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Jogar à Porto é isto. Bom, mais ou menos

O FC Porto entrou bem no Dragão e venceu o Club Brugge com mais um golo do suspeito do costume: André Silva. Mas ainda teve de sofrer no final

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André Silva voltou a marcar pelo FC Porto

ESTELA SILVA/LUSA

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Se não se lembra do que é “jogar à Porto” segundo Nuno Espírito Santo, é tempo de refrescar a memória com um momento Pictionary:

Ora deixando de lado, de momento, os tais “três pilares” sobre os quais assentam um jogador portista, foi possível ver, esta noite, no Dragão, o que Nuno dizia pretender num nível mais macro: um FC Porto a jogar apenas em 65 metros.

É certo que o relvado do Dragão tem 105 longos metros de comprimento (68 metros de largura), mas os onze escolhidos por Nuno Espírito Santo - os mesmos de Setúbal e da Bélgica, exceção feita para a entrada de Maxi para o lugar de Layún - foram capazes de encolher habilmente o espaço de jogo logo desde o início.

Com um postura muito dominadora quando atacavam - praticamente apenas ficavam Felipe, Marcano e Danilo atrás da linha da bola, com Jota e André Silva muito móveis entre os sectores adversários -, os portistas raramente permitiram que o Brugge incomodasse Casillas, com o único remate perigoso do adversário a aparecer aos 25 minutos, através de Wesley.

Os belgas liderados pelo ex-benfiquista Michel Preud'homme bem tentavam variar frequentemente o centro do jogo, para saírem rápido do próprio meio-campo e aproveitarem a falta de homens portistas nos corredores laterais, mas a verdade é que, na 1ª parte, praticamente só deu FC Porto, mesmo que sem o virtuosismo do costume (Otávio e Óliver estiveram mais apagados do que é normal).

Butelle foi adiando o golo, primeiro a remate de Felipe e Danilo, e, depois, com alguma ajuda da barra num livre direto de Alex Telles, mas não pôde fazer nada no cabeceamento de André Silva ao primeiro poste num dos muitos cantos que o FC Porto conquistou - já que a bola ainda desviou em Pina antes de entrar na baliza, aos 37'.

ESTELA SILVA/LUSA

O que parecia que ia ser uma noite tranquila no Dragão, demonstrativa do tal “jogar à Porto”, foi descendo de qualidade na 2ª parte. Apesar de Nuno ter trocado aos 60' um desastrado Herrera por Rúben Neves, o meio-campo portista foi deixando de controlar a bola - e o espaço de jogo - tão bem como tinha feito na 1ª parte, acabando por permitir a subida progressiva dos belgas no campo.

É certo que Jota e Óliver estiveram muito perto do golo - e o FC Porto foi sempre criando situações perigosas, especialmente em transições ofensivas rápidas -, mas a equipa de Nuno Espírito Santo ainda acabou o jogo a sofrer, ao contrário do que seria expectável.

Aos 85', Casillas parou de forma soberba o que poderia ter sido o golo de Vanaken - e salvou a vitória portista perante o último classificado do grupo G, sem qualquer ponto. Era o que faltava na tal explicação de Nuno sobre os pilares portistas: saber sofrer.

O FC Porto ascende ao 2º lugar do grupo, com sete pontos em quatro jogos, menos três do que o líder Leicester e mais dois do que o Copenhaga. E, domingo, recebe o Benfica no Dragão. Jogará à Porto?