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Um submarino amarelo que emergiu antes de afundar de vez

O FC Porto, vestido de amarelo, começou a perder de forma confrangedora na Bélgica, mas virou o jogo a tempo de voltar para Portugal com os três pontos (1-2)

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André Silva decidiu o jogo na Bélgica

JOHN THYS/Getty

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O Club Brugge era - e é - a pior equipa do grupo G. A afirmação é simples e explica-se de duas maneiras: primeiro, na classificação pré-jogo desta noite, que tinha os belgas em último lugar, com zero pontos conquistados, zero golos marcados e sete golos sofridos; segundo, na exibição em jogo dos onze escolhidos por Michel Preud'homme.

Com exceção para a parte inicial do jogo (já lá vamos), os belgas saíam para o ataque de forma confrangedora, perdendo bolas atrás de bolas, o que não era particularmente surpreendente numa equipa que tinha alguns jogadores importantes lesionados (como Rafaelov e Izquierdo) e, mesmo quando os tinha a 100%, não conseguiu mais do que o 7º lugar da Liga belga, com quatro derrotas em dez jogos.

Ou seja, o FC era claramente superior ao Brugge e Nuno Espírito Santo sabia-o, daí ter dito, na conferência de imprensa de antevisão, que este seria “um jogo decisivo para as aspirações do FC Porto”, no qual não haveria “margem de erro”.

Poderá ter sido a pressão do resultado indispensável a fazer com que os portistas entrassem no Jan Breydelstadion de forma bem menos dominadora do que seria expectável. Os belgas, apesar de tecnicamente claramente inferiores aos portistas, pareceram surpreender os adversários pela espécie de 3-4-3 que apresentaram, apostando nos corredores laterais para criar perigo.

JOHN THYS/Getty

Vossen já tinha ameaçado Casillas logo nos primeiros minutos e foi mesmo o avançado do Brugge a fazer o 1-0 num lance pouco feliz para a defesa portista - especialmente para Layún, batido em antecipação por duas vezes.

Depois do cruzamento de Limbombe, sempre o ala mais ativo da equipa da casa, Vossen aproveitou a passividade dos defesas do FC Porto na área para rematar para golo, num lance que foi o culminar da boa entrada de equipa de Preud'homme na partida - praticamente o único período positivo dos belgas.

É que, depois do golo, o Brugge cerrou fileiras e começou a defender com cinco defesas, complicando a vida a um FC Porto onde faltou sempre criatividade com bola, tanto no corredor central - onde nem Jota nem André Silva conseguiram receber - como nos corredores laterais - onde apenas Otávio aparecia de vez em quando, marioritariamente em iniciativas individuais.

Depois de uma 1ª parte para esquecer, o FC Porto esteve na 2ª parte com outra postura - essencialmente a partir do minuto 59', quando Nuno decidiu esquecer o 4-4-2 - e o onze - que tinha vencido na Madeira e pôs em prática um 4-3-3 mais dinâmico, com Brahimi e Corona nas alas, por troca com Jota e Herrera.

Bastou um minuto para Brahimi dizer presente, com um remate de fora da área, e, a partir daí, o FC Porto esteve sempre no controlo do jogo. Otávio, depois de uma tabela com André Silva, esteve perto do golo, mas só foi decisivo alguns minutos depois, quando, num contra ataque rápido, lançou Layún e viu o colega enfiar uma bomba na baliza do (pouco seguro) Butelle.

Dean Mouhtaropoulos/Getty

Faltavam 20 minutos para o jogo acabar quando o FC Porto ganhava novo ânimo, mas as ocasiões de golo escassearam. Pelo menos até aos 90+3', quando, num lance individual, Corona entrou na área e arrancou um penálti a um fatigado Claudemir.

André Silva assumiu a responsabilidade sem vacilar: 2-1 para o Porto. E fim do jogo. O resultado dá alento - e é destas lutas até ao fim, com alma, que os adeptos gostam -, mas Nuno tem de rever o nível exibicional de um FC Porto que devia ter produzido bem mais perante um adversário claramente mais fraco. Dia 2 de novembro, no Dragão, haverá nova oportunidade para mostrar melhor.