa), quem seria? A resposta é evidente: aquele pequeno país insular de pouco mais de 300 mil habitantes que conseguiu, na sua estreia na competição, chegar aos quartos de final. Ninguém esperava que os pequenos grandes islandeses conseguissem o que conseguiram, com um 4-4-2 tão básico quanto o equipamento que vestiam, mas, com pouco engenho e muita vontade, os nórdicos brilharam como nunca.

É verdade que bem mais perto da Dinamarca está a Noruega - país do treinador do Copenhaga, Stale Solbakken -, mas esta noite, no Dragão, os dinamarqueses foram todos islandeses. Num 4-4-2 clarinho como água - era meter a bola na frente assim que possível, com o médio Thomas Delaney (pelo nome não parece, mas também é dinamarquês - e já está vendido aos alemães do Werder Bremen) a lançar, de preferência, para os (inúmeros) cruzamentos dos laterais Augustinsson e Ankersen, que subiam frequentemente para ganhar superioridade nos corredores laterais -, o Copenhaga foi ao Porto fazer o possível para contrariar o evidente favoritismo da equipa de Nuno Espírito Santo.

Ao contrário do que aconteceu perante o Vitória de Guimarães, contra quem o FC Porto entrou em 4-4-2, com Depoitre e André Silva a fazerem uma agradável dupla na frente de ataque, esta noite Nuno optou por jogar em 4-3-3, com Danilo, Óliver e Herrera no meio-campo e Otávio, Corona e André Silva na frente - possivelmente para que os alas portistas acompanhassem de perto as subidas frequentes dos laterais dinamarqueses, que procuravam sempre conseguir uma situação de superioridade numérica - dois para um - contra o lateral portista, para depois cruzarem a bola para a área para um dos dois avançados, Cornelius e Santander.

Foi precisamente isso que aconteceu aos 11', quando Cornelius cabececou para a primeira defesa de Casillas no jogo. Os dinamarqueses davam sinais de atrevimento, mas era o Porto a mandar bem mais no jogo, procurando aproximar-se frequentemente da área contrária, especialmente pelo corredor de Layún.

Os portistas procuravam empurrar os dinamarqueses para trás e foi assim que surgiu o primeiro golo: Delaney queria sair a jogar perto da área, mas uma forte reação de Otávio permitiu a recuperação da bola e, logo depois, uma magnífica tabela com o calcanhar de André Silva, que voltou a entregar para o golo de Otávio, com um grande remate à entrada da área.

FRANCISCO LEONG/Getty

O que poderia fazer com que o Porto assumisse ainda mais o jogo provocou, no entanto, o efeito contrário: os portistas foram baixando no campo e permitiram aos dinamarqueses mais algum atrevimento - novamente através da cabeça de Cornelius.

Logo no início da 2ª parte, a tendência manteve-se, com resultados desastrosos: o Porto entrou pouco forte e o Copenhaga aproveitou mais um cruzamento para a área - Corona, já mais perto de André Silva, não acompanhou a subida do lateral dinamarquês - para Cornelius finalmente marcar (numa péssima abordagem de Alex Telles ao lance), à terceira tentativa.

Apesar de ter parecido sempre ao alcance do FC Porto, o Copenhaga foi-se fechando cada vez mais - especialmente a partir dos 65', quando Gregus foi expulso - e a tarefa do ataque portista foi ficando cada vez mais complicada.

Nem com Depoitre em campo - e com o 4-4-2 que funcionou tão bem contra o Vitória -, nem com o regresso de Brahimi, os portistas conseguiram chegar ao segundo golo, acabando por perder dois pontos para o 4-4-2 nórdico. Não, eles não eram islandeses. Mas disfarçaram bem.