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Liga dos Campeões

Do Borussia, com amor

O Sporting perdeu em casa (1-2) diante do Borussia de Dortmund. A vida na Liga dos Campeões complicou-se após um jogo em que os de Alvalade estiveram uns furos abaixo do esperado na primeira parte - desconcentrações e falta de intensidade abriram o caminho da felicidade para os alemães

Pedro Candeias

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Octavio Passos

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Primeiro, o contexto:
O grupo do Sporting é tramado, porque tem o Real Madrid e o Borussia de Dortmund, que são tubarões, e o Legia de Varsóvia, que de tubarão só tem os adeptos, isto é, os arruaceiros que se fazem passar por adeptos. Assim como assim, ao Sporting pedia-se que jogasse jogo a jogo, que desse o seu melhor porque as contas se faziam no fim - foram os melhores/piores chavões que encontrei.

Ora, por fazer o melhor que se pode subentende-se aproveitar as oportunidades quando estas aparecem e tudo o que foi escrito e dito sobre o Sporting-Borussia levou toda a gente a acreditar que esta era uma delas.

A verdade é que era. Mas também não era.

O Borussia não tinha Schürrle, Reus, Raphaël ou Schmelzer, já que a enfermeria de Dortmund anda mais apinhada que a do Seixal, e isto retirava alguma vantagem aos alemães na viagem a Lisboa. Bom, pelo menos, reduzia a diferença entre duas equipas com orçamentos e investimentos incomparáveis. Aqui estava a oportunidade.

O problema é que, apesar disto, havia Aubameyang, Dembelé, Kagawa, Weigl, Pulisic e Goetels, perdão, Götze - e, em cima disto, havia o Dortmund. Este Dortmund. Que é uma versão melhorada do outro, de Klopp, ainda que com piores jogadores, e vou apenas nomear dois nomes, os de Hummels ou Lewandowski, para nos situarmos.

Depois, o jogo:
Este BVB é rápido e intenso e pressionante como o de Klopp era, mas junta-lhe uns pozinhos, como sejam o jogo interior e a posse de bola, que o tornam mais completo e preparado. E também cínico. Se a coisa não vai lá em ataque organizado, porque faltam um, dois ou nove futebolistas - ou porque o adversário não deixa -, procura-se a profundidade.

É que quem tem Aubameyang ou Dembelé pode partir atrasado ou mal, ou até mal e atrasado, numa corrida de 100 metros que chegará à meta quase sempre primeiro. A moral da lebre e da tartaruga é uma história da carochinha para miúdos e não resulta no futebol - mas foi como um miúdo que Rúben Semedo se fez à bola com Aubameyang. O gabonês foi ao choque e fugiu com a bola, Semedo ficou a anotar a matrícula. Golo.

Segundos antes, o Sporting pedira um penálti; segundos depois, o Sporting perdeu-se. E no caminho veio o 2-0, por Weigl, numa jogada que resume o que esta equipa vale sem Adrien no meio campo - vale muito menos. Na primeira-parte, sobretudo depois de sofrer o 1-0, os de Alvalade desataram a falhar passes e a perder bolas pelo freestyler Markovic, e a abrir as portas aos adversários. Sem intensidade e sem pressão, com desatenção e pasmaceira: está tudo dito.

Telequinésia

O que fica por dizer, ou entender, é porque jogaram Elias e Markovic de início e não jogou Bruno César, o MacGyver deste Sporting, ou melhor, o canivete do MacGyver deste Sporting, porque serve qualquer ocasião. Sim, Bruno César entrou quando o Sporting estava melhor, sabe-se lá porquê, talvez por algum raspanete telequinético do castigado Jesus ao intervalo, pelo que o mérito não é só dele. Mas também é dele, muito dele, porque foi Bruno César quem cristalizou a melhoria do Sporting, com um golo num livre indireto dentro da pequena área.

Instantes depois, com Elias e Markovic fora de campo, Bryan Ruiz no meio e Campbell à esquerda, Bas Dost cabeceou à figura de Bürki após a primeira (e única) correria coerente de Zeegelaar pela linha, concluída com um bom cruzamento. De repente, o empate era possível, porque o SCP intensificara o ritmo e o BVB afrouxara o seu, e as forças estavam um bocadinho mais equilibradas no meio-campo. Não aconteceu.

Agora, como diria o novo secretário-geral da ONU, é fazer as contas.