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Queriam golos, não queriam? Tomem lá cinco

O Leicester deixou os titulares em casa e o FC Porto esteve à altura dos acontecimentos: só deu Porto no Dragão e a equipa de Nuno Espírito Santo qualificou-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões com uma goleada (5-0)

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MIGUEL RIOPA

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Chaves (Taça de Portugal), Copenhaga (Liga dos Campeões), Belenenses e Belenenses (Taça da Liga e Liga). Quatro jogos, quatro competições... e zero golos. Semanas a fio, depois do empate (aí com um golo) com o Benfica, só se falou de eficácia (ou melhor, da falta dela) no Dragão.

Até hoje. É certo que o Leicester City apresentou esta noite uma equipa (muito) secundária, por já estar qualificado para os oitavos de final da Liga dos Campeões - Slimani, Schmeichel, Mahrez, Huth e Vardy ficaram de fora, por exemplo -, mas o FC Porto assumiu um jogo decisivo para as próprias aspirações na Europa com grande categoria.

Com Brahimi no onze inicial, dada a lesão de Otávio, e Telles no lugar que tinha sido ocupado por Layún contra o Sporting de Braga, a equipa de Nuno Espírito Santo pegou no jogo desde os minutos iniciais e não podia ter começado melhor. Logo aos 6', num canto, Jeffrey Schlupp - um ganês que pouco tem jogado - esqueceu a marcação individual e ficou a olhar para os lindos olhos de André Silva enquanto o avançado portista aproveitava para cabecear e fazer o 1-0.

O mais difícil começava a ficar feito - o FC Porto sabia que tinha de ganhar para passar aos oitavos de final, uma vez que, em caso de derrota ou empate, teria de esperar que o Copenhaga não ganhasse - e os portistas estiveram sempre muito tranquilos a partir daí.

Com Brahimi e Corona bem abertos nos corredores laterais e Jota e André Silva na frente, a equipa de Nuno controlou sempre o jogo sem grandes problemas e Casillas acabou por ser um verdadeiro espectador da partida. Depois de um remate periogoso de Jota ao lado, foi Corona a acertar na baliza com um pontapé fortíssimo, de primeira, após cruzamento de Alex Telles, para o 2-0.

FRANCISCO LEONG/Getty

O mexicano com nome de cerveja - que deixou de ser Corona para passar a Tecatito quando estava no Monterrey, patrocinado pela cerveja Tecate - foi um dos melhores (provavelmente o melhor) em campo e foi ele que começou uma jogada para ver e rever com atenção nos próximos dias - e anos. Corona desmarcou Maxi Pereira na área inglesa e o lateral ofereceu o golo a Brahimi, que fez como um outro argelino em 1987 (vale sempre a pena recordar AQUI) e marcou de calcanhar.

3-0 em cima do intervalo e o FC Porto já tinha os dois pés nos oitavos de final da Liga dos Campeões. É certo que se têm visto ultimamente jogos a passar para 3-3 (certo, Benfica e Sporting?), mas o Leicester não mostrava capacidade para tal, mesmo com Claudio Ranieri tentando animar a equipa com a entrada de Leonardo Ulloa, por troca com Ahmed Musa.

Dito e feito: tal como na 1ª parte, só deu Porto na 2ª parte. Aos 64' André Silva foi puxado pelo internacional inglês Drinkwater na área e o avançado portista aproveitou o penálti para fazero 4-0 (e para se redimir dos falhanços anteriores).

Já a acabar o jogo, Jota completou o festival de golos e o Dragão levantou-se para aplaudir a entrada da nova coqueluche: Rui Pedro. O FC Porto voltou aos golos e está nos oitavos de final da Liga dos Campeões pela sexta vez nas últimas dez épocas. E, domingo, vai recuperar terreno para um dos rivais (ou para os dois), que se defrontam na Luz. Afinal a época de Nuno Espírito Santo não está assim tão má. Venham daí mais desenhos.